Por Odemirton Filho
A frase acima, dizem, foi escrita pela poetisa Clarice Lispector. Não sei. Na verdade, para mim pouco importa a autoria. O importante é a reflexão que dela podemos extrair. Ademais, a leitura dominical deve ter leveza, para suavizar o coração. Mas quais são os nossos medos?
Com certeza, muitos enfrentam cotidianamente os seus medos. Temos incertezas que estremecem a alma e nos fazem vacilar na caminhada. Aqui e ali, tropeçamos. Ficamos na dúvida se as veredas que desbravamos estão corretas ou, talvez, pegamos o bonde errado.
Nesta vida desembestada, neste mundo das redes sociais onde quase tudo parece perfeito, ficamos a matutar se realmente estamos a fazer o certo. Ser CLT ou um empreendedor? Estudar e/ou trabalhar? Ou, quem sabe, tentar ser um influenciador de sucesso para ganhar muito dinheiro.
Nesse turbilhão no qual vivemos, com mentiras a mancheias, muitas vezes ficamos angustiados, pois a cobrança diária para sermos o melhor naquilo que nos propormos a fazer tornou-se abusiva. Em alguns casos, metas precisam ser cumpridas, sob pena de demissão, diminuição salarial ou empecilho para ascender na carreira profissional.
Quando lecionava, inúmeros alunos e alunas me confidenciavam que estavam com ansiedade, quiçá depressivos, com medo de não conseguirem ser aprovados na OAB e não lograr êxito na profissão. Eram pessoas jovens, tristes, sem o viço e a alegria da juventude.
É claro que é preciso se esforçar para alcançar objetivos, todavia, em tudo deve haver limites, sobretudo em respeito à saúde e ao bem-estar.
Decerto, cada um de nós sabe quais são os seus medos. Há os que temem não constituir uma família ou findar os dias sem alguém ao seu lado; no entanto, há quem prefira viver sozinho em seu mundo.
Enfim, depois de vencer o medo, vem o mundo, e, como já disse Nelson Mandela, “bravo não é quem não sente medo, é quem o vence”.
Odemirton Filho é oficial de justiça
























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