Um fato raro, mas elogiável e necessário está ocorrendo na Mossoró contemporânea. Entidades representativas do empresariado local passam a ser protagonistas da história. Ocupam espaço para não serem arrastados por um turbilhão de acontecimentos.
Resolvem cuida diretamente de questões que dizem respeito à atividade produtiva e outros assuntos importantes à cidade. Saem do comodismo e da posição secundária que costumeiramente exerciam.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Getúlio Vale; presidente do Sindicato do Comércio Varejista (SINDIVAREJO), Michelson Frota; e Nilson Brasil, que preside a Associação Comercial e Industrial de Mossoro (ACIM), assumem papel proativo em questões públicas. São assuntos que interessam à economia e a todos os municípies.
Entram num vácuo, que se diga. Não é um vácuo de poder, mas de comando, liderança e gestão.
O poder há. Ele existe. Porém fragilizado sobretudo por uma postura centralizadora e impositiva, que tem gerado muitos problemas.
Reação
Essa reação sincronizada é resultado até mesmo de uma conjuntura bastante delicada que afeta a parte mais sensível do corpo humano: o bolso. No capitalismo é assim.
Não é uma questão de sobrevivência política, mas do capital. A anemia econômica de Mossoró, com recuo nos investimentos da Petrobras, a longa estiagem, queda continuada no preço do sal, abalo na construção civil e precarização do erário municipal impõe uma atitude firme. Se falta no Palácio da Resistência, o empresariado percebe que ele mesmo tem que agir.
O cenário recessivo da economia nacional respinga em Mossoró. A insolvência do Estado do RN, também. O agravante, é a relação do poder municipal com servidores e a sociedade, numa sequência de decisões que tornam o quadro ainda mais aflitivo.
A situação é tão estranha, que o prefeito Francisco José Júnior (PSD) conseguiu o improvável: uniu como gêmeos xifópagos os camelôs e lojistas.
O presidente do Sindivarejo e diretor da Fecomércio, Michelson Frota, foi a primeira voz do segmento a se levantar contra ação policialesca dada a centenas desses comerciantes informais. Anunciou que o empresariado era a favor de um tratamento “social digno” (veja AQUI).
Omissão e ação
Michelson foi seguido por Getúlio e a CDL (veja AQUI), com nota oficial contra a postura do Município.
A manifestação de ambos foi saudada pelos ambulantes ameaçados de expurgo do centro da cidade e os fortaleceu, a ponto da Justiça e a Prefeitura recuarem na medida.
Agora, CDL, Sindivarejo e Acim passam a defender a manutenção do importante acervo da Fundação Vingt-un Rosado, fonte de estudo no Brasil e exterior, que foi abandonado pela Prefeitura. Na omissão, a ação novamente.
Antes, as entidades escudaram taxistas e condutores de veículos alternativos intermunicipais (veja AQUI). Fizeram a Prefeitura reavaliar decreto que dificultava circulação de deles no centro da cidade, capaz de causar profunda abalo no comércio de bens e serviços da cidade.
As três entidades, que podem ser seguidas por outras, parecem inaugurar uma nova ordem nas relações do empresariado com o poder e a sociedade em Mossoró.
Nem só de jantares, comendas e coquetéis deverão viver daqui para frente.
Um brinde: Tin-tin!




































