sexta-feira - 08/05/2026 - 22:54h
Ditadura militar

Relatório diz que Juscelino Kubitschek teve ‘acidente’ de morte forjado

Da CNN e Correio Braziliense

Juscelino Kubitschek foi levado por agentes do regime militar na noite da promulgação do AI 5 (Foto: Arquivo CB/D.A Press)

Juscelino Kubitschek  morreu dia 22 de agosto de 1976 num ‘acidente’ de carro (Foto: Arquivo CB/D.A Press)

A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) elaborou um relatório apontando que o ex-presidente Juscelino Kubitschek teria sido vítima de um assassinato, e não de um acidente de carro, como havia sido concluído anteriormente pela Comissão Nacional da Verdade, em 2014.

O documento foi elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão e está sendo examinado pelos conselheiros do colegiado, com votação prevista para o próximo encontro do grupo. O ex-presidente perdeu a vida no dia 22 de agosto de 1976, por ação do Regime Militar, entende a historiadora. Na narrativa, o carro em que Juscelino viajava pela Via Dutra (BR-116), entre o Rio de Janeiro e São Paulo, não sofreu um acidente. A relatora conclui que houve uma ação externa que provocou a saída do veículo da pista e a posterior colisão com uma carreta que trafegava no sentido contrário, e que ela aponta como de responsabilidade do regime à época.

Em dezembro de 2013, a Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara de São Paulo, já havia concluído que JK e seu motorista foram vítimas de uma conspiração e de um atentado político. Essa conclusão, no entanto, foi contrariada pela Comissão Nacional da Verdade no ano seguinte.

Durante o programa Hora H desta sexta-feira (8), o analista de Política Pedro Venceslau contou que conversou com o ex-vereador Gilberto Natalini, responsável por conduzir as investigações na Comissão Municipal da Verdade.

Segundo Venceslau, Natalini classificou o caso como uma conspiração e o situa no âmbito da chamada Operação Condor, com possível aval dos EUA. O ex-vereador por São Paulo afirmou que “foi feita a justiça histórica” ao se chegar a essa conclusão.

Avaliação

Segundo o Ministério dos Direitos Humanos, o estudo se encontra em processo de avaliação. O relatório é composto por 114 itens que fundamentam a tese de que a morte de JK teria sido causada por um assassinato, e não que ele tenha sido vítima de um acidente.

Entre os pontos centrais da tese, Natalini destaca o fato de que três líderes políticos — JK, Carlos Lacerda e João Goulart — morreram em circunstâncias consideradas muito misteriosas no período de um ano. Os três estavam se aproximando e se unindo com vistas a disputar o colégio eleitoral, em um momento em que os militares temiam que a articulação resultasse no fim do regime.

O relatório aponta ainda que, dez minutos após o ‘acidente’, o médico do general Golbery Couto e Silva chegou ao local, sem que se soubesse explicar a rapidez de sua chegada. Segundo Natalini, esse médico teria retirado do local pertences de JK, entre eles os diários do ex-presidente. Há também questionamentos sobre o veículo em que as vítimas estavam, que poderia ter sido sabotado.

Após o golpe de 1694, o presidente Castelo Branco cassou os direitos políticos de Juscelino Kubitschek por cerca de dez anos. Um dos motivos apontados para a perseguição contra JK seria a popularidade muito elevada do ex-presidente, que era o favorito para retornar à presidência em 1965, caso houvesse uma eleição direta.

A expectativa, agora, é de que o relatório seja votado e que a conclusão reconheça oficialmente a morte de JK, segundo a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, como resultado de uma operação com o aval dos Estados Unidos, voltada a neutralizar políticos de oposição aos regimes militares da época.

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Categoria(s): Política

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