domingo - 17/05/2026 - 07:40h

Sociedade do cansaço

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

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A vida sempre nos obrigou a travar uma luta constante. Na contemporaneidade, a multiplicidade de informações na internet e a exposição da vida privada nas redes sociais exercem uma enorme pressão no cotidiano. Em um livro que tem o título deste texto, o autor Byung-Chul Han, filósofo e ensaísta sul-coreano, descreve com propriedade sobre alguns aspectos do mundo atual.

Referida obra trata sobre alguns temas, como a Violência Neuronal, Além da Sociedade Disciplinar, o Tédio Profundo, Vita Activa e a Pedagogia do Ver.

No capítulo sobre a Violência Neuronal, o autor aborda como o excesso de positividade tem afetado, sobremaneira, a cidadão moderno. A busca incessante por desempenho e sucesso, deixa o homem atual vivendo sob enorme pressão. Não é fácil conciliar o dia a dia de nossas vidas, diante de tantos problemas que temos que enfrentar, com a imperiosa exigência de uma produtividade cada vez maior, o que tem ocasionado casos de depressão e síndrome de Burnout, por exemplo.

Noutro capítulo, denominado Além da Sociedade Disciplinar, comenta-se sobre a sociedade de desempenho, a qual substituiu a sociedade disciplinar, anteriormente batizada por Michel Foucault. Se antes a coercitividade era a característica indelével da sociedade disciplinar, na atual sociedade de desempenho é o próprio ser humano que se cobra internamente, com o escopo de performar, buscando excelência naquilo que se propõe a fazer.

Abordando o Tédio Profundo, o autor analisa a necessidade de o homem “colocar o pé no freio”, na busca do seu eu. O tédio seria o momento de procurar refletir o caminho a ser seguido, pois novas ideias somente surgem quando paramos a correria da vida para poder redimensionar as nossas ações.

No tocante à abordagem sobre a Vita Activa (vida ativa), termo usado pela filósofa Hannah Arendt, o autor enfatiza como o homem atual está sempre ativo, em constante movimento, tendo como objetivo conseguir mais e mais produtividade, deixando de lado o criativo, pois, como não consegue diminuir o ritmo de sua vida, não encontra tempo para refletir e engendrar coisas novas.

Por fim, no capítulo que trata da Pedagogia do Ver, Byung-Chul Han afirma que o homem moderno perdeu a sua capacidade de contemplação, uma vez que vive numa correria em busca de desempenho, tornando-se hiperativo e superficial.

Eis, de forma sucinta, alguns pontos abordados no referido livro. Concorde-se ou não com o pensamento do autor é, sem dúvida, um texto que nos leva a refletir sobre os dias atuais.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica

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