Tudo esclarecido. Pingo nos ís. Cai mais um embuste. Reunião entre o secretário estadual da Saúde, George Antunes, com vereadores e representante do governo mossoroense, atestou que o Estado não deve nada à prefeitura na relação bipartite do Sistema Único de Saúde (SUS).
Foi desmanchada uma das versões propagadas pelo secretário municipal da Cidadania, Chico Carlos (PV), de que dificuldades de gestão da Saúde derivavam – em parte considerável do Estado. A dívida com a prefeitura seria da ordem de R$ 20 milhões.
Reunião iniciada por volta de 14h30 e encerrada quase às 17h20, no gabinete do secretário, reuniu oito vereadores, o próprio George, a gerente executiva da Saúde de Mossoró (Jacqueline Amaral), além de Benjamim Bento (técnico da Prefeitura de Mossoró). O deputado estadual Leonardo Nogueira (DEM) apareceu ao final.
Com testemunho pessoal da própria gerente, subordinada a Chico Carlos, não restaram dúvidas quanto à versão inverossímil do débito. Ele admitiu que não há esse "prego". George e ela sincronizaram informação de que o município é que devia por volta de R$ 7 milhões ao governo estadual, mas que estava abatendo. Hoje se situaria em torno de R$ 4,5 milhões.
Sem em momento algum nominar Chico Carlos, apenas tratando-o pela expressão "aquele rapaz", George deixou claro como era difícil negociar com a prefeitura. "Aquele rapaz chega aqui impondo", disse.
Já à sala de reunião, Leonardo pediu desculpas por dificuldades no diálogo e foi aparteado. O secretário disse que a questão não era da discussão desta tarde, vista como civilizada, produtiva e sem subterfúgios. Sem mentiras.
Tripartite
A orientação passada por George Antunes, é de que a plrefeitura discuta em colegiado bipartite (municípios-Estado) ou tripartite (União-Estado-municípios) suas eventuais perdas. A queixa da Prefeitura de Mossoró é que seu sistema está sobrecarregado com atendimento – sem contrapartida – a pacientes enviados por outros municípios.
Os vereadores governistas Niná Rebouças (DEM) e Daniel Gomes (PMDB) pronunciaram-se. Revelaram maiores sinais de indignação, pelo engodo que estavam defendendo até então, em face de maciça informação errada recebida para defesa pública na câmara e perante a sociedade.
Essa reunião foi desencadeada pela câmara municipal. Em comum acordo, a decisão de provocá-la nasceu de audiência pública na segunda (14) na Casa, em que de novo apareceram versões desencontradas para a crise na Saúde. Outra vez o Estado era satanizado e apresentado como devedor.
– Quando eu fazia parte da bancada governista, em muitos momentos ouvi orientação do chefe de Gabinete Gustavo Rosado (PV) para dizer ‘isso’ ou ‘aquilo’, com base em informação de Chico Carlos. Os outros vereadores também passaram por isso – comenta o vereador Jório Nogueira (PDT).
– Nossa iniciativa, confronto Jacqueline e George, ao lado dos demais vereadores, falicita o entendimento do impasse. Ficou claro que o Estado não deve nada e falta a prefeitura tomar iniciativas, sem ficar transferindo responsabilidades e causando impressão equivocada sobre o papel do governo estadual – assinala o vereador Genivan Vale (PR).
Ainda participaram do encontro os vereadores Lahyrinho Neto (PSB), Ricardo de Dodoca (PDT), Maria das Malhas (PSL), além do presidente Claudionor dos Santos (PDT).
Nota do Blog – É mais simples discutir questões tão delicadas como essa, apenas de forma técnica.
A mentira politiqueira tem dupla nocividade: cria a desinformação que dificulta a resolução dos problemas e alimenta sentimentos como a antipatia entre as partes, transformadas em litigantes.
O problema, continuo insistindo, é de caráter. Não exatamente o mau-caratismo. A ausência mesmo de caráter.
























