quarta-feira - 20/05/2026 - 15:54h

Um sonho concretizado de filha e a felicidade inenarrável de pai

Por Marcos Araújo

"Minha filha herdou algo mais profundo: a paixão e o desejo de aprender, saber e compartilhar", assinala o autor-pai Foto: cedida)

“Minha filha herdou algo mais profundo: a paixão e o desejo de aprender, saber e compartilhar”, assinala o autor-pai Foto: cedida)

Há momentos na vida em que um pai e uma mãe se sentem plenamente realizados: quando o filho ou a filha alcançam um objetivo perseguido e concretizam um sonho. Senti isto no dia de ontem (19 de maio – dia dedicado a Santo Ivo, patrono dos advogados), quando soube que minha filha Lorna Beatriz havia sido aprovada em 1º lugar no concurso público para professora do Curso de Direito da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — a mesma UERN onde, anos antes, eu havia cruzado a mesma porta, também em primeiro lugar.

Como obra que superou o artífice, o caminho de Lorna foi mais bem construído. Sonhando em ser professora, cedo voltou-se para a formação acadêmica (especialização, dois mestrados e um Doutorado, antes dos 30 anos). E para alcançar seu objetivo, iniciou uma maratona de estudo para concursos. Não foi o único. Antes, fizera em Minas Gerais, também com aprovação. Quis o nosso bom Deus – Nossa Senhora e seus anjos protetores – que o seu destino fosse a UERN.

É a vida se repetindo com graça, como diria Drummond ao falar das heranças que não se medem em bens, mas em vocações. Há quem herde a cor dos olhos, a curvatura do sorriso, o timbre da voz. Minha filha herdou algo mais profundo: a paixão e o desejo de aprender, saber e compartilhar.

Conheço esta jovem e posso dizer, com a autoridade de pai: a docência não é para ela um acidente de percurso. É destino. Era um sonho. Rubem Alves escreveu que “o professor é um jardineiro de sonhos”. Não fui o professor ideal, nem sei se eu cheguei a plantar, mas ela foi a semente que escolheu a própria direção ao crescer.

Há uma beleza filosófica singular nesse encontro de trajetórias. Eu e Lorna, agora colegas de instituição, de corredor, de vocação. A mesma universidade que me acolheu abre agora suas portas a ela. E o melhor. Ela não chega à sombra do sobrenome — ela chega com luz própria, forjada no estudo rigoroso, na dedicação silenciosa e na competência que o concurso público, em sua impessoal justiça, soube reconhecer e proclamar. O 1º lugar foi conquista dela, construída tijolo a tijolo, sobre o barro das adversidades.

Lorna realizou os próprios sonhos — e ao fazê-lo, deu sentido retroativo aos meus. Ela não seguiu um caminho traçado; ela escolheu o seu, atravessou as tempestades com a cabeça erguida e chegou aonde sempre soube, no fundo da alma, que precisava chegar. À UERN, que agora a recebe como docente, cabe a sorte de ter em seus quadros uma professora por convicção. Aos seus futuros alunos, a fortuna de aprender com quem sempre soube que ensinar é, antes de tudo, um ato de amor.

E a mim, que a vi crescer, que torci em silêncio e que agora tenho o privilégio raro de chamá-la de colega, resta o silêncio emocionado de quem contempla uma obra maior que si mesmo, e agradece a Deus por ela.

Parabéns, minha filha!

Marcos Araújo é advogado e professor da Uern

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Categoria(s): Crônica

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