Por David de Medeiros Leite
Seria um parente distante do Vigário Antônio Joaquim, primeiro gestor de Mossoró, cujo busto que o homenageia, contrariando o lógico, não está localizado na praça que leva seu nome?
Teria algum parentesco com Rodolfo Fernandes, o heroico prefeito que conclamou os cidadãos da Mossoró de 1927 a se entrincheirarem, resistindo ao ataque do tenebroso Lampião à cidade?
Ou é um descendente dos Motas? Do padre Mota, prefeito “gordo e buchudo” que construiu, entre outras coisas, a “ponte velha” sobre o rio Mossoró? Ou de Motinha, que foi deputado federal e é lembrado pela vasta popularidade?
Haveria familiaridade com Duarte Filho, médico altruista que ergueu o primeiro hospital de Mossoró? Sobre o senador Duarte, há um livro biográfico: “Duarte Filho: Exemplo de Dignidade na Vida e na Política”; resultado de pesquisa que tivemos o prazer de dividir com o saudoso Lupercio Luiz de Azevedo (Ed. Sarau das letras, 2005).
Por acaso, ele teria algum laço consanguíneo com Leodécio Fernandes Neo, também médico, cuja militância política, no MDB da década de 1970, ainda não mereceu um devido resgate?
Não. O Menino não é aparentado de nenhuma das figuras citadas…
Mas, certamente estudou no Colégio Diocesano, Dom Bosco ou Colégio das Freiras… Não? Sempre estudou em escolas públicas? Andava de coletivo? E trabalhou como balconista numa loja no bairro Paraíba?
Vamos devagar com o andor: esse Menino passou num concurso público ao tempo que fazia graduação na Universidade Federal Rural do Semiárido? E lá também fez Mestrado?
Foi presidente do Sindicato de Servidores da UFERSA? Sim, porém quando ele se elegeu deputado estadual deve ter tido apoio de robusto Grupo político, não é mesmo? Suporte de alguma prefeitura… Não?
Bem, tudo, até agora, pode ser entendido ou explicado. Porém, que audácia é essa de querer ser prefeito de Mossoró?
Menino, repare bem, já ficou evidente que você não é oriundo da chamada “classe média”… “Pré-requisito” bastante observado, percebes?
“Mas, Raimundo Soares de Souza e Antônio Rodrigues de Carvalho?”, perguntará um arguto memorialista. E, cá com meus botões, acho bom que esses nomes sejam lembrados. Porém, o autor da referida pergunta deve observar os significativos apoios que ambos receberam para sentarem na cadeira de prefeito da terra de Santa Luzia.
Pois é, como todo mundo anda vidrado em redes sociais, por vezes ficamos receosos em sugerir livros. No entanto, se alguém quiser entender, do ponto de vista analítico, a história recente da política mossoroense, terá que se render à leitura do “A (Re)inveção do Lugar: os Rosados e o País de Mossoró”, autoria do professor José Lacerda Alves Felipe (Ed. Grafset , 2001).
Atentem que falamos do básico. Outros trabalhos existem, obviamente para quem pretenda aprofundamento acadêmico ou coisa que o valha.
Outra pergunta que poderá emergir: “Dix-huit Rosado foi um importante gestor? Sem dúvida. Dix-Huit era médico de formação, mas discutia aspectos econômicos com desenvoltura.
Certa vez, o senador Agenor Maria, em um debate, perguntou-lhe: “Qual seria a redenção de Mossoró?”
Resposta: “De Mossoró e do Rio Grande do Norte: aproveitamento das águas mães…” E passou a discorrer, com maestria, sobre o tema e suas derivações. A tricotomização do Rio Mossoró, no perímetro urbano da cidade, é uma obra emblemática de uma das gestões de Dix-huit, pois, estrategicamente, resolveu o recorrente problema das enchentes, vale destacar.
Voltemos ao Menino. “Ele é preparado”? Melhor reformularmos a indagação: “Alguém já assumiu o Executivo mossoroense sem ter exercido cargo eletivo anterior?” Há o caso de uma jovem médica, em 1988…
Como é? Naquela ocasião foi possível e, agora, com o Menino (que é deputado estadual) questionam? Entenderam?
Faz-se “necessário desenhar?” (expressão corriqueira do moderno papear…).
Então, avaliar o quadro político da província, sem levar em conta preconceitos e estigmas impregnados no chamado inconsciente coletivo, é bastante complicado.
O Menino aceitou o desafio. E o incômodo que isso tem gerado não é pequeno. Por outro lado, a saturação política do surrado discurso chegou ao limite.
A espontaneidade na campanha do Menino é prova concreta. E ele é consciente da responsabilidade.
Do Sitio Chafariz ao Palácio da Resistência.
David de Medeiros Leite é professor-doutor da Universidade do Estado do RN (UERN), escritor e editor literário













































