sexta-feira - 17/04/2026 - 10:30h
Homo sapiens

A polarização como fenômeno humano, mas nem sempre vital

Arte ilustrativa com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de IA para o BCS

Converso numa roda de amigos sobre amenidades, abobrinhas e nada muito sério. Um daqueles momentos em que nos reunimos porque temos um monte de coisas para não fazer. Desplugamos para continuarmos ligados, humanamente ligados.

Contudo aí, por deslize de um dos nossos circunstantes, a tal da política é jogada inoportunamente à mesa. Alguém fala sobre ‘polarização’ e as manadas que se digladiam em casa, na rua, na chuva, na fazenda, mas principalmente em redes sociais. Cada uma incensa seu semideus e vomita no contendor.

Polarização existe desde a maior parte da nossa existência como gênero Homo, o caçador-coletor, aquele indivíduo das cavernas a 2,5 milhões de anos. Ou agora mais próximo, por volta de 300 mil anos – o homo sapiens na África. Entretanto, o fenômeno do confronto nesse nível como estamos testemunhando, reportando e participando, ganha dimensão grandiloquente por força desse mundo conectado em que vivemos.

No campinho de futebol de várzea, no tablado do teatro, num centro comunitário, no bar, no galpão da fábrica, em todo lugar em que existimos, existe alguma modalidade de polarização e ela nem sempre é pelo topo, pelo comando, pelo controle, mas algum outro tipo de supremacia, proeminência, destaque. Está acima não mudará o mundo, a política ou qualquer componente vital à vida em sociedade.

Um exemplo de fácil entendimento: em boa parte dos campeonatos estaduais de futebol que acompanhei no RN, Potiguar e Baraúnas polarizaram forças e raramente no topo, mas para saber quem ficaria à frente do outro na competição. Um duelo paroquial, que se diga.

A polarização é quando opiniões, grupos ou visões de mundo se afastam e se concentram em polos opostos, com pouca zona de racionalidade no meio. O diálogo diminui, a identidade e pertencimento de grupo aumentam; discordar vira “ser inimigo”. Regra, não exceção. A política é só o palco mais visível.

A elite política tem mais microfones, organização com capacidade de arrebanhar gente e marketing mais profissional, além de despudor para patinhar no submundo. Redes sociais reforçam o que você já é induzido a pensar e expõem o pior do “outro lado”, acelerando sentimento de ódio e dando o start para repulsa um pelo outro.

Nada muito racional, como nossos antepassados das cavernas.

Voltemos à nossa conversa nada séria com um monte de coisas para não fazer.

Depois falamos sobre política.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog / Política

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