Há anos que tenho asseverado: "A patota não é do ramo".
De princípio, muita gente torceu o nariz e considerou exagerada essa assertiva, para dimensionar os inquilinos do Palácio da Resistência – sede da Prefeitura de Mossoró.
Exagero?
O tempo, tempo, mano velho, sempre ele, está aí batendo à porta de cada um de nós. Mostra que não houve excesso algum.
O conceito é até parcimonioso diante do que Mossoró tem testemunhado nos últimos seis anos, com a proeminência de outro braço da família Rosado a decidir sobre os destinos do município. Cidadãos são transformados em súditos, como se vivêssemos num rincão do Brasil Colônia.
A relação entre administradores e administrados é de imposição, humilhação e perseguição patológica, em casos mais extremos.
O episódio envolvendo simples poetas, escultores da palavra lírica, no dia passado, na antiga Cobal, é mais um exemplo dessa convivência arrogante. Mossoró é remetida aos primórdios do coronelismo, do poder despótico e da indigência intelectual.
Temos em evidência, o que pode ser denominado de "hegemonia da estupidez". Mistura ignorância com soberba.
A cultura sempre foi uma arma de dominação, por vezes manipulada para servir ao "status quo". Em muitos momentos esteve engajada em lutas contra o arbítrio, num movimento de contra-hegemonia.
No caso dessa facção política, ocorre diferente.
Ela ratifica seu despreparo à gestão dos negócios públicos, seu analfabetismo político na coabitação do mesmo espaço geopolítico com vozes em contrário e não enxerga o valor da cultura. Utiliza-a como subproduto à mitificação dos donos do poder.
A "hegemonia" dessa "banda" dos Rosado, na prática só se manifesta pela força do aparelho estatal, utilizada para intimidar e subordinar à sua vontade os "súditos". Muitas vezes, tudo é bancado com artifícios truculentos ou de submundo, como o ocorrido contra os poetas, no domingo.
Tem prazo de validade. Terminará no dia 31 de dezembro de 2012, sendo desovada no lixo da história político-administrativa de Mossoró.

























