“O livre-arbítrio é a capacidade de fazer com alegria aquilo que eu devo fazer”.
Carl Gustav Jung
Jornalismo com Opinião
“O livre-arbítrio é a capacidade de fazer com alegria aquilo que eu devo fazer”.
Carl Gustav Jung
O Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM) tem registrado um crescente número de atendimento com traumatismos diversos decorrentes de acidentes com motos de baixa cilindrada.
O problema decorre da enxurrada de ciclomotores vendidos em Mossoró (e para a região), pilotados por pessoas que em sua maioria não utiliza um simples capacete (não é exigido por lei), nem conhece regras básicas de trânsito (mão, contra-mão, não fazer ultrapassagem pela direita do outro veículo etc).
Muita gente salta direto da bicicleta para as duas rodas motorizadas ou nem isso.
A não-exigência de habilitação automotiva acaba facilitando a ocorrência de acidentes. Sobram imprudência e imperícia.
Nota do Blog – Pilotando meu “transporte”, diariamente testemunho essa loucura no trânsito.
Lamentavelmente, muita gente não está preparada para trafegar sobre duas rodas e passa a correr perigo de morte (ou mutilação), além de botar em risco outras vidas.
Do portal UOL
Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) condenaram o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu à pena de dez anos e dez meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha, nesta segunda-feira (12), no julgamento do mensalão. O ex-ministro ainda terá de pagar multa de R$ 676 mil.
Como a pena ficou acima de oito anos, o ex-ministro cumprirá a punição em regime fechado na prisão. O ex-ministro já foi preso na época da ditadura militar, em 1968, quando era líder estudantil.
A advogada criminalista Marina Coelho Araújo, que acompanha a sessão do julgamento na redação do UOL, explica que Dirceu poderá mudar de regime após 1/6 da pena, ou 1 ano e 9 meses.
“Ele poderá progredir de regime para o semiaberto. Se não houver vaga no semiaberto, ele poderá ir direto para o regime aberto.”
O ex-deputado federal José Genoíno (PT) também foi condenado a seis anos e 11 meses por envolvimento com a quadrilha do mensalão.
Saiba mais clicando AQUI.
Do Blog de Daniel Dantas
O juiz Federal da 8ª Vara, André Dias Fernandes, acatou o posicionamento do Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte (MPF/RN) e proibiu a Fundação Vingt Rosado de veicular, na TV Mossoró, propagandas comerciais, merchandising, patrocínios ou programas de cunho político-partidário que desvirtuem sua finalidade educativa.
A ação civil pública (ACP) que resultou na sentença foi ajuizada em 2011 e é assinada pelos procuradores da República Marina Romero de Vasconcelos e Fernando Rocha de Andrade. A emissora, destacaram os representantes do MPF, já havia sido multada pelo Ministério das Comunicações em duas ocasiões, entre 2008 e 2009, após a fiscalização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) constatar “desvio de finalidade”.
Mesmo diante dessas multas e de uma recomendação expedida pelo MPF, a Fundação Vingt Rosado, responsável pela TV Mossoró, continuou infringindo os termos de uso da emissora. A outorga concedida pelo Congresso Nacional previa que a TV mantivesses “fins exclusivamente educativos”, sendo proibida de veicular propagandas, direta ou indiretamente, bem como patrocínios a programas.
“Ficou evidenciado que a gestão da TV Mossoró veicula propaganda comercial (…), além de agir como televisão convencional, na medida em que vende inserções em sua programação”, ressaltou o juiz Federal em sua sentença.
O MPF relatou também à Justiça a existência de programas com notório caráter político-partidário, dos quais participavam inclusive políticos locais. A ACP descreveu trechos dos comentários do ex-deputado federal Laíre Rosado e do vereador de Mossoró Lahyre Neto, que utilizaram o espaço na emissora, como apresentadores, para tecer críticas a adversários e elogios a aliados.
Durante as eleições de 2008, a TV Mossoró foi alvo de 26 representações oriundas da 33ª Zona Eleitoral de Mossoró, sendo que seis já foram julgadas procedentes. Sobre o assunto, André Dias destacou: “Infere-se, por si só, dessa quantidade de condenações pela Justiça Eleitoral, que a TV Mossoró pelo menos em alguns momentos de sua programação transbordou sua missão educativa para imiscuir-se de forma parcial na política local.”
O magistrado ressaltou que o tema “política” não está proibido na programação da TV Mossoró, mas deve ser tratado de forma plural e imparcial, sem proselitismo político, e não como forma de crítica a um grupo ou partido específico.
A decisão judicial determinou ainda que a Anatel realize fiscalizações periódicas sobre a programação da emissora e que a própria Fundação Vingt Rosado, junto com a Anatel, publique o teor da sentença em dois jornais de grande circulação no estado e o divulgue por 20 minutos diários, durante um período de 30 dias, na programação diurna da TV Mossoró
Do G1 RN
Após 12 dias do afastamento do cargo de prefeita de Natal por força de decisão judicial, a jornalista Micarla de Sousa (PV) ainda aguarda a volta ao Executivo Municipal.
A defesa constituída por Micarla impetrou petições para reverter a determinação do desembargador Amaury Moura Sobrinho. Os advogados da jornalista recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) com uma reclamação contra o desembargador e com um habeas corpus, respectivamente.
Micarla de Sousa é suspeita de receber propina de empresas prestadoras de serviços ou fornecedoras de produtos contratados pelo Município para gerir unidades de saúde na cidade, conforme denúncia publicada pelo Ministério Público Estadual nesta terça-feira (6).
Micarla de Sousa, por intermédio da assessoria de comunicação, nega as acusações.
Nota do Blog – Mulher, vá cuidar de sua vida. Você está no lucro. Pelo volume e contundência das acusações, estás no lucro.
O xilindró é bem ali, ó!!
Do Congresso em Foco
O candidato é barrado pela Lei da Ficha Limpa e vai recorrendo, recorrendo, recorrendo, enquanto a campanha continua.
Na noite do sábado, véspera da eleição, ele é substituído por um parente ou uma pessoa de sua confiança que não tem problemas na Justiça. Na manhã do dia seguinte, os eleitores vão às urnas e encontram ali a foto e o nome do candidato barrado. Votam nele, mas, na verdade, quem vai ser eleito e será prefeito é o seu filho ou o seu “compadre”.
Parece ficção, mas, só em São Paulo, sete casos tiveram esse desfecho. Cinco desses candidatos foram substituídos no sábado, ou seja, um dia antes do primeiro turno das eleições municipais.
Artimanha
Mas esse “drible” na Lei da Ficha Limpa corre o risco de ser anulado. Em decisão inédita, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo invalidou, no último dia 30, a eleição de Camila Lima (PR) como prefeita da cidade de Euclides da Cunha Paulista.
Camila é filha de Maria de Lurdes Teodoro Lima (PMDB), e assumiu a candidatura no lugar da mãe, barrada pela nova lei de inelegibilidade, horas antes da votação. Lurdes teve o registro de candidatura negado por ter sido condenada por improbidade administrativa por mais de um magistrado, em segunda instância.
Inicialmente barrada pelo TRE-SP, Maria de Lurdes recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e continuou sua campanha enquanto o seu recurso não era examinado.
Porém, às 18h04 de sábado – 14 horas antes do início da votação – ela renunciou à candidatura em favor da filha. Não deu nem tempo de os eleitores tomarem conhecimento da mudança. No dia seguinte, os eleitores foram às urnas achando que votavam em Maria de Lurdes quando, na verdade, estavam votando em Camila.
Saiba mais detalhes clicando AQUI.
A tradicional Lojinha de Santa Luzia funcionará em novas instalações. Com o objetivo de atender o público com mais conforto, a lojinha será montada num local mais amplo localizado ao lado da Catedral de Santa Luzia, no Largo Monsenhor Huberto Bruening, Centro.
A lojinha será aberta nesta quarta-feira, dia 14 de novembro, às 8h, com um café da manhã. De 14 de novembro a 02 de dezembro funcionará nos períodos da manhã e da tarde. No período de 03 a 13 de dezembro, quando é realizada a programação religiosa e social da Festa de Santa Luzia, a lojinha funcionará nos períodos da manhã, tarde e noite.
Além do ponto fixo, onde são comercializados os artigos religiosos, a equipe responsável pela lojinha tem acompanhado as visitas da imagem de Santa Luzia pelas áreas pastorais e zonais da Diocese com a “Lojinha Itinerante”. Esse é o segundo ano da lojinha itinerante.
“Durante a peregrinação da imagem as pessoas sempre procuram artigos da lojinha. Nesta terça-feira estaremos presentes também no Memorial da Resistência, quando será realizado o encontro com a imprensa”, afirma Rafaela Brito, da Comissão da Festa de Santa Luzia.
No trânsito à manhã de hoje pela BR-304, entre Natal e Mossoró, encontro-me casualmente com uma delegação de peemedebistas mossoroenses.
Dividimos mesa no café da manhã.
A vereadora eleita Izabel Montenegro, a presidente da sigla – Rose Cantídio, vice-prefeito eleito Wellington Filho e o vereador (que não se reelegeu) Daniel Gomes faziam parte da trupe.
Iam com destino à capital, para participação em evento estadual do PMDB (veja postagem mais abaixo).
Conversei com Rose sobre ocupação de espaços do PMDB nos governos estadual e municipal (Mossoró).
– Muita gente quer ser secretário – disse sorrindo.
Mas evitou aprofundar conversa sobre o tema. Para ela, é uma discussão que deve evoluir naturalmente.
Quanto ao Governo do Estado, por exemplo, avaliou que mesmo com dificuldades do governismo, numa crise que parece não ter fim, o partido poderá realmente ter seu espaço ampliado.
– Vamos aguardar – afirmou.
Adotei uma comemoração contida, mas nem por isso desprovida de emoção. O tetracampeonato brasileiro de futebol do Fluminense, conquistado com antecipação, ontem, com 3 x 2 no Palmeiras (em Presidente Prudente, SP), foi demais!
Em 2010, no tri, a manguaça emendou da noite de domingo (5 de dezembro) à madrugada do dia 6 em Mossoró. Inesquecível.
Agora, outro “porre” de alegria, vendo o jogo em Natal. Sóbrio.
O título chega com números arrasadores e incontestáveis para o campeão tricolor. Um campeão com autoridade.
E é bom frisarmos que ainda faltam três partidas:
– Melhor ataque (59 gols, por enquanto);
– Melhor defesa (28 gols sofridos);
– Melhor goleiro (Diego Cavalieri);
– Artilheiro da competição (Fred, 19 gols, por enquanto);
– Maior saldo de gols (31);
– Maior número de vitórias (22, por enquanto);
– Maior número de vitórias fora de casa (11, por enquanto);
– Menor número de derrotas (3);
– Maior pontuação de toda era de pontos corridos com 20 clubes (76, por enquanto);
– Maior aproveitamento de pontos (72,4 pontos percentuais dos disputados até o momento);
– Invicto contra times paulistas e cariocas no Brasileirão 2012…
Ufa!!
Esta é uma postagem eminentemente pessoal, assinalo. Foge um pouco ao espírito plural da página, admito. Mas é um “excesso” a que me permito, com a compreensão do webleitor.
Veja AQUI a ficha técnica de todos os jogos (com escalação, fotos e reportagem sobre as partidas).
Tem pelo menos dois secretários do Governo Rosalba Ciarlini (DEM) estão com a paciência quase no limite.
Estão num pé e noutro para pedir o “boné”.
A falta de autonomia, a escassez de recursos e a dificuldade para implementação de providências mínimas, em suas respectivas pastas, os desmotivam.
Podem surgir notícias de demissão nos próximos dias.
Aguardemos.
Da coluna Notas e Comentários (Tribuna do Norte)
O PMDB/RN e a Fundação Ulysses Guimarães (FUG) vão promover, nessa segunda-feira (12), a partir das 9 horas, no Salão de Eventos do Imirá, um Encontro Estadual com filiados ao partido que participaram das eleições de 2012.
A intenção é capacitar os prefeitos e vereadores eleitos para o exercício dos mandatos.
O PMDB e a FUG organizam palestras sobre transparência administrativa, o ordenamento jurídico e outras iniciativas de capacitação para gestores municipais.
“Calarei os maldizentes continuando a viver bem; eis o melhor uso que podemos fazer da maledicência.”
Platão
Impressiona o sentimento que toma conta da enorme maioria dos natalenses, em relação à prefeita afastada Micarla de Sousa (PV).
É um misto de indignação e nojo.
A gente ouve pessoas dos mais diversos matizes sociais e a impressão é a mesma.
Ela está sem condições de fazer alguma aparição pública, após tantas denúncias e detalhes de supostos casos de rapinagem do dinheiro público.
Micarla saiu da consagração nas urnas em 2008, para o subsolo do fundo do poço.
Nesse movimento, a prefeita afastada levou Natal do nirvana ao inferno.
Triste.
Mossoró foi palco entre a noite de ontem e madrugada de hoje, do 19ª roubo a banco/caixas-eletrônicos deste ano no Rio Grande do Norte.
O Hiper Queiroz (Avenida Dix-neuf Rosado, Paredões) foi visitado por ladrões que tiveram êxito na tarefa.
Roubaram caixas-eletrônicos instalados nessa unidade mercantil e fugiram sem problema.
Não se sabe o valor “arrecadado” pelos bandidos.
À semana passada, essa modalidade de crime atingiu bancos em Alto do Rodrigues e Grossos.
Por Marcos Araújo
No último dia 09 de novembro, o calendário municipal registrou um feriado para a comemoração da emancipação política da cidade de Mossoró. Como já restou discutido durante a semana nesse espaço cibernético, a data é controversa para alguns historiadores.
Para Câmara Cascudo e Geraldo Maia, se credita o dia 15 de março de 1852. Para outros, a data correta da emancipação da nossa cidade seria o dia 9 de novembro de 1870, quando o vigário Antonio Joaquim Rodrigues assinou a Lei Provincial n. 620, conferindo à vila as honras de cidade.
Em 1852 ou em 1870, é fato, Mossoró livrou-se do jugo administrativo da província de Assu/RN. Numa data e na outra, um ponto é comum: os dois éditos legais têm a chancela política de um sacerdote. No primeiro, de 1852, a iniciativa é creditada ao padre Antônio Freire de Carvalho. Na lei de 1870, o autor foi o vigário Antonio Joaquim.
Nos atos dos históricos sacerdotes uma comunhão de ideais: a política, a liberdade e a fé, ou melhor, a liberdade política de Mossoró como uma profissão de fé. Os padres, naquela época, se metiam na política, mesmo com uma aparente proibição do Código Canônico.
A história sócio-política da região vai inserir depois outros padres, como Padre Mota e Monsenhor Walfredo Gurgel.
Fazer política, ensinaram os padres antigos, é uma profissão de fé. É um ato de crença objetiva numa sociedade melhor, participando ativamente dela.
Em 1852 ou em 1870, não se emancipou um povoado, mas a população da Vila denominada Santa Luzia. Emancipar, na sua etimologia latina emancipare, é eximir do pátrio poder e da tutela, dar liberdade; é uma ação verbal voltada para gentes, não para construções. Não se emancipa uma cidade ou suas edificações, mas sim, o seu povo, seus habitantes.
O Dicionário Aurélio da Língua portuguesa anota que Emancipação vem do latim emancipatione, que também quer dizer alforria, libertação. Tom Buttomore explicita que o conceito de emancipação está estreitamente relacionado à concepção de liberdade.
A emancipação é a mãe da liberdade. O sociólogo Antonio Gramsci, em seus Cadernos do cárcere, tratou da impossibilidade da emancipação social por causa de um monstro, a quem ele chamava de interesses subalternos, ou grupos subalternos, que seriam os desejos individuais.
Emancipação não admite servidão; nem muito menos escravidão nas suas mais pérfidas faces: alienação política, deseducação, desordem moral, pobreza e desigualdade.
Quando se trata de emancipação política, o pensamento é da libertação de um povo, de uma sociedade. Em sociologia, uma sociedade (do latim: societas, que significa “associação amistosa com outros”) é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade.
Etimologicamente, viver em sociedade seria dizer que um ser é sócio da metade do outro. Sociedade é a fusão, na esfera pública, das pessoas (sócio+metade). Uma sociedade é uma comunidade interdependente, onde os seus membros compartilham interesses ou preocupações mútuas sobre um objetivo comum.
Seria uma utopia? Teóricos marxistas como Althusser, Ernesto Laclau e Slavoj Zizek argumentam que a sociedade nada mais é do que um efeito da ideologia dominante. Nem caberia falar de emancipação social, nesse caso…
Se assim o é, vivemos uma luta inglória e irreflexiva de equidistância da ação política com a satisfação social. No individual, queremos muito, no coletivo, pensamos pouco.
A sociedade reclama por verdadeiros ideais como os que motivaram os padres do início desse escrito. Toda a ação política deveria ser em favor do desejo coletivo. Esse deveria ser o nosso credo, essa deveria ser nossa profissão de fé.
Mas, como podemos falar no presente em emancipação sem fazer uma incursão crítica nas atitudes dos nossos gestores públicos? Certamente, só poderemos comemorar a “nossa” emancipação quando o Estado-Poder registrar em sua contabilidade menos pagamentos em contas publicitárias, e mais investimentos na educação; menos pagamentos em diárias, e mais recursos na saúde; menos desvios para as superficialidades festivas, e mais gastos com a segurança; maior proteção a res publica, e menos apropriação privada dos recursos do erário…
A liberdade política de um povo brota dos sonhos que acalentam os seus mandatários. Se a imagem de futuro de uma sociedade estiver grosseiramente equivocada pelas ações políticas do presente, o sistema social acabará por trair os seus jovens e destruir as gerações do porvir.
Uma emancipação verdadeira consolida as instituições sociais. Não admite a subserviência entre uma e outra autoridade.
Talvez seja a época de repensar essa relação de dependência da Igreja com o Estado, e pedir que os nossos líderes evangélicos e católicos prescindam do apoio e dos recursos públicos para consecução de suas festas religiosas, para que eventos de oração não se transformem em cultos de louvaminhas e bajulação.
Precisamos restabelecer uma consciência crítica até entre os chamados cristãos. Outro dia, em Caicó, um padre foi censurado pelo arcebispado e por milhares de católicos por ter cobrado da Governadora uma melhor administração.
Certo ele, pois uma igreja autêntica não subsiste apenas com a oração. Fé sem obras é morta, dizia São Tiago, aquele que morreu em Compostela, na Espanha. Se não tivermos ações sociais dos crentes em Deus, como manteremos a fé?
Todos nós somos edificadores de uma nova sociedade. Os que se lançaram na vida pública são chamados a dar testemunho de um novo agir.
Monteiro Lobato, em uma de suas obras, diz que o ato de começar não é nem um pouco fácil, sendo infinitamente mais simples acabar. Para acabar, diz a personagem Emilia, pinga-se um ponto final e pronto; ou então escreve-se um latinzinho: finis. Mas começar é terrível!
O exemplo dos nossos sacerdotes protoemancipadores Antonio Carvalho e Antonio Joaquim deve estimular aos cristãos do presente. Temos o dom sagrado (sacer – sagrado, dote – dom) de brigar pela liberdade política e social permanente dos nossos habitantes.
Como registrou oportunamente Chico Xavier, embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode (re)começar agora e fazer um novo fim.
Marcos Araújo é advogado e professor
Do Blog do Sargento Andrade
O ex-prefeito de Marcelino Vieira (RN), José de Arimatéia Fernandes, 66, foi encontrado morto em sítio de sua propriedade, nesse município, à manhã desse sábado (10). Populares localizaram-no por volta de 6h, crivado de balas.
De acordo com informações, o ex-prefeito todos os sábados fazia o pagamento de funcionários do sítio, onde era proprietário. Talvez esse tivesse sido o motivo para o crime. Teria acontecido um latrocínio.
Segundo informações, uma moto tipo FAN (Honda) foi levada pelos bandido(s). Não se sabe a quantia roubada, pois os bolsos da calça da vitima estavam rasgados, dando a entender que o dinheiro foi retirado à força.
José de Arimateia Fernandes foi eleito prefeito em 1992, assumindo o cargo em 1º de Janeiro de 1993 até 31 de Dezembro de 1996. Ele é esposo da atual vereadora Fátima Fernandes.
Por Rubem Braga
Conhece o vocábulo escardinchar? Qual o feminino de cupim? Qual o antônimo de póstumo? Como se chama o natural do Cairo?
O leitor que responder “não sei” a todas estas perguntas não passará provavelmente em nenhuma prova de Português de nenhum concurso oficial. Aliás, se isso pode servir de algum consolo à sua ignorância, receberá um abraço de felicitações deste modesto cronista, seu semelhante e seu irmão.
Porque a verdade é que eu também não sei. Você dirá, meu caro professor de Português, que eu não deveria confessar isso; que é uma vergonha para mim, que vivo de escrever, não conhecer o meu instrumento de trabalho, que é a língua.
Concordo. Confesso que escrevo de palpite, como outras pessoas tocam piano de ouvido. De vez em quando um leitor culto se irrita comigo e me manda um recorte de crônica anotado, apontando erros de Português.
Um deles chegou a me passar um telegrama, felicitando-me porque não encontrara, na minha crônica daquele dia, um só erro de Português; acrescentava que eu produzira uma “página de bom vernáculo, exemplar”. Tive vontade de responder: “Mera coincidência” — mas não o fiz para não entristecer o homem.
Espero que uma velhice tranqüila – no hospital ou na cadeia, com seus longos ócios — me permita um dia estudar com toda calma a nossa língua, e me penitenciar dos abusos que tenho praticado contra a sua pulcritude. (Sabem qual o superlativo de pulcro? Isto eu sei por acaso: pulquérrimo! Mas não é desanimador saber uma coisa dessas? Que me aconteceria se eu dissesse a uma bela dama: a senhora é pulquérrima? Eu poderia me queixar se o seu marido me descesse a mão?).
Alguém já me escreveu também — que eu sou um escoteiro ao contrário. “Cada dia você parece que tem de praticar a sua má ação — contra a língua”. Mas acho que isso é exagero.
Como também é exagero saber o que quer dizer escardinchar. Já estou mais perto dos cinqüenta que dos quarenta; vivo de meu trabalho quase sempre honrado, gozo de boa saúde e estou até gordo demais, pensando em meter um regime no organismo — e nunca soube o que fosse escardinchar.
Espero que nunca, na minha vida, tenha escardinchado ninguém; se o fiz, mereço desculpas, pois nunca tive essa intenção.
Vários problemas e algumas mulheres já me tiraram o sono, mas não o feminino de cupim. Morrerei sem saber isso. E o pior é que não quero saber; nego-me terminantemente a saber, e, se o senhor é um desses cavalheiros que sabem qual é o feminino de cupim, tenha a bondade de não me cumprimentar.
Por que exigir essas coisas dos candidatos aos nossos cargos públicos? Por que fazer do estudo da língua portuguesa uma série de alçapões e adivinhas, como essas histórias que uma pessoa conta para “pegar” as outras?
O habitante do Cairo pode ser cairense, cairei, caireta, cairota ou cairiri — e a única utilidade de saber qual a palavra certa será para decifrar um problema de palavras cruzadas.
Vocês não acham que nossos funcionários públicos já gastam uma parte excessiva do expediente matando palavras cruzadas da “Última Hora” ou lendo o horóscopo e as histórias em quadrinhos de “O Globo?”.
No fundo o que esse tipo de gramático deseja é tornar a língua portuguesa odiosa; não alguma coisa através da qual as pessoas se entendam, ruas um instrumento de suplício e de opressão que ele, gramático, aplica sobre nós, os ignaros.
Mas a mim é que não me escardincham assim, sem mais nem menos: não sou fêmea de cupim nem antônimo do póstumo nenhum; e sou cachoeirense, de Cachoeiro, honradamente — de Cachoeiro de Itapemirim!
Rubem Braga (1913-1990) Escritor, jornalista e cronista
Preá em carne viva
Prefeito de Almino Afonso, o médico José Fernandes entabula uma prosa com o amigo Lauro Maia, e lhe faz uma promessa: pagará dívida de cerca de R$ 200 mil contraída há algum tempo com ele.
Lauro anima-se. Ajeita-se na cadeira e solta um sorriso de menino-passarinho – com vontade de voar.
– Você recebe em carne? – emenda José Fernandes, sondando o interlocutor.
“Por que não, heim?”
Lauro responde na bucha que está tudo certo: “Claro, Zé!”
Com a concordância do credor, José Fernandes resolve detalhar como será o pagamento.
– Eu tenho uma criação de preá. Eu lhe passo os bichos vivos – adianta.
Atordoado, Lauro chega a imaginar que tudo não passa de outra brincadeira do seu devedor. Não é.
Levado até um local da fazenda onde o prefeito cria uma manada de preás, o credor fica abobalhado com quantidade de animais que passaria a seu “patrimônio”.
– Amigo, agora você trate logo de levar os bichinhos porque eu cobro estadia por cada dia de permanência deles – avisa José Fernandes.
Numa rápida reflexão, Lauro bota uma gota de racionalidade na negociação bizarra e percebe o prejuízo maior com a aquisição dessa carne viva.
– Vamos deixar isso pra lá, Zé – escapa, de fininho, Lauro Maia.
Por Honório de Medeiros
Algum tempo atrás o Fórum Nacional da Previdência debateu, mais uma vez, os problemas da Previdência Nacional, e uma das propostas discutidas constava em um relatório elaborado por Vicente Falconi, do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), de Minas Gerais, o mesmo que foi responsável, entre 2002-2006, pelo choque de gestão pelo qual passou o Governo de Minas e que culminou em zerar o déficit orçamentário, que era de 2,3 bilhões de reais, originando um saldo para investimentos, na época, de mais de três bilhões.
Há algo de original, quanto à gestão pública, na “doutrina” Falconi? Não.
Na verdade, Falconi resgatou, para o setor público, o conceito “PDCA” (Planejar, Desenvolver, Checar e Agir) desenvolvido no Japão, mas criado nos EUA na década de 20, para a iniciativa privada.
Agregue-se ao PDCA, mais especificamente no P, de Planejar, os famosos “o quê, por que, como e quando”, que a sopinha de letras está completa e o planejamento estratégico, pelo menos no papel, aparece perfeito. Na verdade, conforme a própria literatura acerca de gestão pública aponta, o grande problema está no “Checar”.
Tradicionalmente as administrações públicas deixam de lado, quando existe algum planejamento – e o mais das vezes os governos começam sem nenhum – a atividade de checar e padronizar, se tudo estiver correndo bem, ou checar e corrigir, se algo não estiver dando certo. E deixam de lado graças a uma série de componentes dentre os quais avulta, pela importância, o despreparo e a falta de compromisso com aquilo para o qual foram conduzidos pelo voto popular, dos líderes políticos.
Conchavos
Não há checagem porque não é dado prazo para o alcance da meta. Não é dado prazo porque não há decisão política de cobrar resultados quando ele termina.
Pior: mesmo que houvesse prazos, o mau gestor não seria punido, vez que a razão principal de sua presença no “staff” decorre de conchavos políticos ou premiação espúria por conduta partidária.
Não há acompanhamento rígido do planejamento estabelecido por que os compromissos políticos dobram as necessidades administrativas e todo o planejamento – quando o há – rui por terra já no primeiro ano de administração.
Então podemos creditar o sucesso do choque de gestão em Minas Gerais à decisão política do Governador de implementá-la, contra tudo e contra todos. Acredito plenamente que deve ter importado sobremaneira a capacidade de Falconi no sentido de convencer o Governador Aécio Neves de que era possível alcançar as metas estabelecidas se houvesse respaldo às ações a serem desenvolvidas.
Caso contrario teríamos mais uma boa intenção condenada. E o inferno, dizem, está cheio de boas intenções.
O respaldo ao qual aludo acima é, principalmente, no sentido de punir todos quanto não estejam plenamente integrados ao planejamento. Se a checagem mostra que a meta não foi alcançada e isso não aconteceu por falta de competência ou interesse, então o gestor intermediário, ou seja, o responsável terá que se afastado imediatamente sob pena de comprometer o esforço total.
Esse elo da engrenagem que não funciona é como uma célula cancerosa: se não for destruída imediatamente vai originar uma metástase no futuro.
Portanto, não há segredo. O problema é político. Embora seja necessário ressaltar: a tarefa de criar e conduzir esse processo demanda um “know-how” que não é para qualquer um.
Existem ingredientes para além da “sopinha de letras” que somente são detectados, analisados e integrados por quem é do ramo: o gestor tem que ter vocação, talento e disciplina.
Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN
Por Paulo Mendes Campos
Pelo pés das goiabeiras,
pelo braços das mangueiras,
pelas ervas fratricidas,
pelas pimentas ardidas,
fui me aflorando.
Pelos girassóis que comem
giestas de sol e somem,
por marias-sem-vergonha,
dos entretons de quem sonha
fui te aspirando.
Por surpresas balsaminas,
entre as ferrugens de Minas,
por tantas voltas lunárias,
tantas manhãs cineárias,
fui te esperando.
Por miosótis lacustres,
por teus cântaros ilustres,
pelos súbitos espantos
de teus olhos agapantos,
fui te encontrando.
Pelas estampas arcanas
do amor das flores humanas,
pelas legendas candentes
que trazemos nas sementes,
fui te avivando.
Me evadindo das molduras,
de minhas albas escuras,
pelas tuas sensitivas,
açucenas, sempre-vivas,
fui te virando.
Pela rosa e o resedá,
pelo trevo que não há,
pela torta linha reta
da cravina do poeta,
fui te levando.
Pelas frestas das lianas
de tuas crespas pestanas,
pela trança rebelada
sobre o paredão do nada,
fui te enredando.
Pelas braçadas de malvas,
pelas assembléias alvas
de teus dentes comovidos
pelo caule dos gemidos
fui te enflorando.
Pelas fímbrias de teu húmus,
pelos reclames dos sumos,
sobre as umbelas pequenas
de tuas tensas verbenas,
fui me plantando.
Por tuas arestas góticas,
pelas orquídeas eróticas,
por tuas hastes ossudas,
pelas ânforas carnudas,
fui te escalando.
Por teus pistilos eretos,
por teus acúleos secretos,
pelas úsneas clandestinas
das virilhas de boninas,
fui me criando.
Pelos favores mordentes
das ogivas redolentes,
pelo sereno das zínias,
pelos lábios de glicínias,
fui te sugando.
Pelas tardes de perfil,
pelos pasmados de abril,
pelos parques do que somos,
com seus bruscos cinamomos,
fui me espaçando.
Pelas violas do fim,
nas esquinas do jasmim,
pela chama dos encantos
de fugazes amarantos,
fui me apagando.
Afetando ares e mares
pelas mimosas vulgares
pelos fungos do meu mal,
do teu reino vegetal
fui me afastando.
Pelas gloxínias vivazes,
com seus labelos vorazes,
pelo flor que desata,
pela lélia purpurata,
fui me arrastando.
Pelas papoulas da cama,
que vão fumando quem ama,
pelas dúvidas rasteiras
de volúveis trepadeiras
fui te deixando.
Pelas brenhas, pelas damas
de uma noite, pelos dramas
das raízes retorcidas,
pelas sultanas cuspidas,
fui te olvidando.
Pelas atonalidades
das perpétuas, das saudades,
pelos goivos do meu peito,
pela luz do amor perfeito,
vou te buscando.
Paulo Mendes Campos (1922-1991) Foi poeta, cronista, jornalista e tradutor
‘Não se pode acreditar que é possível ser feliz procurando a infelicidade alheia.”
Sêneca
Através das 33ª e 34ª promotorias eleitorais de Mossoró, o Ministério Público Eleitoral (MPE) entrou com seis pedidos de cassação de registro de candidatura da prefeita eleita Cláudia Regina (DEM) e do vice Wellington Filho (PMDB).
As promotoras eleitorais Karine Crispim e Ana Ximenes produziram farto, diversificado e contundente material embasando os procedimentos.
Caberá ao juiz eleitoral José Herval Sampaio Júnior da 33ª Zona Eleitoral se pronunciar sobre as matérias. É a primeira instância de uma contenda judicial que promete se arrastar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com “estada” no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Peleja para alguns anos, que se diga.
As petições envolvem os candidatos, além do chefe de Gabinete da Prefeitura de Mossoró, agitador cultural Gustavo Rosado (PV); secretário Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, Alexandre Lopes; empresário Edvaldo Fagundes; vereador Chico da Prefeitura (DEM) e outros personagens de menor envergadura social e política, como servidores públicos municipais que estariam a serviço dos candidatos governistas.
Compra de votos
Também pesa acusação contra a governadora Rosalba Ciarlini (DEM), por uso da máquina pública. A propósito, utilizar a estrutura estatal do estado e do município são alguns dos ingredientes contantes nas demandas, onde se sobressai a suposta compra de votos em diversos casos.
No trabalho de apuração dos fatos, exumação de documentos e provas, bem como flagrante em hipotéticos delitos, houve até mesmo atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Colaborou sobremodo com o Ministério Público Eleitoral (MPE) .
As promotoras pedem, ainda, realização de nova eleição municipal e investigação paralela da Promotoria do Patrimônio Público no tocante à prática de improbidade administrativa.
Apesar do trabalho do Ministério Público Eleitoral ter ocorrido em plena sucessão da prefeita de direito Fátima Rosado (DEM), a “Fafá”, ela não aparece em qualquer implicação delituosa. De novo emerge seu irmão e prefeito de fato Gustavo, além de outros personagens.
Saiba mais detalhes clicando AQUI e AQUI.
Nota do Blog – Tive acesso a parte desse material, denso, do MPE. Há pouco mais de uma semana fui informado de que o MPE teria essa disposição.
Promessa de muito barulho daqui para frente.
Por anos, que se diga.
Anote, por favor.
Depois volto ao tema de forma mais amiúde.
P.S (11 de Novembro de 2012, às 6h15) – Um reparo ao texto original desta postagem: Os procedimentos em epígrafe desencadeados pelo MPE estão na verdade na mesa do juiz da 34ª Zona Eleitoral, Pedro Cordeiro. Ele é que apreciará as petições.


