terça-feira - 23/06/2026 - 22:00h
Nota Pública de Repúdio

Juízes reagem ao ‘método da estupidez’ de Sargento Gonçalves

Gonçalves nos EUA em janeiro de 2025, para onde viajou no intuito de ver a posse do presidente Donald Trump (Foto: redes sociais/Arquivo)

Gonçalves nos EUA em janeiro de 2025, para onde viajou no intuito de ver a posse do presidente Donald Trump (Foto: redes sociais/Arquivo)

A Associação dos Magistrados do Rio Grande do Norte  (AMARN) emite Nota Pública de Repúdio, em que reage a declarações do deputado federal Sargento Gonçalves (PL), propagadas em redes sociais. Segundo Gonçalves veiculou semana passada, o Tribunal de Justiça do RN (TJRN) estaria pressionado a não escolher o juíz Henrique Baltazar como novo desembargador, por pressão de facções criminosas.

A estupidez de Sargento Gonçalves não é situação isolada, um disparate impensado. Na verdade, é método. A lacração segue roteiro para sustentar perfil de duelista e anteparo da sociedade, num jogo para mexer com a “torcida” que adora bravatas. Num ano eleitoral, então…

Leia a Nota Pública de Repúdio na íntegra:

A Associação dos Magistrados do Rio Grande do Norte – AMARN manifesta profunda preocupação e veemente repúdio a declarações recentemente veiculadas em espaços públicos e em redes sociais que insinuam ou sugerem a existência de influência de facções criminosas sobre decisões ou deliberações do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte.

As declarações foram proferidas no contexto de discussão envolvendo deliberação institucional do Tribunal de Justiça relacionada ao acesso de magistrado à composição da Corte. Em vez de se estabelecer o legítimo debate acerca dos critérios, fundamentos ou consequências da decisão adotada, optou-se por lançar sobre o Tribunal a gravíssima suspeita de que sua atuação estaria sujeita à influência da criminalidade organizada, imputação absolutamente incompatível com a seriedade do tema tratado e desprovida de qualquer suporte fático.

Não há espaço, em um ambiente democrático, para que acusações de tamanha gravidade sejam lançadas ao debate público sem nenhuma prova ou fundamento minimamente verificável.

Trata-se de afirmação extremamente grave, destituída de qualquer elemento concreto que a sustente e que atinge não apenas magistrados individualmente considerados, mas a própria credibilidade de uma das instituições fundamentais da República.

O Poder Judiciário potiguar é composto por homens e mulheres que ingressaram na magistratura mediante concurso público, submetem-se diariamente ao império da Constituição e das leis e exercem suas funções com independência, responsabilidade e compromisso com a sociedade. Divergências jurídicas, debates institucionais e posições distintas sobre temas relevantes fazem parte da vida democrática e do funcionamento regular dos tribunais. O que não se pode admitir é que, sem nenhuma prova e de forma manifestamente irresponsável, se lancem suspeitas destinadas a associar a atuação jurisdicional ou administrativa da Corte à ação de organizações criminosas.

A AMARN, ao tempo em que não se desvencilha do exercício de suas prerrogativas institucionais e estatutárias e, principalmente, da defesa de seus associados, reafirma sua absoluta confiança na integridade, na honorabilidade e na independência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte, instituição centenária que presta relevantes serviços à população potiguar e que jamais se curvou a interesses ilegítimos ou a pressões oriundas da criminalidade organizada.

A liberdade de expressão e o legítimo exercício da atividade política não constituem salvo-conduto para a propagação de acusações infundadas. O debate público exige responsabilidade, respeito à verdade e compromisso com as instituições democráticas. Quando alguém atribui ao Poder Judiciário vínculos ou influência de facções criminosas sem apresentar uma única prova, não está exercendo crítica legítima, mas disseminando suspeitas incompatíveis com a gravidade da imputação formulada.

A magistratura potiguar não aceitará com resignação que sua honra institucional seja atingida por conjecturas, ilações ou acusações genéricas desprovidas de fundamento. Quem afirma deve provar.

Acusações dessa natureza, sobretudo quando dirigidas a uma instituição responsável pela garantia do Estado Democrático de Direito, exigem responsabilidade proporcional à sua gravidade.

O debate público deve ser pautado por fatos, responsabilidade e respeito às instituições republicanas. A defesa da independência do Poder Judiciário e da honra da magistratura não constitui interesse corporativo, mas compromisso permanente com a preservação da confiança da sociedade nas instituições que sustentam a democracia.

Arthur Cortez Bonifácio

Presidente

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Categoria(s): Política

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