sexta-feira - 07/11/2025 - 07:00h
27 de Novembro

Leilão do TRT-RN terá sede do Potiguar de Mossoró à disposição

Prédio do Potiguar de Mossoró tem alto valor em leilão (Foto: Marcos Garcia /2019 arquivo)

Prédio da ACDP foi sede social e administrativa do Potiguar por várias décadas (Foto: Marcos Garcia /2019 arquivo)

A sede da Associação Cultural Desportiva Potiguar (ACDP), em Mossoró, que conta com 5.493,11 m², onde há ginásio, quadra de esportes, sobreloja e salas anexas, vai à leilão. O valor de avaliação é de R$ 7.430.000,00.

O leilão será promovido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (RN) já tem data marcada para acontecer: 27 de  novembro. O edital foi publicado e a hasta pública será realizada na modalidade híbrida (presencial e online), no Depósito Judicial do TRT-RN, localizado na Rua Dr. Nilo Bezerra Ramalho, nº 1790, bairro de Tirol, em Natal, a partir das 9h.

O certame será presidido pela juíza do trabalho Stella Paiva de Autran Nunes, em exercício na Central de Apoio à Execução (Caex), e  as pessoas que desejarem participar devem aderir às regras constantes no site do leiloeiro (clique aqui) e no Provimento TRT/CR nº. 03/97 (clique aqui).

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domingo - 02/03/2025 - 12:38h

Hoje é Carnaval

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa

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Na minha juventude eu gostava de brincar o carnaval. Era tempo de viver a vida sem qualquer preocupação, a não ser os estudos. A adolescência, creio, brinda-nos com os melhores momentos de nossas vidas.

Eu brincava o carnaval lá no clube Creda, em Tibau. Os meus pais compravam as senhas para que pudesse curtir os quatro dias; “compravam a mesa”, como se dizia.

No finalzinho dos anos oitenta, ainda se tocavam as marchinhas de carnaval, porém, o axé começava a despontar como ritmo a animar os foliões.

Lembro que quando tinha uns dez ou doze anos, os meus pais me levaram para um baile de carnaval na ACDP, no início dos anos oitenta. Acredito que foi um dos últimos bailes realizado no clube. Sentia um cheiro de perfume no ar, nem sabia o que era, e, sentado à mesa, tomava guaraná Antarctica. Meus pais, juntamente com amigos, divertiam-se pra valer.

Bandeirinha, um amigo de meu pai, gostava de cantar (desculpe o trocadilho), “bandeira branca, amor… Ele pensava que cachaça era água, mas cachaça não é água não ….

Tio Espínola (de saudosa memória) e tia Adna chegavam mais cedo lá em casa, na rua Tiradentes, e tomavam umas pra carregar as baterias, antes de irem para o clube com os meus genitores.

Disse meu pai que os carnavais no clube Ypiranga e da ACDP eram maravilhosos. À época, era comum os famosos “assaltos” nas casas de algumas pessoas, e os anfitriões serviam comida e bebida à vontade aos presentes.

O saudoso colaborador deste Blog, Paulo Menezes, também escreveu sobre os carnavais de outrora. Segundo ele, “os blocos de salão mais famosos da época eram: Hi-fi, Sky e Os vips. A recepção era com muita bebida e salgadinhos de finos paladares. Não faltava também o “Lança-perfume Rodouro”, aromatizando o ambiente e embriagando-nos ao tempo que nos transportava para um mundo de sonhos e fantasias”.

Era o tempo das marchinhas de carnaval. Aliás, “ô abre alas, que eu quero, eu sou da Lira, não posso negar, Rosa de Ouro é que vai ganhar…” foi a primeira, de autoria de Chiquinha Gonzaga, em 1899.

Ao lado de amigos, eu passava o dia na praia. Às vezes, quando o dinheiro acabava, e não dava pra comprar cervejas, deixávamos no “prego”, pois o dono da barraca era nosso “chegado”. “As águas vão rolar, garrafa cheia eu não quero ver sobrar, eu passo a mão, na saca, saca rolha, e bebo até me afogar”.

À noite era no clube Creda. A turma jovem lotava o espaço, e todos eram nossos conhecidos. Eram quatro noites de folia. Somente tempos depois o clube Álibi foi inaugurado.

Quando o carnaval da cidade de Aracati começou a ganhar fama, eu e alguns amigos, acompanhados por nossas namoradas, íamos até lá, numa das inúmeras aventuras da adolescência. “Chegou à turma do funil, todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto…

Hoje, entretanto, a história é outra. A maturidade já não me anima a brincar o carnaval; curto os dias de momo ao lado da minha família, escutando músicas do meu gosto, acompanhado de umas boas doses, é claro, porque ninguém é de ferro.

Leia também: Um Carnaval que não será igual ao que passou (Paulo Menezes, 14/02/2021)

Enfim, peço desculpas por trazer à baila essas reminiscências, mas “eu quero matar a saudade (…) não me leve a mal, hoje é carnaval …

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica
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quinta-feira - 23/11/2023 - 09:40h
Marca

Potiguar reabre sua loja neste sábado em Mossoró

Potiguar Store reabertura de loja do alvirrubro - 25-11-2023A Associação Cultural e Desportiva Potiguar (ACDP) fará reabertura da Potiguar Store, neste sábado (25), às 8h.

A loja com artigos diversos da marca, voltada para torcedores e simpatizantes, fica localizada no térreo do Estação Shopping, à Avenida Alberto Maranhão, 2189, Centro, em Mossoró.

O clube prepara-se para a temporada 2024, que promete ser uma das mais promissoras dos últimos anos, pois dá sequência à organização e desempenho deste ano, com competições que mantiveram clube em competições até em nível regional e nacional.

Para 2024, o alvirrubro terá o Estadual, Pré-Copa do Nordeste e Série D do Brasileirão em sua agenda.

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Categoria(s): Esporte
sábado - 11/02/2023 - 17:32h
Aniversário

Parabéns, Potiguar!

Este sábado (11) é dia de aniversário.Potiguar de Mossoró - 78 anos

Quem completa idade nova é a Associação Cultural e Desportiva Potiguar (ACDP), o Potiguar de Mossoró.

Foi fundado no dia 11 de fevereiro de 1945, na fusão da Sociedade Desportiva Mossoró e o Esporte Clube Mossoró.

São 78 anos de história do alvirrubro.

O único clube do interior do RN a conquistar dois títulos estaduais e também único a participar da Série A do Campeonato Brasileiro de Futebol.

Em suas história, homenagem particular que faço ao eterno presidente Manoel Barreto (in memoriam). Lembranças de Maranhão (In memoriam), Odilon, Ananias, Canindezinho, Júnior Xavier, Cícero Ramalho e tantos outros que vestiram o vermelho e branco.

Salve, Potiguar!

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sábado - 18/09/2021 - 08:28h
Alvirrubro

Potiguar mostra como ficará o seu Centro de Treinamento

Por Marcelo Diaz (Do site Potiguar)

Nova casa da Nação Alvirrubra, o Centro de Treinamento, representa o futuro da Associação Cultural e Desportiva Potiguar (ACDP). O Centro de Treinamento (CT) alvirrubro será construído em uma área de 2 (dois) hectares e fica localizada próximo a Av. Jerônimo Dix-Neuf Rosado (Leste-Oeste), a poucos quilômetros do Centro de Mossoró.

Desde essa sexta-feira (17) – veja AQUI, o site oficial do Potiguar passou a publicar material relativo ao CT. A divulgação garante que será o melhor CT do interior do estado do Rio Grande do Norte.

Para abrir a série de informações sobre o nosso CT, nada melhor que mostrar ao nosso torcedor, através de vídeos e fotos, o lugar que será ocupado pela família alvirrubra.

Etapas

“Esperamos, de forma efetiva, entregar o novo Centro de Treinamento muito em breve. Hoje nós temos a área para o CT e o projeto de apresentação. Estamos buscando todos os dias os recursos para iniciarmos as obras. É um sonho que será realidade, onde o torcedor ficará orgulhoso. Vamos executar as obras por etapas e esperamos entregar o CT finalizado dentro de um prazo de 24 meses”, contou Djalma Freire Júnior, presidente do Potiguar.

“O nosso primeiro objetivo é entregar o CT murado e com o campo principal para treinamento das equipes profissionais e, também, das categorias de base. Em seguida, os alojamentos e refeitórios. Adiante, nosso planejamento será a construção do segundo campo, seguido das demais áreas do projeto, como as salas de departamentos administrativo, financeiro, médico e comunicação”, concluiu.

Leia também: Potiguar anuncia construção do seu Centro de Treinamento.

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Categoria(s): Esporte
sexta-feira - 17/09/2021 - 14:40h
On-line

TRT leiloará diversos bens penhorados; sede do Potiguar é incluída

O Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN) realiza na próxima quarta-feira, 22 de setembro, a partir das 10h, seu 3º leilão on-line de bens penhorados pelas Varas do Trabalho de Natal e do interior do estado, para pagamento de dívidas trabalhistas.

Prédio do Potiguar de Mossoró tem alto valor em leilão (Foto: Marcos Garcia /2019 arquivo)

Prédio do Potiguar de Mossoró tem alto valor em leilão (Foto: Marcos Garcia /2019 arquivo)

Ao todo serão leiloados 46 lotes de bens imóveis (casas e apartamentos, prédios comerciais e terrenos), veículos motorizados (carros, motos, jet-sky, ônibus e caminhões), equipamentos industriais, eletrodomésticos e até um barco com timoneiro (iole) do Sport Club de Natal, penhorado pela 13ª Vara do Trabalho de Natal.

Outro destaque do leilão é um terreno com área de 5.493,11m², destinada à construção, no centro de Mossoró, ao lado da ponte Jerônimo Rosado, área social da Associação Cultural e Desportiva Potiguar (ACDP). O lote está avaliado em R$ 5.703.801,62.

Para conhecer detalhes sobre os bens que serão leiloados, fazer a inscrição e apresentar lances ao leilão (antes e durante), é preciso realizar um cadastro prévio no site: //www.lancecertoleiloes.com.br/leilao/220921TRT1.

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domingo - 02/05/2021 - 09:46h

De pai para filho

Pai e filhoPor Paulo Menezes

Parece que foi ontem. E já se passaram 50 anos. Era o mês de junho de 1970.

Pelé, encantava o mundo em Guadalajara e na Cidade do México, com seu futebol majestoso disputando e vencendo a Copa do Mundo, que o consagraria definitivamente em todo o planeta terra.

Nossa televisão, ainda em preto e branco, trazia para assistir aos jogos e torcer conosco, nosso vizinho, meu querido e saudoso pai Antônio Menezes (Tota).

Estávamos à sua espera há oito meses. Após o resultado triunfal da Copa, a vida seguia sua trajetória incessante e com ela a grande e ansiosa expectativa para o nascimento do primogênito.

Dia primeiro de agosto, houve uma grande festa no clube social, Associação Cultural e Desportiva Potiguar (ACDP), tendo como principal atração a presença do caboclinho querido do Brasil, Sílvio Caldas. Dançamos, eu e sua mãe (Simone), praticamente a noite toda, madrugada adentro. A farra, com certeza, antecipou o parto, pois você nasceu no dia seguinte, 02 de agosto de 1970.

O tempo passava rápido.

O primeiro choro, os primeiros passos, as primeiras palavras, a alfabetização no Colégio Dom Bosco, depois  o  ginásio no Colégio Diocesano Santa Luzia, sequenciando com a conclusão do segundo grau no Colégio Marista em Natal. Partiu para a capital, com 13 anos. Uma criança!

Em Mossoró, sentíamos muito sua falta e uma imensa saudade. Naquele tempo,  Natal era “distante”.  Lembramos das transferências constantes de numerário para as xerox do material escolar. Na verdade, depois viríamos a saber que parte da mesada para as cópias, servia também para, em finais de semana, tomar umas cervejas com amigos, no bar “O Chefão”.

Chegou o grande dia do vestibular. Recordamos sua saída do Cefet, balançando a cabeça, mordendo a caneta BIC, descontraído e dizendo:

– Tudo bem.

O resultado, saiu quando estávamos na varanda da casa de veraneio da família, em Tibau. A esperança era grande. Você encostado numa coluna do alpendre, garrafa de cerveja na mão e o grito de vitória quando o locutor leu seu nome! Os abraços pela conquista. Um sonho realizado. A velocidade do tempo é relativa.

Testemunhamos o dia da graduação em engenharia elétrica. Orgulho para toda a família. A vida prosseguia seu curso permanente. Sua primeira atividade empresarial. Seu primeiro emprego. A transferência para Natal e o coroamento de sua vida profissional, incluindo no seu currículo, a aprovação num concorrido concurso público.

Antes um pouco, tornou-se senhor ao escolher para companheira, nossa querida nora Karine. Chegaram os filhos com açúcar. Os netos que nos tornaram novamente pais com uma responsabilidade menor. Por isso são doces.

Enfim, após resgatar tantas lembranças boas armazenadas na memória amiga e como nossos filhos “nunca envelhecem”, só resta agradecer ao Divino Mestre, e pedir que continue protegendo “meu menino” de 50 anos para os embates da vida.

É para você, Sílvio Walério. Meu filho.

Paulo Menezes é meliponicultor e cronista

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Categoria(s): Crônica
domingo - 07/06/2020 - 09:50h

A ausência de Odilon Ribeiro Coutinho

Por David de Medeiros Leite

A campanha “Diretas Já” mobilizou o país nos primeiros meses de 1984, exigindo que o Congresso aprovasse a emenda constitucional que instituía eleição direta para o sucessor do presidente João Figueiredo. As praças foram tomadas por comícios gigantescos. Além de políticos, havia participação de cantores.

Em Natal, por exemplo, lembro-me da presença de Chico Buarque e de Fafá de Belém.

Coutinho: oratória com vigor (Foto: arquivo)

Geraldo Melo, dirigente do PMDB e coordenador estadual do movimento, recebeu a caravana em festivo almoço. Em um de seus terraços, Odilon Ribeiro Coutinho (1923 – 2000), sustentando sua indefectível dose de uísque, ouvia atentamente um antigo correligionário do interior potiguar, quando é surpreendido pela voz inconfundível de Fafá de Belém:

— Onde está Odilon Ribeiro Coutinho? Preciso falar com ele…

Odilon bate no ombro de seu interlocutor e dispara:

— Meu amigo, em qualquer situação, as mulheres merecem primazia. Portanto, nosso papo ficará para outra oportunidade, pois, agora, darei atenção a esta simpaticíssima artista.

O velho sertanejo arremata de forma bem-humorada:

— O senhor tá coberto de razão… faria o mesmo em seu lugar.

Em verdade, Fafá de Belém desejava falar com Odilon acerca de Teotônio Vilela (1917 – 1983). Odilon e Teotônio foram amigos e isso interessava a Fafá, que gravara a música “Menestrel das Alagoas”, composição de Milton Nascimento e Fernando Brant, que se transformaria, assim como “Coração de estudante”, em hinos daquele movimento Diretas Já.

Há de se registrar que Odilon e Teotônio, em que pese a amizade, durante boa parte do Regime Militar estiveram em campos opostos. Em 1964, Odilon estava no exercício do mandato de deputado federal, pelo Rio Grande do Norte, e Teotônio Vilela era vice-governador de Alagoas. Odilon se posiciona contra o golpe, filiando-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e Teotônio filia-se a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), agremiações partidárias que surgem no bipartidarismo de 1965.

Teotônio Vilela se elege senador em 1966 e é reeleito em 1974. Nesse segundo mandato, o alagoano desfraldou a bandeira da redemocratização, colocando-se como porta-voz do processo de distensão e assumindo a posição de “oposicionista da ARENA”.

Além de assumir posições pró-democratização, buscou contatos com personalidades e instituições para elaborar um Projeto de institucionalização política para o Brasil. Em abril de 1978, apresentou no Senado o que ficou conhecido como o Projeto Brasil, com inclusão de diversas propostas liberalizantes. No mês seguinte, aderiu à Frente Nacional pela Redemocratização.

A Frente queria a candidatura do general Euler Bentes Monteiro, à presidência, e do senador emedebista Paulo Brossard para a vice-presidência da República, buscando agrupar, além do MDB, militares descontentes e políticos dissidentes da Arena.

Teotônio filiou-se ao MDB no dia 25 de abril de 1979 e, em meados de junho, já  compondo a bancada oposicionista, fez duras críticas ao governo provocando a retirada geral dos parlamentares da ARENA do plenário do Senado. Teotônio Vilela também ficou conhecido como batalhador incansável pela anistia geral.

De outra parte, particularmente, conhecia Odilon Ribeiro Coutinho da campanha eleitoral de 1982. Vivíamos ainda sob o regime militar, ele, candidato ao Senado, e eu, na euforia dos meus dezessete anos, fazendo parte de um grupo estudantil que integrava aquela campanha.

Em reuniões com a militância, a postura de Odilon destoava das outras lideranças. Ouvia-nos com atenção. Dava importância e entendia as exaltadas intervenções juvenis que afloravam.

Teotônio defendeu mudança de rumo (Foto: arquivo)

Além da sólida formação humanista, o tratamento por ele dispensado também estava calcado em sua própria história de vida, pois fora presidente da União dos Estudantes de Pernambuco e, como acadêmico da Faculdade de Direito do Recife, teve intensa participação na luta contra o Estado Novo, sendo preso várias vezes por contestar o então regime antidemocrático.

Dessa campanha de 82, tenho guardado, na memória e retina, um emblemático episódio que, pelo viés cinematográfico, serviria como uma luva para ilustrar um documentário ou um filme acerca de Odilon. Naquela noite, o candidato ao governo pelo Partido Democrático Social (PDS) (sucedâneo da ARENA) – José Agripino Maia – tinha um jantar com empresários mossoroenses, na então chique e suntuosa Associação Cultural e Desportiva Potiguar (ACDP).

A coordenação de campanha do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) programou uma passeata, com parada estratégica justamente na subida da “Ponte Velha”. Quem conhece a geografia urbana de Mossoró sabe que, pelas posições referidas, as mobilizações ficariam separadas tão somente pelo leito do rio (ainda não poluído, diga-se de passagem). Odilon foi o orador escolhido, do lado oposicionista.

Imaginem a peça de oratória que emergiu daquele improviso.

Foi construído, de forma impecável, um paralelo entre os dois cenários. Com uma “ira santa”, gesticulava e mostrava a disparidade existente entre aqueles que estavam a se banquetear com alguns escolhidos, em contraponto com a sua corrente política, a valorizar o contato com o povo e, com esse povo, caminhava pelas ruas. Intercalando sua fala com metáforas arrebatadoras, a certa altura, vaticinou:

— Ai de ti, “Nabucodonosor”, porque os seus dias de império estão contados.

Outros tantos pronunciamentos memoráveis são lembrados na trajetória de Odilon. Um, sempre citado por quem teve a oportunidade de ouvi-lo, foi o da histórica convenção do MDB, em 1978, quando Odilon se insurgiu contra o acordo arquitetado para que o partido apoiasse o candidato ao Senado pela Arena.

O escritor Jurandy Navarro, em uma antologia de “Oradores do Rio Grande do Norte”, resgata outros dois importantes discursos de Odilon, ambos pronunciados na Câmara dos Deputados, quando exerceu o mandato de deputado federal entre 1962 a 1966.

Em um dos discursos, datado de novembro de 1964, Odilon registra a passagem dos cinquenta anos da morte do poeta Augusto dos Anjos e, a certa altura, assim o define: “Eis aí um homem que, exercitando a poesia, dilatou a linha da morte até a ilimitação da eternidade. Para quem a vida, através do ato da criação poética, não foi senão uma forma de iludir a morte”.

E no outro, datado de 1965, intitulado “Em defesa do legislativo, da democracia e das liberdades constitucionais”, Odilon inicia sua fala citando Miguel de Unamuno, dizendo que este grande pensador, poeta e filósofo espanhol convidado a comparecer a uma agitada reunião sindical, em meio à confusão e ao tumulto, quando lhe deram a palavra começou a declamar versos. E ele, Odilon, numa analogia ao grave momento brasileiro, devido a recém instalada ditadura militar, anuncia: “Pois eu que não faço versos e quando os faço são pífios e mofinos que não ouso chamá-los de poesia, me permito agora fazer algumas considerações que pretendo calmantes para amenizar o melancólico episódio que estamos vivendo”. E prossegue no seu belíssimo e contundente libelo em defesa da democracia.

Em 1986, Odilon foi candidato a deputado federal, porém não obteve sucesso. Registre-se que ele fora escolhido para participar de uma “Comissão Provisória de Estudos Constitucionais”, também conhecida por “Comissão Affonso Arinos”, que concebeu um anteprojeto que serviria de parâmetro para a própria Constituinte.

Bem, estive com Odilon, após as eleições, e, lamentando o resultado, confidenciei-lhe que, para mim, era custoso entender por que o Rio Grande do Norte, em termos eleitorais, era sempre injusto com ele. Odilon aumentou o sorriso, apertando os olhos miúdos, me abraçou, disparando magistralmente:

— Injusto, não. Digamos, apenas, equivocado.

Já disse em crônica, que consta do nosso livro Cartas de Salamanca, mas repito: saudades de Odilon.

Saudades de sua oratória potente em defesa das instituições democráticas. De seu exemplo. De sua postura digna. Pessoas como Odilon deixam lacunas imensas e fazem muita falta neste mundo de iniquidades.

David de Medeiros Leite é é professor da UERN e Doutor pela Universidade de Salamanca – Espanha

Leia também: Agenor Maria x Djalma Marinho – duelo histórico ao Senado.

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Categoria(s): Artigo / Política
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sábado - 15/12/2018 - 22:28h
Estadual 2019

Potiguar realiza Fan Fest neste domingo em Mossoró

Preparando-se para o Campeonato Estadual 2019 da Primeira Divisão do futebol do Rio Grande do Norte, o Potiguar de Mossoró realizará o evento denominado de “Potiguar Fan Fest”.

Será nesse domingo (16), a partir das 11h.

Acontecerá no Requint Buffet no bairro Nova Betânia, com música ao vivo.

O clube apresentará os primeiros contratados para o elenco 2019, a nova camisa vermelha-padrão para temporada e promoverá uma série de atividades para envolvimento do torcedor.

Acompanhe o Potiguar em seu site clicando AQUI.

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Categoria(s): Esporte
domingo - 11/02/2018 - 03:28h

Saudade do Carnaval de outrora

Por Odemirton Filho

Quem viveu à época dos bailes do Clube Ypiranga e da Associação Cultural e  Desportiva Potiguar (ACDP) diz que não havia carnaval melhor. Quem brincou ao som de trio elétrico ou dançou ao som do frevo afirma que não há festa mais animada.

O carnaval é cultura popular. Cada um carrega na alma o seu carnaval saudade.  Na maioria das cidades, em tempos idos, o carnaval era realizado nos clubes. Era ali que a sociedade se fantasiava e brincava os quatro dias de momo.

Com o passar do tempo, o carnaval saiu dos clubes e migrou às ruas, com o desfile de escolas de samba e, mais recentemente, trios elétricos a puxar blocos com centenas de foliões. Atualmente, o axé da Bahia e o frevo de Pernambuco ainda dominam os grandes carnavais do país.

Chico Márcio e Valdecir Matias: disputa do Rei Momo (Foto: web)

A beleza dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo são tradicionais e atraem turistas do mundo inteiro.

Mas, o que quero falar é sobre aquele carnaval que cada um guarda, com especial carinho, na memória e no coração. Seja em um clube, nas ruas, em blocos ou em casa. Para quem gosta de celebrar essa festa há sempre uma lembrança que marcou a alma.

Na Mossoró do passado existia o chamado “corso”, na praça do Pax, onde nas tardes do carnaval havia o desfile de carros e foliões, circulando pelo centro da cidade. Era comum a tradicional “guerra” de lança-perfume.

Não cheguei a vivenciar os carnavais dos clubes de Mossoró. Segundo dizem, os blocos disputavam quais eram as fantasias mais bonitas e o mais animado.

Cristina dos pimpões e “Maria espaia brasa” não podem ser esquecidos da geografia carnavalesca de Mossoró.

Em mim, guardo o carnaval do clube Creda em Tibau. A juventude inflava esse momento com especial alegria, cercados de amigos. Durante o dia curtíamos a praia. À noite o frevo era no clube.

Nos idos de 1990 a cidade de Aracati/CE despontou com um ótimo carnaval, bons momentos foram vivenciados.

Hoje, em parte do país, as tradicionais marchinhas de carnaval e o frevo foram substituídos pelo carnaval “sertanejo”, embalado, ainda, pelo ritmo do forró. Acho estranho, mas não existe carnaval melhor ou pior.  Há o meu, o seu carnaval.

Por fim, milhares de pessoas aproveitam esse momento para viajar, descansar e participar de retiro espiritual.

Não importa. Aproveite o carnaval à sua maneira.  Em paz.

Odemirton Filho é professor e oficial de Justiça

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Categoria(s): Crônica
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