Por Marcos Ferreira
Alguns dias são pesados como chumbo. Sair da cama pela manhã é um desafio e tanto. Sobretudo se esse dia for um domingo. A vontade de permanecer à meia-luz, ainda que de olhos entreabertos na confortável tepidez dos cobertores, é quase insuperável. Aos poucos, entrementes, vamos despertando para o mundo. Embora nenhuma janela ou porta seja aberta durante determinado tempo.
Em dias assim, quando o silêncio é algo que muito apreciamos, não queremos contato com o astro-rei. O sol não é muito bem-vindo. Não ao menos nessas primeiras horas de preguiça e descontentamento injustificável com a vida.
Sendo racional, porém, tenho consciência de que a vida é preciosa demais para perdermos tempo com desânimo e baixo-astral. Mas isso, todavia, às vezes é maior e mais forte que nós. Então não conseguimos reagir de pronto, pular da cama e dar cambalhotas cheios de felicidade com nossa existência. Uma infecção urinária (que ninguém merece) é o bastante para não interagirmos positivamente com as pessoas mais próximas e também as mais queridas. Sim. Experimentei um mau bocado esses dias com uma infecção urinária.
A urina chegou a ficar avermelhada, e o processo de micção apresentou-se um tanto doloroso. Pensei, aqui com os meus botões, se não se tratava de mais um cálculo renal. Já passei uns sufocos com esse tipo de coisa.
Afora os momentos em que me vi forçado a buscar atendimento médico, oportunidade em que fui orientado e tomar bastante água e me foi prescrito um antibiótico, passei a maior parte de alguns dias na penumbra. Hoje me sinto bem, a urina está normal. Nenhum desconforto na hora de verter água.
Neste minuto em que escrevo este relato, nos acréscimos do segundo tempo, penso em uma dúzia ou mais de amigos que não vejo há um tempo. Por onde andarão a esta hora? Torço que estejam em paz e com saúde. Sinto falta em especial de Bernadete Lino, pessoa do meu coração e com a qual não troco algumas ideias no WhatsApp por única negligência minha.
Bernadete, que não conheço pessoalmente, é um presente que este espaço de opinião e cultura me deu. Foi por aqui, no Canal BCS, que nos encontramos e ficamos próximos, ainda que longe centenas de quilômetros. De minha simples leitora, a exemplo de alguns outros, Bernadete se tornou uma amiga por demais querida e que sempre me transmite coisas boas. Um beijo para ela.
Aqui repito o assunto dizendo que me sinto afortunado pelos amigos que tenho. Não citarei outros nomes, pois a lista ficaria muito comprida, entretanto cada um deles sabe o quanto são admirados e amados. Escrevo e vou bebericando o café que fiz há pouco. As janelas e portas se encontram abertas e um vento suave e matutino circula pela casa toda. Continuo com a roupa de dormir e ora me agrada o rumo que este relato tomou. Que hoje o sol brilhe em todo o seu esplendor.
Marcos Ferreira é escritor
























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