sábado - 23/05/2009 - 15:33h

Um duplo reencontro com Darcy Ribeiro

Coincidência, sinergia cósmica… sei lá.

Com rara insônia à madrugada, terminei me reencontrando com o professor Darcy Ribeiro. Duplamente.

Folheava “Confissões”, livro que me fora presenteado pelo advogado André Luiz em 2008, quando me deparo com documentário sobre o autor na TV.

Abordava a vida do ex-senador, escritor, etnólogo, antropólogo, professor, além de criador, fundador e primeiro reitor da Universidade de Brasília. É um dos meus escassos ídolos. Uma paixão que se renova, mesmo tendo passado 12 anos de sua morte, vítima de câncer.

Seu “O povo brasileiro” é uma publicação fundamental para entendermos um pouco esse país e sua gente; o romance “Maíra” (que me furtaram há tempos) é envolvente; “Confissões” revela um pouco sobre esse brasileiro notável. Dia desses, o professor Anchieta Alves até assinalava para mim, que era seu livro de cabeceira. Sempre lendo e relendo sobre Darcy.

Bem, mas o documentário que mencionei acima, o que ele tinha de tão interessante?

Tudo.

Depoimentos de contemporâneos, entrevistas com o autor em várias épocas, enxertos de vídeos históricos etc. Mas o que me fez retomar o sono refeito e fortalecido, é algo que pode parecer banal e piegas. Que seja.

O vídeo mostrou quase ao final, um Darcy de bigode espesso, cabelos ralos, rotundo, sob túnica branca. Era homenagem da instituição a ele, com título de doutor honoris causa e seu nome de batismo ao campus.

Sem perder a verve em meio à emoção, ele abriu o discurso com um autoflagelo telúrico: “Estou ficando um velho frouxo”! Confessava que se desmanchara momentos antes, ao ouvir o Hino do Brasil.

Grande Darcy. Estás fazendo uma falta danada a este país.

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Categoria(s): Nair Mesquita

Comentários

  1. jb diz:

    Caro Carlos Santos Darcy Ribeiro é dos poucos brasileiros que deveriam ser imortal [não apenas da ABL ] eis o motivo de minha opinião.

    “Fracassei em tudo o que tentei na vida.
    Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
    Tentei salvar os índios, não consegui.
    Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
    Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei.
    Mas os fracassos são minhas vitórias.
    Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”

    Darcy Ribeiro

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