Por Pedro Arthur
Na última terça-feira (07), tive a oportunidade de assistir ao craque Salah despedir-se da Copa do Mundo depois de um jogo exemplar da seleção egípcia, embora cheio de controvérsias para o lado argentino. Apesar das minhas opiniões sobre a arbitragem da partida, foi um prazer presenciar a atuação, talvez um pouco apagada, mas ainda excepcional, de um jogador que marcou minha geração.
Bom, não pude acompanhar Ronaldo, Romário ou sequer Kaká em seus auges, mas nasci e cresci em um mundo futebolístico dominado por duas lendas: Messi e Cristiano Ronaldo. E, entre tantos nomes que foram ofuscados pelos quase vinte anos de reinado dessa dupla, brilhou a estrela de Mohamed Salah.
O ano era 2017. Após um breve período na Roma, o egípcio se aconchega nas ruas de Liverpool e dá início a uma história muito maior do que as quatro linhas do campo. Na temporada 2017/18, sua primeira pelo clube inglês, o então jovem de 25 anos anotou 44 gols e 16 assistências em 52 jogos, levando o Liverpool à final da Champions League após 11 anos de seca, caindo diante do imbatível Real Madrid na fase final. A temporada de números e recordes impressionantes marcou o início de uma das mais belas relações entre jogador e clube que eu já presenciei no futebol. Naquele ano, Salah foi eleito o melhor jogador da Premier League e terminou em terceiro lugar na disputa pela Bola de Ouro.
Seguindo nos feitos esportivos, na temporada 2018/19, foi peça fundamental para levar o Liverpool novamente ao topo da Europa, vencendo o Tottenham na final da Champions League, e também ao topo do mundo, conquistando o Mundial de Clubes ao derrotar o meu Flamengo na decisão. Em 2019/20, o clube inglês voltou ao topo da Inglaterra após 30 anos de espera.
Foram três temporadas consecutivas com mais de 30 gols, até que, em 2023, Salah se tornou o maior artilheiro da história do Liverpool na Premier League. E, quando muitos já voltavam suas atenções para Kylian Mbappé e Erling Haaland, o egípcio respondeu com mais uma temporada histórica: em 2024/25, participou diretamente de 57 gols em 52 partidas, conduzindo o Liverpool ao título inglês mais uma vez.
Mas, apesar de uma carreira esportiva extremamente consolidada, Mohamed Salah ultrapassou os limites de Anfield Road com sua presença e importância na Inglaterra. Uma pesquisa publicada em 2021 pela American Political Science Review analisou mais de 14 milhões de tweets, além de pesquisas de campo, para investigar o chamado “Efeito Salah”. Os autores concluíram que os crimes de ódio contra muçulmanos diminuíram significativamente em Merseyside, região do Liverpool, em comparação com outras partes do país após a chegada do craque egípcio.
Como prevê o ditado, o bom filho à casa torna. Salah também contribuiu para o desenvolvimento urbano e social de sua cidade natal, Nagrig, financiando projetos que ajudaram a transformar a realidade local e incentivando novos sonhos, tanto no esporte quanto na vida de quem nasceu no mesmo lugar que ele.
Quando mais novo, eu sempre escolhia o Liverpool no PES para jogar com Salah e Van Dijk. Hoje, tenho a oportunidade de assistir a essas lendas caminhando para o fim de suas carreiras. Salah já não está mais na Inglaterra, mas me proporcionou acompanhar de perto uma das histórias mais bonitas que o futebol escreveu neste século.
Pedro Arthur Vieira Muniz é estudante
























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