domingo - 04/10/2026 - 07:00h

Cine Cid

Por Bruno Ernesto

Padre Cícero e Benjamin no sertão brasileiro e na tela de cinema (Foto: do autor da crônica)

Padre Cícero e Benjamin no sertão brasileiro e na tela de cinema (Foto: do autor da crônica)

A programação do Cine Cid, conduzido pelo BNB Cultural em Mossoró, tem se mostrado cada vez mais inclusiva; tanto para o público quanto para quem produz os filmes.

Ninguém – exceto os pré-adolescentes e os adolescentes – suporta mais cinema comercial, praticamente dominado pelos péssimos filmes americanos, uma cultura que em nada agrega.

Nesta última sessão, “Lampião, Governador do Sertão”, me trouxe à memória um personagem que sempre me instigou, mesmo sem ser cangaceiro.

Quase ninguém se atenta aos personagens históricos coadjuvantes que circundavam o Sertão nordestino do primeiro quartel do século XX.

Falar sobre o cangaço e religiosidade naquela época, inevitavelmente direciona para os dois mais conhecidos e populares protagonistas : Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e Cícero Romão Batista, Padre Cícero.

Um desses personagens foi Benjamin Abrahão, o imigrante libanês que eternizou em papel e filme e, para a história, o elo entre esses dois personagens.
Os únicos registros de imagens do bando de Lampião em seu habitat foi feito por ele, com as bençãos de Padre Cícero, que serviu como fiador dessa aproximação e interação com o grupo.

O pesquisador e escritor Frederico Pernambucano de Mello, resgatou a história de Benjamin Abrahão em sua obra “Benjamin Abrahão: entre Padre Cícero e Lampião”, já em segunda edição pela editora Companhia Editora de Pernambuco, um registro monumental desse convívio e proximidade com os cangaçeiros, meticulosamente registrado em sua caderneta de campo, fotos e raríssimos vídeos, único a filmar o bando.

Benjamin Abrahão teve, tanto uma vida, quanto uma morte intensa. Vale a pena a leitura.

Aliás, também muito interessante é o filme “Baile perfumado”, dirigido por Paulo Caldas e Lírio Ferreira, uma interessante história da vida do mascate libanês.

Os estudiosos do cangaço, certamente ganharam muito com os registros históricos de Benjamin Abraão, o que merece mais pesquisas e divulgação, pois o simples fato de ter filmado o bando, produziu um imenso conteúdo para os eles próprios aprofundarem os conhecimentos sobre este fenômeno.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de -Mossoró – IHGM @ihgmossoro

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Categoria(s): Crônica

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