domingo - 18/01/2026 - 08:38h

Uma formação meio brasileira

Por Marcelo Alves

Joaquim Nabuco (Reprodução: Web)

Joaquim Nabuco (Reprodução: Web)

Dia desses, conversamos aqui sobre o “romance de formação”, gênero literário de origem germânica, cujo enredo gira em torno da evolução moral e psicológica de um protagonista desde a sua juventude até a idade adulta. Designado pela expressão alemã “bildungsroman”, ele tem em “Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister”, de Goethe, o seu marco referencial, com enorme influência sobre a subsequente literatura ficcional no estilo.

Hoje conversaremos sobre uma “formação brasileira” que, embora não seja um romance na precisão técnica do termo, pode ser degustada, pela maravilha do estilo, como tal: “Minha Formação” (1900), de Joaquim Nabuco (1849-1910).

Pernambucano de nascença, Nabuco foi um dos mais ilustres filhos do Brasil. Político e grande orador, jurista (iniciando os estudos em São Paulo, mas terminando no Recife), diplomata, historiador e jornalista, poeta e memorialista. Como político, ao lado de Rui Barbosa, lutou a favor da liberdade religiosa e pela separação entre Estado e religião. Como jurista, defendeu a interpretação mutável e progressiva da Constituição e advogou para o Brasil na (malograda) querela com a Inglaterra acerca dos limites da Guiana.

Foi um homem que, nascido em família escravocrata (era filho e neto de vultos políticos do Império), tornou-se grande abolicionista, advogado de escravos, em luta que abraçou por quase toda a vida. Autor de belíssimas obras – “O Abolicionismo” (1883), “Um Estadista do Império” (1897-1899), “Pensées détachées et souvenirs” (1906) e “Diários” (inéditos até 2005), entre outros –, Nabuco foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e grande amigo de Machado de Assis.

Li “Minha Formação” uma primeira vez, ainda muito jovem, por sugestão do meu pai. Era uma edição já antiga, de 1970, da W. M. Jackson Inc. editores. E ali estava o Nabuco que evocava, com insuperável beleza e emoção, sua terra (Pernambuco), suas origens e a “Massangana” de sua infância. Mas que também falava, com igual beleza, de sua formação em Paris, Londres, Nova York, Washington e no Vaticano. Era o Nabuco multifacetado, mas que, como disse a filha Carolina Nabuco no prefácio dessa edição, foi “um exemplo de equilíbrio feliz. (…) em cada uma das brilhantes facetas da sua personalidade e da sua inteligência, harmonioso consigo mesmo e com o meio”. Me encantou…

Nestes dias de verão em Pirangi/RN, estou relendo “Minha Formação”, desta feita numa edição de 2004 da Editora Itatiaia, que adquiri baratinho (10 reais) numa dessas felizes promoções da vida. Mais maduro, confirmo a excelência das memórias/autobiografia do “primeiro homem público brasileiro a descobrir-se [embora não totalmente, para proveito dos seus biógrafos] com a própria mão de grande escritor”, uma “autobiografia tão psicológica como sociologicamente valiosa, além de notável pela sua qualidade literária. Uma das expressões mais altas da literatura em língua portuguesa”, como disse no prefácio o não menos notável e pernambucano Gilberto Freyre.

De toda sorte, retrospectivamente analisando, para mim, o que há de mais especial em “Minha Formação” será mesmo a sua “pluralidade”. A humanidade do livro espelha a vida de um dos homens mais completos de nossa terra – e aqui falo de Pernambuco, do Nordeste, do Brasil. É a apresentação de uma alma, de um ambiente, de uma sociedade, de uma civilização, a brasileira. Como dito na apresentação da Editora Itatiaia, “algumas das qualidades mestras da alma brasileira, a bondade, a delicadeza, a doçura, a tolerância, a simpatia humana, a afabilidade, tudo se encontra nas suas páginas inesquecíveis”.

Todavia, ele é também um livro marcadamente cosmopolita. Indo até “Paris, Londres, Nova York, Washington e no Vaticano”. Viajando, no tempo e no espaço, e aprendendo/ensinando, dos engenhos da outrora civilização da cana-de-açúcar às coisas da Zoropa. Isso me marcou deveras. E certamente me formou…

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

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Categoria(s): Crônica
domingo - 07/12/2025 - 08:38h

O assassinato da palavra (“Palavricídio”) e o alfabeto infantil dos Emojis

Por Marcos Araújo

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Um dos fenômenos linguísticos desse tempo da digitalidade é a substituição da palavra pela figuração de um emoji. A humanidade, que um dia produziu Homero, Cervantes, Dante e Machado, agora se contenta com um polegar apressado e um rostinho amarelo piscando. Que triunfo.

Passamos milênios aperfeiçoando a linguagem — essa máquina complexa capaz de erguer filosofias, ciências e tragédias — para hoje substituí-la por um catálogo de figurinhas. É a consagração do Homo Sapiens versão fast-food: mastiga menos, pensa menos, fala menos. Basta um emoji e pronto: você comunica tudo… ou melhor, nada com aparência de tudo.

Não se trata de nostalgia filológica; trata-se de constatar um fenômeno linguístico preocupante: a regressão voluntária da competência verbal. A substituição sistemática de palavras por emojis não representa modernização, mas infantilização expressiva. E infantilização não no sentido doce: infantilização cognitiva, aquela que encolhe o pensamento ao tamanho de um balãozinho colorido.

O problema não é o emoji — o problema é o que ele substitui. Quando o ícone ocupa o lugar da frase, não economizamos tempo: empobrecemos o repertório mental. A linguística é clara e cruel: palavras não são ornamentos, são instrumentos de raciocínio. Ao abandoná-las, abrimos mão da única tecnologia capaz de organizar ideias complexas. O emoji, afinal, não argumenta; apenas sinaliza emoções básicas.

Há quem romantize o fenômeno, comparando emojis a hieróglifos. É uma analogia conveniente — e profundamente equivocada. Os hieróglifos eram sistemas semânticos sofisticados; os emojis são reações emocionais pré-fabricadas. Confundir ambos é o primeiro sintoma da crise linguística que fingimos não ver.

A linguística explica, mas o cotidiano comprova: quando você reduz palavras, reduz sentidos. Cada palavra abandonada é um conceito amputado, uma nuance enterrada viva. E ainda há quem comemore: “olha que lindo, agora todo mundo se entende!” Sim, claro. Basta reduzir a humanidade ao vocabulário emocional de uma criança de dois anos. Universalidade garantida.

Se a palavra é a espinha dorsal da civilização, o emoji é sua vértebra de plástico: simpática, decorativa e absolutamente incapaz de sustentar qualquer estrutura que não desabe ao primeiro vento.

Mas o melhor — ou o pior — é a ilusão de profundidade. O sujeito manda um 😔 e acredita ter comunicado sofrimento existencial. Um 😂 resolve qualquer conversa. Um ❤️ substitui qualquer afeto. É a terceirização absoluta das emoções: não formulamos mais sentimentos, escolhemos ícones.

Não deixa de ser trágico assistir à humanidade, orgulhosa de sua própria racionalidade, entregando sua herança linguística em troca de conveniência. Talvez, quando a última biblioteca silenciar, sobre apenas um símbolo iluminado na tela.

Provavelmente um 👍

Marcos Araújo é professor da Uern, advogado e escritor

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 09/11/2025 - 06:22h

Descanso

Por Bruno Ernesto

Cemitério São Sebastião no Centro de Mossoró (Foto: Bruno Ernesto/02-11-2025)

Cemitério São Sebastião no Centro de Mossoró (Foto: Bruno Ernesto/02-11-2025)

Visitar cemitérios vai muito além de prestar homenagem aos entes queridos, seja ele um familiar, um amigo, um ídolo ou um anônimo.

Nos últimos anos, uma pesquisa que venho gestando com muito cuidado, me leva constantemente aos cemitérios por onde ando, e procuro registrar o máximo possível em cada oportunidade.

Inegavelmente já vi cenas muito tristes, lamentáveis, serenas, curiosas, mas também engraçadas. Assim dando continuidade à pesquisa, no último Dia de Finados, fui ao cemitério São Sebastião, o cemitério velho de Mossoró, para fazer mais alguns registros.

Percorri diversos corredores e ruas, cada vez mais difíceis de andar diante do amontoado de túmulos, e ali pude observar atentamente os visitantes e os túmulos. Alguns deles continuam sem qualquer visita. Muitos já abandonados, sequer caiados.

Encontrei várias pessoas conhecidas que agora lá repousam. Vi alguns de meus ex-professores do Colégio Diocesano. Vários amigos, personalidades e conhecidos de vista. Cada um deles evocou uma lembrança.

Quando já me preparava para ir embora, enquanto me posicionava para fotografar uma belíssima estátua, ao longe, avistei uma pessoa gesticulando incisivamente para duas senhoras que estavam sentadas aproveitando a sombra de uma árvore ao pé de um túmulo.

Como já beirava o meio-dia, tive dificuldade de achar um bom ângulo para fotografá-la, de modo que tive que me aproximar cada vez mais daquelas senhoras. Foi então que percebi que a pessoa que gesticulava elevava o tom da voz cada vez mais, num ataque de fúria e disparou:

– Era cabra ruim! Pior que fel!

– Não é porque tá morto e enterrado aí, que vou passar a mão na cabeça!

– Deu um trabalho da peste para a família! Foi é um alívio!

– Quem descansou fomos nós!

Não sei quem eram – Nem os vivos nem o morto -, nem interrompi aquela conversa. Apenas escutei, tirei a foto da escultura e fui embora.

“Está morto, podemos elogiá-lo à vontade”, a ironia do Bruxo do Cosme Velho, não veio a calhar.

Que descansem em paz.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor

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Categoria(s): Crônica
domingo - 29/09/2024 - 09:48h

A vida é boa

Por Odemirton Filho

Machado de Assis: autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (Foto: Reprodução)

Machado de Assis: autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (Foto: Reprodução)

– Vamos, Seu Machado, que é isso? Coragem! – dissera o Barão de Rio Branco, alguns dias antes. Não adiantou.

Na madrugada insone do dia 29 de setembro de 1908 faleceu o bruxo do Cosme Velho, após uma dolorida enfermidade. Deixou-nos o nosso maior escritor, legando-nos uma obra incomensurável, composta por uma vasta produção nos mais variados gêneros literários, romances, mais de seiscentos contos, além de inúmeras crônicas e peças de teatro.

Antes de falecer, segundo alguns, Joaquim Maria Machado de Assis, no seu leito de morte, sentenciou: “a vida é boa”. Não sei se é verdade; e se for, se ele proferiu a frase com sua contumaz ironia. O que sei é que o autor de Ressureição (1872), A mão e a Luva (1874), Helena (1876), Iaiá Garcia (1878), Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Casa Velha (1885), Quincas Borbas (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908) é imortal.

Eu li, reli e releio Machado. Cabe anotar, que as fases de sua obra se dividem em duas, romantismo e realismo.

O fato é que fiquei a refletir sobre a referida frase. O que estamos fazendo de nossas vidas para torná-la boa? Vivemos o nosso dia a dia numa correria danada. Gastamos nossa saúde na juventude para tentar recuperá-la na velhice. Será que estamos a apreciar o singelo, como a beleza do mar e o agradável momento junto a familiares queridos e amigos? Ou estamos vivendo somente para trabalhar e pagar contas?

“A vida é um direito, a mocidade outro; perturbá-los é quase um crime. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa apagar o caso escrito”, disse Machado. Decerto, precisamos construir momentos felizes que façam a vida valer a pena.

Hoje, quando eu vejo algumas pessoas idosas, lembro como eram na mocidade, agora, mostram-se frágeis, vulneráveis, precisando da ajuda de terceiros para realizar as tarefas mais simples. Será que viveram ou somente passaram pela vida? Cada um de nós tem a resposta.

“A vida é cheia de obrigações que a gente cumpre, por mais vontade que tenha de as infringir deslavadamente”. Não esqueçamos que existem milhões de pessoas que sofrem mundo afora pelos mais variados motivos, como a fome, a miséria, as doenças e as guerras. Assim, creio eu, depende da realidade vivida e do subjetivismo de cada um afirmar ou não que a vida é boa.

Bom, mas voltemos a Machado de Assis. O seu corpo foi velado na Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual foi um dos fundadores, tendo como patrono o seu amigo José de Alencar. No discurso ao pé do seu ataúde, Rui Barbosa afirmou: “Era sua alma um vaso de amenidade e melancolia”.

O bruxo do Cosme Velho continua vivo; eu sempre o encontro na magia dos seus textos.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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domingo - 11/08/2024 - 10:46h

Os contos

Por Marcelo Alves

Ilustração do Adobe Stock

Ilustração do Adobe Stock

Sob o ponto de vista da extensão do texto, numa ordem decrescente, a ficção em prosa é classificada em romance, novela e conto. Longe de ser arbitrária, essa classificação tem sua razão de ser, pois, entre outras coisas, os recursos imaginativos do escritor e a própria formatação da narrativa dependem muito do estilo/subgênero em que se deseja escrever.

Como explica Alan Wall, em “Writing Fiction” (Collins, 2007), “a mais óbvia diferença entre o romance e o conto é a extensão/tamanho. O romance é algo muito mais longo, e todas as outras diferenças decorrem desse fato. A maior extensão permite uma variedade de vozes, retratos detalhados de diferentes vidas; ela permite uma ambientação variada, com a descrição dos locais e de suas populações. A narrativa pode acelerar ou diminuir de velocidade, pode ter longas seções meditativas, em que nada acontece com exceção da descrição das inúmeras reflexões. Por isso o romance é talvez a mais flexível forma literária já inventada”.

A novela, basicamente, fica no meio do caminho, no que toca a tamanho e características, entre o romance e o conto.

Quanto ao conto, os especialistas ensinam o que dá forma e conteúdo a um texto de excelência: partir de um fragmento da vida ou de uma história; daí retornar a um tema universal; apresentar uma mínima biografia das personagens; sugerir mais do que contar; ter um narrador irreal, num monólogo, ou ter um diálogo, com duas visões de mundo; ter um mistério a ser decifrado; apresentar um caso sobrenatural com a exploração do suspense ou do terror; sugerir uma estória de amor, em regra não realizado; e, ao final, ter uma epifania. Edgar Alan Poe, Guy de Maupassant, Anton Tchecov, Ernest Hemingway, Flannery O’Connor, Jorge Luis Borges e o nosso Machado de Assis, entre outros gigantes, foram os “craques do jogo”.

Embora o romance ainda seja o subgênero narrativo ficcional mais glamouroso, o conto é um meio de expressão narrativa sobremaneira ajustado ao mundo “líquido” atual, certamente bem mais fragmentado do que o mundo/vida de outrora. O já citado Alan Wall lembra mesmo que “as estórias da modernidade são frequentemente fragmentadas: isso porque a própria modernidade é fragmentada. A vida moderna, ela mesma, não se nos apresenta num todo contínuo. Ela é comumente uma montagem de fragmentos desconectados”.

Na roda-viva de hoje, a ficção em forma de conto é uma dádiva tanto para o escritor como para o leitor. A duração de sua leitura, bem menor que a de um romance, é o suficiente para gostarmos da estória sem cansarmos. É um mundo em miniatura para se viver, com começo, meio e fim.

É nesse contexto agitado que me caiu em mãos o livro “Contos do Tirol” (Sarau das Letras, 2024), do prolífico escritor mossoroense David de Medeiros Leite, que é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e Mestre e Doutor em Direito pela Universidade de Salamanca (USAL) – Espanha. Li-o de uma tirada. Adorei. E desejo recomendá-lo por aqui.

As estórias de “Aurora”, “Tatuagem”, “Húmus de minhoca”, “Medo de dedo”, “Dahora”, “Unhas roídas”, “Fim do mundo”, “Reencontro”, “O colecionador de guarda-chuvas”, que compõem os “Contos do Tirol”, seja na voz de um narrador imaginário ou nos seus diálogos, retornando a temas universais, têm amores não realizados, um tico de pornografia, psicologia, suspense e, claro, várias epifanias. Identifiquei-me, inclusive, com algumas dessas estórias.

Sophie King, em “How to Write Short Stories” (How To Books, 2010), ensina que “escrever contos é tanto uma ciência como uma arte”. Pois David de Medeiros Leite, professor doutor e fino escritor, em “Contos do Tirol”, misturou muito bem essas duas sabenças.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

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quinta-feira - 22/02/2024 - 23:52h

Pensando bem…

“Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam, de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram.”

Machado de Assis

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domingo - 13/03/2022 - 12:26h

Sem medo de partir

Por Inácio Augusto de Almeida 

morte, silhueta, medo, sombras, espectrosNão escrevo copiando citações de escritores e poetas. Admirador sou de Rachel de Queiroz, Antônio Maria, Jorge Amado e Cora Coralina. Tenho Machado de Assis como a expressão maior da nossa literatura.

Escrevo colocando no papel o que explode dentro do meu coração.

Não escrevo com a preocupação de ser visto como um grande intelectual.

Escrevo com a alma.

Não tenho a menor preocupação em produzir texto para agradar basbaques ou pacóvios metidos a eruditos.

Nunca tive a preocupação de instigar leitor a se questionar.

Sou um homem simples e escrevo com simplicidade.

Textos rebuscados e com palavras já em desuso não me agradam.

Sou povo e escrevo para o povo numa linguagem de fácil compreensão.

A mim pouco importa a opinião dos idiotas de plantão.

Vivi minha vida do jeito que achei mais certa.

Se cometi erros? Muitos.

Mas eu vivi.

Ninguém viveu por mim.

Nunca esperei o super-homem vir me salvar.

Chego ao ocaso da vida com a tranquilidade dos que não se deixaram dobrar por um punhado de lentilhas.

Breve partirei com a certeza do dever cumprido.

Usei o cobertor que recebi para aquecer não só a mim nas noites de frio.

Partirei tranquilo por não temer os deuses.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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quarta-feira - 09/03/2022 - 08:04h
Opinião

O fascismo não resiste…

MBLPor François Silvestre

... ao confronto da História.

Escrevi há algum tempo esse texto: Já vai tarde. Vi e ouvi com bastante satisfação o desabafo de um “jovem político” líder, ou um dos líderes, de um movimento denominado MBL, Movimento Brasil Livre, demonstrando “cansaço” com a “luta” do movimento.

Dizendo, inclusive, que o melhor seria encerrar as atividades da referida agremiação. Esse movimento criado por jovens, na idade, nasceu enrugado, velho, reacionário e retrógrado. Pode acrescentar adjetivos de esclerose. Isso mesmo, esclerosado política e ideologicamente.

Coisa dos tempos de Plínio Salgado.

Bolsonaristas de carteirinha, foram escanteados pelo poder bolsonarista e quedam-se agora arrependidos. Apostaram na candidatura de Sérgio Moro. Não decolou, estão amotinados no porão das decepções. E de quem é a culpa? Eles respondem: “Do povo, que não reconhece nosso valor nem a nossa luta para o país que queremos construir”.

Já vai tarde. Nem deveria ter nascido.

Isso foi, se não me engano, em Dezembro de 2021.

Pois pois, como diria um bêbado numa tasca muito rasca de Lisboa, a máscara dessa turba burguesa de classe média alta, cuja altura é só de grana e o resto de baixeza moral, veio ao lume. À luz dos fatos.

E a História, única ciência de origem cultural, pois feita pelo homem, traz à claridade quem é digno ou indigno no trajeto da humanidade. Isto é, de revelar-se humano. E será humano de três formas: Humano comum, que vive e cria os seus, com as virtudes e defeitos da condição humana . Humano excepcional, que produz descobertas, luta pelos outros, santo talvez; herói, quem sabe; herói e santo do quem sabe e do talvez. Humano dispensável, que “não aumenta a humanidade quando nasce nem a diminui quando morre”, na lição de Machado de Assis. 

Esses são os jovens enrugados, envelhecidos de ruindade, empobrecidos de solidariedade.

Escassos de empatia.

Esse é o MBL, Movimento Brasil Livre, picaretas da política. Falsários da moral. Adjetivos de humanidade.

 Já vai tarde.

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domingo - 31/10/2021 - 07:46h

Começos arrebatadores

Por Marcos Ferreira

Como você decide qual a primeira palavra a ser escrita? Ouvi esta pergunta recentemente e não me lembro quem me fez tal indagação. Talvez eu a tenha lido em algum lugar. Ou foi por telefone, em conversa com algum amigo ou amiga cujo nome, infelizmente, não me recordo para lhe dar o merecido crédito. Minha memória, repito, é firme quanto um Sonrisal num copo d’água.

O fato é que a primeira palavra, às vezes uma simples letra, um artigo masculino ou feminino, é responsável por todo o texto que está por vir. Sem essa largada, continuamos no zero, a página inteira em branco. Portanto, trata-se do gatilho, da espoleta, da fagulha que vai libertar todo o pensamento represado. No mesmo grau de importância considero o primeiro parágrafo de um texto. Poucos são os leitores que seguem adiante após um início de história ruim ou medíocre.literatura, livro, livraria, poesia, conto, crônica, prosa, versoComo um anzol, digamos, você precisa fisgar o leitor já na largada, no comecinho da sua página. Esta que vemos em curso, por exemplo, também se submete aos ditames em questão: tem que atrair o interesse do leitor logo na saída. Dificilmente, numa livraria qualquer deste país e do planeta, o sujeito levará para casa uma obra que não conheça, a menos que se agrade do princípio.

Claro que isso de fisgar o leitor nas primeiras linhas é muito relativo. Em vários casos, ou na maioria deles, depende do gosto de cada pessoa por determinado estilo ou gênero literário. Mas vamos supor que você acabou de entrar numa livraria e, com grana para comprar apenas um livro, está a fim de adquirir algo novo, um autor e obra desconhecidos. É aí, pois, que o efeito azougue da escrita vai fazer a diferença, seja num romance, livro de contos, crônicas ou poemas.

Tem que ter aquela mensagem imantada, engenhosa, ou no estilo arrasa quarteirão. Seja por meio de uma frase poética, metafórica, ou através do velho recurso de tentar arrebatar o leitor à custa de um introito chocante, por vezes na forma de violência, como num disparo de arma de fogo, alguém que se lança do alto de um arranha-céu ou se enforca. Enfim, um cadáver já no abre-alas.

— Meu Deus! — podem se persignar.

A literatura nos oferece mil e uma possibilidades de narração de uma história utilizando o recurso de impactar o leitor. Sobretudo quando se trata de prosa fictícia, em particular nos romances e contos. Há autores, nacionais quanto estrangeiros, que praticamente escrevem com sangue as suas narrativas carniceiras, como Rubem Fonseca e Stephen King, para citarmos apenas dois. Outros nos atordoam pela surpresa e conteúdo insólito, feito o escritor tcheco Franz Kafka.

Para mim, que tenho verdadeiro horror a baratas, essa largada de A Metamorfose é um dos começos de novelas mais assustadores e inescapáveis da literatura: “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”. Embora sem especificar o tipo de inseto, a descrição da barata é imagética e repugnante.

Um dos começos de livros mais aplaudidos, e merecidamente, é o do clássico Cem Anos de Solidão, do Gabriel García Márquez. Diz ele: “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo”. E quem pode resistir e não seguir em frente na leitura após se deparar com as primeiras linhas de romances como Insônia e São Bernardo, do mestre Graciliano Ramos?

Não terem dado um Nobel a Graciliano foi uma grande injustiça, posto que tantos autores discutíveis levaram tal prêmio da academia sueca. Temos aqui, em solo tupiniquim, inclusive entre meus contemporâneos, literatura de alto nível. Outro gênio da prosa de ficção, o nosso insuperável Machado de Assis, abre o seu Memórias Póstumas de Brás Cubas com um parágrafo arrebatador:

“Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo”. Simplesmente genial!

Assim como o romancista, o contista e até o poeta, o cronista precisa fazer valer o seu reflexo de pescador. O peixe a ser fisgado, claro, é o leitor. A crônica deve ser atraente desde o título, que é o coadjuvante da isca, ou seja, as primeiras linhas. Ao contrário do que se dá com os livros nas livrarias, as crônicas expostas nos periódicos não contam com o chamariz de uma capa bonita.

— Mas ilustramos — dirá meu editor.

Sim. Porém o prezado leitor e a gentil leitora, que nem sempre concordam que uma imagem vale por mil palavras, esperam um texto que lhes salve o domingo (eis o nosso compromisso) da banalidade das páginas meramente jornalísticas, tão difundidas ao longo da semana. Deseja-se, então, que o cronista tenha algo de invulgar a oferecer, uma mensagem ou história (nem precisa ser real) que caia suave com os primeiros goles daquele café escoteiro tomado bem cedinho.

Daí a importância, num espaço tão eclético e ilustrado quanto o Canal BCS (Blog Carlos Santos) de nós cronistas botarmos a cara aqui todo domingo com uma narrativa capaz de atrair e manter o leitor interessado no que temos a contar. Tal conquista, volto a recordar, parte desde o título, mas, principalmente, ganha impulso a partir de um primeiro parágrafo de fato sedutor, cativante.

Isto significa que o final nem carece ser tão apoteótico ou estrondoso como um toque de gongo, contudo o leitor não costuma abrir mão de um começo arrebatador, envolvente. É aí, no mais das vezes, que está o sucesso ou fracasso do seu texto, seja ele um romance, um conto, uma crônica e até um poema mais longo. Você, por uma razão ou por outra, permaneceu comigo até este momento, e há de concordar com o meu raciocínio. Acredito, portanto, que iniciamos bem.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica
quarta-feira - 15/09/2021 - 23:56h

Pensando bem…

“Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam, de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram.”

Machado de Assis

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quarta-feira - 07/04/2021 - 17:02h
Livro

O desafio das palavras…

Manoel Onofre Júnior produz "uma delícia gastronômica, com receita de letras e não de comida" (Foto: Substantivo Plural)

Manoel Onofre Jr. produz “uma delícia gastronômica, com receita de letras e não de comida” (Foto: Substantivo Plural)

Por François Silvestre

…de Manoel Onofre Júnior.

Uma delícia, no sentido mesmo gastronômico, de leitura. Para começar assim, valho-me da própria abertura do livro. Começa com a citação de Álvaro Moreyra, onde o mesmo afirmara que “come-se muito mal nos livros de Machado de Assis”. Deve ser uma reportagem à pobreza culinária das referências de Machado a “iguarias” de costumeira sobriedade.

E continua Onofre: “Mas come-se muito bem nos livros de Eça de Queiroz”. E faz um passeio pelas iguarias nobres e nada sóbrias do grande romancista português. Donde posso afirmar que, pela doçura marcante dessas iguarias, o diabético deve fugir. Ou pelo menos ficar só na leitura.

Nariz de cera para dizer do livro. Ou melhor, do autor. Manoel Onofre está para a literatura potiguar como Câmara Cascudo está para a cultura popular. Genial e universal, Cascudo não se moveu pelo secular. Não. Dito por ele próprio, seu interesse movedor era o cotidiano.

Da mesma forma, Manoel Onofre é leitor vertical da literatura universal, da literatura latino-americana e da literatura brasileira. Mas, seu interesse de pesquisa e divulgação é a literatura produzida por aqui. As letras da capitania abandonada de João de Barros. Não se encanta de apego pelo ouro ou prata de longe, fixa-se no garimpo da nossa scheelita.

O livro é uma comprovação do afirmado. Uma delícia gastronômica, com receita de letras e não de comida. Tem de tudo um pouco, ou um muito. Poesia, contos, ficção, ensaios. Onofre é um crítico de resenha, cujo alvo é a informação ao leitor. Não se arvora senhor das artes ou artimanhas de escrever. Opina, mas o faz com a serenidade de quem transmite o senso do próprio caráter. Não agride para exibir-se nem bajula para angariar agrado. Informa. E nessa seara ele é ímpar.

“O desafio das palavras” nasce indispensável para quem quiser conhecer fatos e pessoas das letras no estuário potiguar; de sertões, mares, serras e estepes. Repito, Uma delícia!

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quarta-feira - 03/02/2021 - 08:46h
'União' dos Rosados

Em política, não se perdoa nem se esquece nada

Relógio, tempo, volta atrásEm política, não se perdoa nem se esquece nada. Quem fez uma, paga; creia que a vingança é um prazer” .

Machado de Assis, em Quincas Borba, com o personagem Doutor Camacho.

Atento ao movimento pós-eleições 2020 no âmago dos Rosados, percebo quão viva permanece essa abordagem machadiana.

Nosso cronista, romancista e excelente observador político que nunca deixa de estar atual, parece antecipar em muitas décadas o que veremos um pouco adiante.

Aquela “união” familiar em nome “dos interesses de Mossoró” e “para reconstruir Mossoró”, propagada em 2016, não se sustenta até hoje. Sempre foi uma grande farsa.

E cantamos a ‘pedra’, claro, sem qualquer esforço de futurismo ou genialidade: União Rosado junta interesses, mas não une família. Essa postagem é de 6 de setembro de 2016, um dia após os grupos de Sandra Rosado (PSB hoje no PSDB) e Rosalba Ciarlini Rosado (PP) anunciarem o acerto após décadas de arengas (que não pararam mesmo assim).

As próprias eleições municipais de 2016, a estadual de 2018 e as mais recentes em 2020, mostraram que a banda Rosado de Rosalba soube subjugar e anular o grupo da prima Sandra. Uma usou a outra, que apenas subsistiu.

É isso, por enquanto.

Nada mais posso adiantar, apesar da vontade.

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Categoria(s): Política
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terça-feira - 20/10/2020 - 23:52h

Pensando bem…

“Éramos dois e contrários. Ela encobrindo com a palavra o que eu publicava pelo silêncio.”

Machado de Assis (Dom Casmurro)

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Categoria(s): Pensando bem...
domingo - 07/06/2020 - 11:12h

Espelho, espelho seu…

Por Francisco Edilson Leite Pinto Júnior

Para a escritora Virginia Woolf “Os livros são espelhos da alma”. Já para o escritor Edgar Allan Poe: “Os olhos são as janelas para a alma”.

Ora janelas, ora espelhos, o fato é que enxergar de perto é muito perigoso haja vista que o historiador Plinio, “o Velho”, foi ver de perto o Vesúvio e voltou cego… “De perto”, Caetano Veloso já  sabia, “ninguém é normal”…Agora fica mais fácil entender tanto o esforço de Cristo: “Amai o próximo” – e não o distante – “Como a ti mesmo”.

Pois bem…

Espelhos, livros ou apenas uma simples mensagem no Instagram são capazes de nos mostrar quem realmente somos, e haja perigo nisso…
Saramago sabedor disso alertava: “Fizemos dos olhos uma espécie de espelhos virados para dentro, com o resultado, muitas vezes, de mostrarem eles sem reserva o que estávamos tratando de negar com a boca”…

Não à toa que Machado de Assis escreveu um dos contos mais instigante chamado O espelho:

“Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro… Espantem-se à vontade; podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; (…) deu-me na veneta de olhar para o espelho com o fim justamente de achar-me dois. Olhei e recuei. O próprio vidro parecia conjurado com o resto do universo; não me estampou a figura nítida e inteira, mas vaga, esfumada, difusa, sombra de sombra. A realidade das leis físicas não permite negar que o espelho reproduziu-me textualmente, com os mesmos contornos e feições; assim devia ter sido. Mas tal não foi a minha sensação. Então tive MEDO; (…) Assim foi comigo. Olhava para o espelho, ia de um lado para outro, recuava, gesticulava, sorria, e o vidro exprimia tudo. Não era mais um autômato, era um ente animado. Daí em diante, fui outro”..

Que as pessoas tomem mais cuidado a partir de agora, ao se olharem no espelho, ao lerem um livro ou quem sabe aqui mesmo visitando as redes sociais, pois poderão ter o difícil encontro consigo mesmo e cá para nós, esse encontro pode ser um tanto quanto desagradável…

P.S. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” (Mateus 26.41)

Francisco Edilson Leite Pinto Júnior é professor, médico e escritor

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Categoria(s): Crônica
  • Repet
segunda-feira - 09/03/2020 - 23:58h

Pensando bem…

“O tempo caleja a sensibilidade”.

Machado de Assis

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Categoria(s): Pensando bem...
sexta-feira - 16/08/2019 - 08:36h
Livro

Romance histórico sobre Machado de Assis será lançado hoje

É nesta sexta-feira (16), na Livraria Cultural do Partage Shopping Mossoró, às 19h30, o lançamento do mais novo livro do escritor José Almeida Júnior: “O homem que odiava Machado de Assis”.

Almeida Júnior: segundo livro (Foto: arquivo)

“Neste romance histórico, uma outra face de Machado de Assis é apresentada e convidamos os leitores a conhecerem a versão de seu adversário mais desgraçado: Pedro Junqueira”, antecipa a Faro Editorial, selo que publica o título.

José Almeida Júnior é escritor e Defensor Público do Distrito Federal, com pós-graduação em Direito Processual e em Direito Civil.

De origem mossoroense, ele chega ao seu segundo livro depois do sucesso da estréia com “Última Hora”, sucesso de público e crítica. O romance foi vencedor do Prêmio Sesc de Literatura de 2017, finalista do Prêmio Jabuti e do Prêmio São Paulo de Literatura.

Com O homem que odiava Machado de Assis, ele parece que segue trajetória parecida. O livro tem recebido endosso da crítica especializada em várias resenhas na imprensa. Paralelamente, ele tem feito lançamentos e participado de feiras literárias pelo país.

“A linha narrativa segue muito a vida de Machado de Assis. Aproveita questões polêmicas e pitorescas da vida dele”, comenta o autor.

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Categoria(s): Cultura
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sexta-feira - 24/05/2019 - 23:58h

Pensando bem…

“Ter amigos é a melhor cumplicidade!”

Machado de Assis

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domingo - 20/01/2019 - 09:38h

Quando eu chegar ao céu

Por Antônio Carlos Villaça

Quando eu chegar ao Céu, de manhã, de tarde ou de noite, não sei ainda, pedirei para ir à biblioteca de Deus, onde curiosamente bisbilhotarei — com respeito — algumas obras.

Quero reler a Invenção de Orfeu, de nosso Jorge de Lima, sofredor, telúrico e místico, homem bom, cirenaico, assim lhe chamou Rachel de Queiróz, quando ele morreu, novembro, 15, do ano de 1953. E pedirei, sim, para conversar com Manu, Manuel Bandeira, que se chamava Neném.

Matarei saudades do dentuço Manuel, que foi o melhor ser humano que conheci, neste mundo.

E gostaria de conhecer Chiquita do Rio Negro, que recusou casar se com Ataulfo Nápoles de Paiva, conviva do baile da ilha Fiscal. Escrevi sobre Chiquita. Li a sua biografia, escrita por Garrigou-Lagrange.

Meu Deus, convocaria Jaime Ovalle, o tio Nhonhô, que morreu com a idade de Jorge de Lima. Ali, na biblioteca do Céu, conheceria o estupendo Ovalle, o do Azulão, o bêbedo místico, o amigo de Manuel, íntimo de Londres e de Nova York.

Por fim, suplicaria para falar com João Guimarães Rosa, poliglota, com quem tão poucas vezes falei. E evocaria a posse do seu sucessor, na Casa de Machado.

Esqueci-me completamente dessa posse, ai de mim. E fui. Lá estava eu, 1968. Um ano depois da morte de Rosa. Mário Palmério falou sobre ele, como seu herdeiro. E gostei tanto do discurso, equilibrado, lúcido, original. Se me lembro. Foi procurar cartas íntimas de Rosa para grande amigo, médico e fazendeiro em Minas, Moreira Barbosa. Cartas de outrora.

Deliciosas, fraternais, confiantes, de pura entrega. Reveladoras do ser complexíssimo, fechado, carente, que gostava de disfarçar, despistar, ir e vir, comensal do mistério.

Saudarei a uns e outros na largueza dadivosa do Céu, turbilhão de amor, como dizia o insaciável Léon Bloy.

Antônio Carlos Villaça (1928-2005) foi jornalista, escritor e tradutor

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Categoria(s): Crônica
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sexta-feira - 13/04/2018 - 05:38h
Livro

“Machado de Assis” sob a ótica de Ivan Maciel de Andrade

Maciel: machadianas (Foto: Arquivo)

Articulista aos sábados do jornal Tribuna do Norte, o professor aposentado de Direito da Universidade Federal do RN (UFRN) e procurador de Justiça, Ivan Maciel de Andrade, 80, vai lançar o livro “Machado que eu li”.

Será na próxima quinta-feira (19), em Natal, às 18h.

O lançamento ocorrerá na sede da Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANL), da qual ele faz parte ocupando a cadeira 17, que pertenceu ao ex-governador Aluízio Alves.

O livro nasceu de sua produção de mais de 700 artigos publicados no jornal Tribuna do Norte, dos quais um pedaço significativo falou da obra de Machado de Assis, considerado o “Patrono das Letras” e que ele reúne agora em livro, por insistência de amigos.

A obra Machado que eu Li – Editora Caravela Selo Cultural – contém 110 artigos e, segundo o autor, é um livro que “foge dos jargões acadêmicos”. Portanto, pode e deve ser lido por qualquer pessoa que tenha interesse em literatura.

“Esse livro aproxima Machado do leitor”, diz ele.

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Categoria(s): Cultura
quarta-feira - 14/03/2018 - 23:58h

Pensando bem…

“Há coisas que melhor se dizem calando.”

Machado de Assis

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Categoria(s): Pensando bem...
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sábado - 10/03/2018 - 23:58h

Pensando bem…

“Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar”.

Machado de Assis

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Categoria(s): Pensando bem...
terça-feira - 23/01/2018 - 23:58h

Pensando bem…

“A ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito.”

Machado de Assis (em Esaú e Jacó)

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Categoria(s): Pensando bem...
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