Por Jorge Fernandes
O dia nasce grunindo pelos bicos
Dos urumarais…
Dos azulões… da asa branca…
Mama o leite quente que chia nas cuias espumando…
Os chocalhos repicam na alegria do chouto das vacas…
As janelas das serras estão todas enfeitadas
De cipó florado…
E o coên! do dia novo –
Vai subindo nas asas peneirantes dos caracaras…
Correndo os campos no mugido do gado…
No – mên – fanhoso dos bezerros…
Nas carreiras da cutia… no zunzum de asas dos besouros,
das abelhas… nos pinotes dos cabritos…
Nos trotes fortes e luzidos dos potros…
E todo ensanguentado do vermelhão das barras
Leva o primeiro banho nos açudes
E é embrulhado na toalha quente do sol
E vai mudando a primeira passada pelos
Campos todo forrado de capim panasco…
Jorge Fernandes (1887-1953)
*Publicado nesta página em 27 de dezembro de 2009. É um poema modernista do autor potiguar, datado de 1927.
























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