Notícia triste, passada pelo procurador-geral do Estado, Antenor Roberto: Antenor Fernandes de Medeiros, seu pai, despediu-se da vida nessa quarta-feira (9). Veja abaixo o registro de vida e óbito, nas palavras do filho:
Ontem, 9, meu pai Antenor Fernandes – Nozinho para muitos – , encantou-se aos 98 anos bem vividos. Nascido de um digno casal sertanejo, “Seu Quinino e Dona Vereana”, no nosso querido Seridó e na aprazível Currais Novos, usufruiu de uma vida simples e resiliente no semiárido sertanejo, a partir da Fazenda Emas. Levado aos estudos, tornou-se servidor municipal, dono de bar e, após essas experiências, em Currais Novos, veio morar em Natal para ser bancário estadual.
Foi casado há quase 70 anos com Dona Rachel -, namorada encontrada entre tantas moças que frequentavam a Praça Cristo Rei. O namoro nasceu porque foi no dedo dela que coube a aliança que papai levava no bolso preso a uma corrente, e que pertencera à sua primeira noiva então falecida.
Essa aliança, mamãe usa até hoje desde o matrimônio. Somos em seis filhos e, com nosso genitor, tivemos lições de altivez, dignidade, honestidade, lealdade, cumprir compromissos e obrigações. Foi um pai do seu tempo, e sempre garantiu e preservou a família, com a renda de empregado do extinto BDRN e, por algum tempo, dirigindo táxi. Seu hobby era a cerveja nos fins de semana e foi na mesa de bar que construiu suas maiores amizades. Embora fosse de poucas palavras, sempre reservava algumas para uma pitada de irreverência, uma de suas marcas.
Para a família, era guardado os domingos na praia e, na volta, um guaraná com um vatapá ou outro tira-gosto para compartilhar, no antigo Gramil. Outros bons momentos em família e com os amigos dele foram nos verões da Redinha, na rua Bauru, numa casa simples e várias vezes ampliada, que chegou a abrigar dezenas de pessoas entre filhos, netos, cunhados, sobrinhos e agregados.
Apesar da asma crônica desde os 30 anos, sua energia e hiperatividade só tinham pausa na curta soneca pós-almoço. De homem jovem vaidoso, quando veio a maturidade com família grande e orçamento curto, foi ficando mais despojado. Acreditava ser um grande artesão e produziu “peças inesquecíveis”, para servir de bancos, cadeiras e prateleiras. Era encanador, eletricista e marceneiro. Depois, com o cansaço da idade, virou dono de casa e passou a ajudar mamãe nesses afazeres. A cerveja, seu principal hobby, o acompanhou até que nos últimos dois anos de vida quando foi se desligando cada vez mais deste mundo.
Viveu uma vida possível nas suas condições e do seu próprio tempo, até a exaustão do seu corpo, quase centenário. Quando preciso, seus filhos não lhe faltaram. Até o último suspiro, procuramos mitigar as dores e sofrimentos decorrentes de internação no hospital. Estamos conformados por sua vida longeva, simples e feliz ao seu modo.
Amar também é saber deixar partir para interromper dores e sofrimentos.
Obrigado, Pai. Siga na luz.
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