“Eu tenho um sonho no qual um dia essa nação se erguerá e viverá o verdadeiro princípio do seu credo. Nós acreditamos que essa verdade é auto-evidente, que todos os homens são criados iguais.” (Martin Luther King)
Acompanho com razoável interesse a disputa pela Casa Branca. Na verdade, os olhares mais atentos do mundo estão voltados à América.
Não se trata apenas de uma disputa presidencial doméstica entre democratas e republicanos. Estão em jogo aspectos diversos da geopolítica mundial.
Os Estados Unidos da América são a mais forte e influente nação que se tem notícia, desde a queda de Roma, há pouco menos de dois mil anos. Entretanto o que me atrai sobremodo não é o futuro pura e simplesmente.
Sou remetido para o passado, quando vejo um negro delgado, eloquente e catalisador de multidões como Barack Obama, no topo dos EUA.
Filho de pai africano com mãe branca, nascido no Havaí, um dos dois estados americanos fora da América continental (o outro é o Alaska), Obama parece materializar outro negro e suas palavras premonitórias. Refiro-me a Martin Luther King.
Ele é autor da célebre pregação pacifista e contra a exclusão racial, conhecida como “I have a dream” (Eu tenho um sonho). Em 1963, portanto há 45 anos, King liderou a “Marcha para Washington”, puxando cerca de um milhão de adeptos do movimento contra a segregação racial.
Foi assassinado por um racista intolerante, em abril de 1968. Mas já conseguira, então, fazer inocular suas palavras no inconsciente popular.
Barack Obama é a encarnação dessa força. Vencendo ou não nas urnas e no colégio eleitoral norte-americano, ele terá cumprido um importante papel à sua civilização e para o mundo.
Sim, é possível!
























