Por Ênio Sinedino (Diretor da 96 FM de Natal)
No Rio Grande do Norte, três nomes disputam de verdade o governo. Alysson Bezerra (UB), ex-prefeito de Mossoró, que as pesquisas colocam na frente. Álvaro Dias (PL), ex-prefeito de Natal, no encalço. E Carlos Eduardo Xavier (PT), o Cadu, ex-secretário da Fazenda de Fátima Bezerra (PT), agarrado a números, que quando muito, chegam a dois dígitos.
Detalhe: sobre Cadu pesa uma rejeição ao governo que ele representa que beira os 65% — mancha que nenhuma assessoria de imprensa maquia com perfeição.
Essa é a fotografia do momento. Mas o filme ainda nem começou a rodar, e quem o dirige não é o eleitor distraído de junho. É o cronômetro de setembro.
Há uma verdade que os marqueteiros sabem e os candidatos fingem esquecer: eleição majoritária no Brasil não se ganha só no palanque de madeira, nos conchavos politicos.
Ganha-se, sobretudo, no palanque eletrônico — os segundos de rádio e televisão do horário gratuito. É ali, na sala de jantar, no carro a caminho do trabalho, na cozinha com a novela em pausa, que o eleitor forma sua opinião. E esse eleitor, convém lembrar, é a imensa maioria.
O tempo de propaganda não é detalhe técnico. É um dos ativos mais valiosos da campanha — e o único que dinheiro nenhum compra fora da urna. Ele se conquista antes, na aritmética fria das alianças, porque se distribui conforme o tamanho da coligação. Traduzindo: quem soma mais partidos, fala mais; quem fala mais, repete; e em comunicação quem repete, convence.
Por isso o dado mais importante desta eleição não está em pesquisa de intenção de voto nenhuma. Está na partilha do tempo. Alysson Bezerra deve concentrar quase metade de toda a propaganda eleitoral gratuita. Atrás de Alysson, no relógio — depende de um nome que ainda não se pronunciou: Ezequiel Ferreira, presidente da Assembleia e dono da chave do PSDB local.
O apoio dele não vale apenas um abraço festivo ou uma foto sorridente. Vale segundos. Vale a diferença entre Álvaro e Cadu. Daí o silêncio calculado: quem tem o que os outros precisam não tem pressa, tem oferta e procura. Cada dia sem anúncio é um dia em que dois pré-candidatos gritam o lance maior.
Para Cadu, a matemática é mais complicada. Mesmo que arrebanhe o PSDB e ganhe tempo, terá de gastá-lo primeiro para drenar 65% de rejeição antes de construir qualquer voto. A aposta, então, é trocar de fiador: diante da rejeição ao governo Fátima, Cadu buscará em Lula no palanque a sua boia de salvação, na esperança de que o capital do presidente no estado cubra o passivo que carrega em casa. É uma jogada compreensível — mas arriscada. Boia de salvação só funciona enquanto quem a empresta está flutuando; se o vento federal virar, os dois morrem abraçados.
Política, é verdade – é feita de propostas, biografia, máquina, sorte e timing, e seria leviano fingir que nada disso pesa. Mas há um peso que se mede em segundos e quem fala mais, com raras exceções, é quem o eleitor lembra na hora de votar.
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