A suposta judicialização da política segue num ritmo e intensidade crescentes. A queixa da classe política é quase uníssona, de Brasília ao sertão potiguar.
Mas o assunto precisa ser discutido de forma mais fria, sobretudo pela sociedade, que termina sendo – ou deveria ser – o fim de todas as ações do Estado.
O Estado, vale lembrar, é ‘uno’, um monobloco constituído para ordenar a vida dos cidadãos e promover o bem-estar social.
Será que o cidadão comum se sente atendido em seus anseios por Executivo, Legislativo e Judiciário?
Qualquer pesquisa científica, enquete na Net e sondagem boca a boca vão identificar que somos reféns de interesses particulares e de grupos. Pagamos caro por uma máquina obesa e de enorme ineficiência, incapaz de atender às demandas sociais e que insiste no câncer do nepotismo e na prática do empreguismo.
O confronto entre Judiciário e o Legislativo, o Judiciário e o Executivo, ganha manchetes na imprensa e redes sociais. Autoridades que fazem parte desses poderes resmungam e trocam ofensas veladas (ou explícitas).
A discussão, em verdade, não é quanto à competência de cada um. Há outros interesses em questão, que se sobrepõem ao legalismo.
Por vezes omissa no Legislativo e Executivo, a classe política tem testemunhado a intervenção da Justiça em seu papel como judicante, arbitrando conflitos e garantindo direitos subjetivos.
O Judiciário, por sua vez, é sempre muito mais ágil ao advogar eventuais direitos de seus membros do que para decidir em favor da massa-gente.
Porém não devemos estranhar um Judiciário promovendo bloqueio de contas de Governo do Estado e prefeituras, freando festim carnavalesco em meio à seca e ‘legislando’ em lugar de parlamentares.
Se cada poder fizer sua parte, “cada qual no seu quadrado”, esse blá-blá-blá vai se dissipar gradualmente.
Alguns, bom que salientemos, jogam para a torcida e buscam os holofotes.
Entretanto a “torcida” quer menos firula e mais ação em seu favor.

























