Por Camila Nascimento do Poder 360
O Paraguai atraiu 232 empresas brasileiras desde 2007 para atuar dentro da Lei de Maquila –uma norma legal que permite a companhias estrangeiras voltadas para a exportação produzirem no país vizinho pagando menos impostos. Tais companhias são conhecidas como maquiladoras. O movimento se acentuou nos últimos anos, pois mais facilidades foram criadas para atrair negócios de outros países.
O principal atrativo é a baixa carga tributária. Fábricas sob esse regime têm impostos e encargos trabalhistas totais de 12%, em média, contra 80% no Brasil.
Segundo levantamento feito com base em dados do governo paraguaio e da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai, o número de maquiladoras brasileiras corresponde a 70% das mais de 320 empresas estrangeiras que optaram pelo país vizinho.
Essas empresas empregam cerca de 25.000 pessoas no Paraguai – vagas que poderiam estar no Brasil.
Impostos simplificados
A estrutura tributária é complexa no Brasil. No Paraguai, é mais simples e menos onerosa. As empresas pagam só 1% sobre o valor agregado, ou seja, sobre aquilo que foi adicionado em cada etapa da produção ou comercialização de um produto ou serviço. Maquiladoras têm ainda isenção de imposto de renda sobre o pagamento de dividendos, na compra de máquinas e na importação de matéria-prima.
Outra vantagem está no custo da mão de obra. Embora o salário-mínimo no Paraguai seja maior que o brasileiro (2,9 milhões guaranis, ou de R$ 2.300 a R$ 2.400, dependendo da cotação, contra R$ 1.621), os encargos trabalhistas são bem menores.
O funcionário com carteira assinada no Paraguai custa de 30% a 40% menos que um que é empregado seguindo as regras da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) no Brasil, uma lei criada em 1943 pelo ditador Getúlio Vargas (1882-1954) sob inspiração das regras fascistas da Itália, a “Carta del Lavoro”, e que teve poucas modernizações até hoje.
As férias aumentam progressivamente a cada ano no Paraguai, e só chegam a 30 dias depois de 10 anos na empresa. Além disso, não há FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), e a parcela da Previdência é menor. A carga horária semanal é de 48 horas no país, contra 44 no Brasil. No mercado brasileiro, em breve, deve haver uma redução para 40 horas semanais, com 2 dias de descanso por semana, como está em proposta de emenda à Constituição debatida pelo Congresso.
Caso o Brasil reduza a jornada para 40 horas semanais, como estabelece a proposta do fim da escala 6 X 1, o trabalhador paraguaio passaria a trabalhar 8 horas a mais por semana. Na prática, isso representaria cerca de 416 horas adicionais por ano —equivalente a aproximadamente 52 dias úteis de trabalho.
Migrações recentes
Das maquiladoras com origem no Brasil, 40 (17,2%) iniciaram a operação a partir de 2023 —e 26 delas se mudaram no período de 2024 a 2026.
Receita e volume
As 10 maiores maquiladoras brasileiras operando no Paraguai tiveram receita de exportação de US$ 1,3 bilhão em 2025, segundo o Datasur, plataforma que reúne dados globais de importação e exportação. Ou seja, o Brasil deixa de arrecadar sobre essa quantia.
Estão fora do sistema de maquila no Paraguai parte das operações da JBS, maior produtora do mundo de proteína animal, e da Inpasa, maior biorrefinaria de etanol de grãos da América Latina. Essas empresas usam a lei para exportação só em alguns itens. Beneficiam-se de isenções oferecidas pelas leis paraguaias, como, por exemplo, na compra de maquinário.
Triplo 10
Nem todas as companhias brasileiras no Paraguai aparecem na lista de maquiladoras, porque o país tem outros regimes de incentivos, como zonas francas, além de leis que facilitam o investimento estrangeiro em turismo, mercado financeiro, além da indústria.
Mesmo para companhias fora do regime de maquila, o Paraguai apresenta sistema tributário bem mais simples, o chamado triplo 10:
10% de IR empresarial;
10% de IR pessoal;
10% de IVA (Imposto sobre Valor Agregado).
Na última década, grandes empresas brasileiras iniciaram ou retomaram a produção. É o caso de Lupo, Estrela, M.Dias Branco, Karsten, JBS e Lunelli. A BRF está no país pela subsidiária Hercosul, focada em ração animal. Nos últimos 2 anos, fora do regime especial, a Vale expandiu os investimentos em logística no país.
Já a Camil adquiriu a Rice Paraguai e da Villa Oliva Rice e ganhou condições de operar no mercado interno paraguaio.
Em 2026, a Karsten passou a fabricar toalhas no Paraguai. A empresa não divulga números oficiais de receita e faturamento. A estimativa é de US$ 10 milhões a US$ 18 milhões, considerando a capacidade da planta instalada em comparação com seus pares. A fabricante de calçados infantis Kidy também decidiu produzir no Paraguai neste ano. A Efisa se juntará às empresas no 2º semestre. A companhia já está presente no Paraguai desde 2012, mas com plantações florestais e processamento de madeira. A nova unidade usará matérias-primas locais e importadas para fabricar embalagens e pallets.
Mais de US$ 182 milhões (perto de R$ 1 bilhão) foram investidos no Paraguai por 6 empresas de origem brasileira de 2025 a 2026: JBS: US$ 70 milhões; Karsten: US$ 40 milhões; Lupo: US$ 30 milhões; Kidy: US$ 30 milhões; Efisa: US$ 9 milhões; Fiasul: US$ 3 milhões. Multinacionais com grandes operações no Brasil transferiram parte da produção para o Paraguai. É o caso da japonesa Yazaki, a sul-coreana TNT Auto Parts e a alemã Kromberg & Schubert.
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