Por Marcos Ferreira
Havia neste espaço um leitor cujo nome não me recordo mais. Sim, havia. Já não existe. Não ao menos que se manifeste de algum modo. Talvez, quem sabe, continue por aqui às ocultas, apenas conferindo o conteúdo do blogue sem dar um palpite a respeito de nada. O referido leitor, que não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente, a exemplo de outros que frequentam este espaço de opinião e cultura, acompanhava em particular a minha produção, minhas crônicas. Pois é, o homem falava que me seguia desde o tempo em que atuei em outros periódicos, sobretudo em uma revista impressa que fez muito sucesso em Mossoró e também em Natal.
Tratava-se, a julgar por seus comentários em meus escritos, de um elemento dono de um intelecto acima da média. Isso, obviamente, me deixava um tanto vaidoso. Porque leitor é sempre uma categoria nobre e arisca, uma classe difícil de se cativar com qualquer meia dúzia de parágrafos. Esse, entretanto, deixou logo às claras que não perdia nenhum dos meus textos dominicais.
Comentava, entretanto, que tinha saudade do tempo em que eu, como um selvagem da escrita norte-rio-grandense, escrevia com o ímpeto de uma fera indomável e raivosa. É isso, o senhor Nelson Peixoto, vamos chamá-lo assim, volta e meia me açulava a retomar aquele estilo incivil que só me rendeu muitos desafetos e portas na cara. Naquela época, quando dos meus vinte e poucos anos, é verdade que minha parcela de leitores na dita revista era invejável. Eu me destacava no espaço do veículo destinado a publicar a opinião dos leitores.
A classe das mulheres e dos homens públicos, entenda-se os políticos, sofria um bocado com o meu verbo causticante. No mais das vezes, quando o chumbo era de grosso calibre, eu me escondia por trás de pseudônimos. Nunca fui molestado pelos engravatados, entretanto a revista ganhou alguns processos movidos por gente de poder e destaque no olimpo dos morubixabas e mandachuvas.
Hoje não faço mais isso. Sou agora uma espécie de Tereza Batista cansada de guerra, como na obra de Jorge Amado. Exceto pela adrenalina e aplauso de certo número de leitores, o fato é que não ganhei nada com aquele estilo metralhadora giratória. Não demorou para que os meus alvos ambulantes descobrissem que eu estava me escondendo nos criptônimos. Aí fui convidado a sair de pelo menos dois subempregos que ocupei neste País de Mossoró, suposta terra da liberdade.
A própria revista, sob forte pressão e influenciada por um marqueteiro da família Machado, também me apontou a porta da rua. Ou seja, terminei sozinho, fodido e mal pago. Atualmente, portanto, busco apenas sossego, e vou assim cultivando o estilo paz e amor. Por essas e por outras é que não embarquei na dica do entusiasmado Nelson Peixoto.
É isto. Depus as armas. Aposentei o trabuco e o soco-inglês da minha literatura camicase. Não tenho mais idade nem ânimo para aquela pancadaria toda. Sigo hoje no lirismo e na política da boa vizinhança. Ao prezado senhor Nelson Peixoto, acaso tenha acesso a este relato pacífico, peço desculpas por eu ter me reconciliado com esta cidade e deixado em paz os seus habitantes poderosos.
Marcos Ferreira é escritor
























Há lutas, meu querido amigo, que não valem a pena. Melhor cultivar paz na alma. A maturidade traz esse ensinamento.
Um abraço. Fique com Deus. Em paz.
Caro Odemirton Filho,
Muito obrigado por suas palavras. Sua fleuma, cordialidade e equilíbrio representam uma inspiração para mim. Um ótimo domingo para você e os seus.
Forte abraço.
Feliz dias dos pais, querido poeta…
Reza um velho ditado, quem quer a paz tem que se preparar para a guerra… Como bem dissestes esse tempo passou!
É hora de cultivar a paz e colher os frutos da longa estrada percorrida. E como diria PAGODINHO, deixa a vida nos levar!!!!!
Prezado poeta Francisco Nolasco,
Suas palavras sempre me dão o que refletir.
Obrigado por sua leitura e opinião.
Forte abraço.
Bom dia!
Na vida passamos por conjunturas, mais juventude é um barril de pólvora, faz parte, agora com novos atores a internet, vc tinha que mudar para fora do país kkkkkkkkkkkk
Caro Francisco Amaral Campina,
Grato por suas ponderações pertinentes. De fato nosso caminho é feito de uma determinada quantidade de conjunturas. Isso nos prepara para a maturidade.
Abraços.
O texto é uma poderosa arma. Nos proporciona a paz e guerra. A escrita nos deixa despidos e explora a nossa alma, sem pedir licença! Ela pode nos libertar, mas também nos prender em cataclisma de desejos. Mas não vamos desistir da cultura das letras e do representa.
Prezado amigo e escritor Mário Gaudêncio,
Muito obrigado por seu comentário rico em reflexões e equilíbrio. Uma semana de muita saúde e paz para você e sua família.
Abraço!
Meu estimado Xará!
Faz parte da história da nossa juventude.
Quando jovem, tive minha porção “Seabiscuit”.
“Seabiscuit” era um cavalo que dava coices em tudo, até ser treinado, domado e se tornar campeão. Tem um filme relatando essa biografia.
Você é campeão! Antes, a teimosia dominava a mim e a você, além de outros jovens idealistas imberbes. Ensarilhamos “nossas armas”…
E, o seu estilo “selvagem” agradava apenas aos instigadores.
Sua escrita soft é lida por todos!
Abração enorme!
Querido xará Marcos Araújo,
Você é um presente e um farol na minha vida. É uma dádiva poder contar com sua amizade e carinho. O tempo é um professor muito sábio e a gente vai tomando jeito e aprendendo com ele a viver melhor. Saúde e paz para você e os seus.
Forte abraço.
É através das instigantes e inspiradoras Crônicas dos meus queridos Xarás que encontro paradigmas e paradoxos fleumáticos para driblar a minha merencoria missão existencial. Nada de crise existencial. Sou, “apenasmente”, uma explosiva mistura do Tim Maia, do Raulzito e do Antonio Marcos. Cada um entoando melodias e sinfonias em minha alma buliçosa e revoltada – Sigo . Tamo junto .
Prezado Marcos Pinto,
O trio por você exposto é pura nitroglicerina. Grato pela atenção e feedback. Desejo uma semana abençoada para você, muita saúde e paz hoje e sempre.
Forte abraço.
Já li algumas crônicas suas mais selvagens. O inconveniente é que estamos num tempo muito violento; as pessoas brigam e matam por motivos fúteis. E a vaidade, quando atacada, chega a ser uma arma perigosa. Lembro de um chefe no trabalho, que pedia para que eu amaciasse o texto; às vezes, eu era muito direta. Ele dizia: diga a mesma coisa, amaciando. Sentia dificuldade em cumprir a orientação; uma cobrança, é uma cobrança! Mas depois fui aprendendo a amaciar meus textos. No caso das suas escritas selvagens, elas podem desencadear reações agressivas! Seguindo o pensamento de Odemirton, melhor a paz! Contudo, escritor não precisa ter medo de escrever! Faça como melhor achar, eu estarei sempre lendo e apoiando! Abraço!
Querida amiga Bernadete Lino,
Sou fã de seu texto amaciado e, quem sabe, aveludado. Suas palavras têm sempre uma têmpera conciliadora e igualmente enérgica quando necessário. Aproveito a ocasião para lhe parabenizar, embora com atraso, por seu aniversário transcorrido no dia 7 deste mês de agosto. Desejo a você, com toda a força do meu coração, muita saúde acima de tudo e muitos outros aniversários cheios de felicidades. Uma semana abençoada para você e sua família.
Beijos.
Para nós, pobres mortais, latino-americano sem amigos importantes ou dinheiro no banco,
fica difícil lutar contra um sistema controlado pelos poderosos. Neste sentido, nossa luta é sempre Quixotesca.
Valeu meu caro!