
Wagner já tinha laços com O Master à época em que era secretário na Bahia (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
Do Canal Meio e outras fontes para o BCS
O escândalo do Banco Master e os tentáculos de Daniel Vorcaro chegaram com tudo no governo. A Polícia Federal apontou o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e homem de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como o “beneficiário central” de uma série de vantagens econômicas supostamente custeadas por pessoas ligadas ao Master. O escândalo pipocou dia passado (veja AQUI) e promete render muitos desdobramentos.
A PF investiga se Wagner agiu diretamente em favor de projetos de interesse do grupo de Vorcaro e Lima, atuando no caso da “emenda Master” e de uma proposta legislativa para ampliar o limite do crédito consignado, favorecendo os negócios do Credcesta. Entenda todas as acusações da PF contra o senador. (g1)
A PF apreendeu cerca de US$ 55 mil (R$ 285 mil) e 33,5 mil euros (R$ 199 mil) em espécie em domicílios de Jaques Wagner. Do total apreendido, US$ 49 mil foram encontrados em Brasília e outros US$ 6 mil em Salvador. Ainda juntou 13 relógios de luxo, coleção do senador. A operação, autorizada pelo STF, cumpriu ainda 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. (Metrópoles)
E uma mensagem encontrada pela PF reforçou as suspeitas sobre a proximidade entre Jaques Wagner e Augusto Lima. Em um diálogo analisado pelos investigadores, o ex-sócio de Vorcaro escreveu ao senador: “Você mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso”, ao compartilhar detalhes sobre a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Para a PF, a mensagem indica que Wagner não acompanhava o assunto apenas como observador, mas atuava como um interlocutor relevante de interesses ligados ao Master. (Estadão)
Em entrevista à BandNews, Wagner admitiu ter se encontrado duas vezes com Daniel Vorcaro, mas negou ter recebido dinheiro do banqueiro, dizendo que as acusações são parte de um plano para prejudicá-lo politicamente. Sobre o apartamento, o senador alegou que pretendia dar o imóvel à filha e pediu a Augusto Lima que intermediasse a compra e que este seria ressarcido. “Como o Augusto Lima é um investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar?’ Eu teria que vender o apartamento de minha filha para poder complementar e pagar o apartamento ou ela financiar. Então, não tem nenhuma transferência de patrimônio para mim”, disse. (BandNews)
Sobre os dólares apreendidos, Wagner disse que o dinheiro tem origem legal e corresponde, em sua maior parte, a diárias recebidas do Senado em viagens internacionais realizadas desde 2019. O restante seria resultado de economias. (g1)
Lula orienta Wagner
O presidente Lula telefonou para Jaques Wagner e orientou o aliado a responder a todos os questionamentos relacionados às investigações da Operação Compliance Zero. Segundo relatos, Lula recomendou que o parlamentar apresente esclarecimentos e não deixe dúvidas sem resposta diante das acusações levantadas pela Polícia Federal. A expectativa agora é que Wagner retorne a Brasília para uma reunião com Lula, na qual deverá ser discutida sua permanência na liderança do governo no Senado. (CNN Brasil)
O problema é que, como conta Natuza Nery, o senador baiano já havia sido questionado por Lula em ocasiões anteriores se tinha ou não alguma relação com o Banco Master. Wagner sempre negou. (g1)
Fora da liderança
Lideranças do PT passaram a defender publicamente que Wagner seja investigado pelas suspeitas levantadas na Operação Compliance Zero e avaliam que ele deveria deixar a liderança do governo no Senado. Integrantes do partido ouvidos nos bastidores afirmam que não é possível “passar pano” para o caso e defendem que as apurações avancem “doa a quem doer”. (Folha)
Relação antiga e “mina de ouro”
A relação do Master com o PT baiano vem de 2018, quando Jaques Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, então governada pelo hoje ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), aquele envolvido no desaparecimento de R$ 48 milhões que seriam usados na compra de respiradores, em 2020, em plena pandemia. Voltando à relação com o Master: o governo do estado tentava sem sucesso vender a Empresa Baiana de Alimentos (EBAL), dona da rede de supermercados Cesta do Povo, e Augusto Lima convenceu Wagner a permitir que o comprador operasse um cartão de crédito consignado, chamado Credcesta, a ser usado por 400 mil servidores, aposentados e pensionistas.
O próprio Lima comprou a Ebal, ganhando ainda a exclusividade para operar o Credcesta por 15 anos. Como era necessário um banco para operar o cartão, o Master comprou 50% do negócio, que se revelou uma mina de ouro. (piauí)
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