Testemunhando a covardia com que Mossoró se esquiva de temas importantes, mantendo sua vocação contemporânea para o consenso e o silêncio torpes, não posso esquecer dois personagens.
Um, muito próximo e ainda vivo. O outro, quase desconhecido e já extinto. Ambos meritórios e necessários ao meu enfoque, nesta postagem.
O primeiro, Canindé Queiroz, jornalista fundador do diário Gazeta do Oeste.
Repetidas vezes, ele se indignava com a leniência dos mossoroenses, que não se mexiam à proteção dos seus próprios interesses. Cunhou uma metáfora que simplifica tamanha pusilanimidade coletiva: "Um dia ainda vão roubar as torres da Catedral de Santa Luzia e ninguém faz nada".
Quem reage, resolve falar e encarar essa avalanche é classificado como recalcado, estabanado, louco, anarquista etc.
Com o pastor luterano alemão, Martin Niemöller (Veja AQUI), meu outro personagem, há outro modo de indignação à farsa e ao ultraje de um povo inteiro. Na primeira metade do século passado em seu país, resumiu no poema "Quando os nazistas vieram atrás dos comunistas" a sua perplexidade.
Leia Niemöller para perceber que não exagero. O texto é atualíssimo:
"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar…"
É só.
























