segunda-feira - 27/07/2026 - 08:00h
Menos, gente

A força do volume na campanha eleitoral e a realidade final nas urnas

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

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As campanhas eleitorais mudaram profundamente nas últimas décadas. Redes sociais, marketing digital, inteligência artificial e comunicação instantânea transformaram a forma de disputa do voto. Mas alguns métodos, lendas e conceitos permanecem intactos nas lutas pelo voto e no imaginário popular.

Um deles é a crença de que “fazer volume” em comícios, convenções e carreatas significa sucesso eleitoral ou até antecipação da vitória.

Menos, gente.

No passado, sobretudo no interior, candidatos gastavam fortunas para transportar manifestantes de cidades vizinhas. Ônibus, caminhões, carros e todo tipo de veículo reforçavam a plateia. Distribuir combustível para abastecer carreatas era prática tão comum quanto pedir votos. Fiscalização precária — ou convenientemente míope — ajudava a alimentar esse modelo.

O tempo passou. A ilusão da quantidade, porém, continua. Seguirá imutável, creio, por tempos e tempos…

No fim de semana, as convenções de Cadu Xavier (PT), Allyson Bezerra (União Brasil) e Álvaro Dias (PL), em Natal, foram apresentadas por militantes e pela mídia alinhada como as maiores de todas. Cá para nós e o povo da rua: todas tiveram públicos numerosos e agitados. Ao gosto de cada um, a ponto de se afirmar ‘com segurança’ que essa ou aquela foi a maior.

E daí?

Convenção é, antes de tudo, uma festa política. Serve para mobilizar a militância, atrair indecisos, estimular apoiadores e, se possível, causar algum desconforto nos adversários. Passa ideia, sim, de força. Ou de falta dela. As entrelinhas é que precisam ser enxergadas e analisadas fora de cada bolha.

Na juventude, no interiorzão, comício, passeata e carreata eram nosso shopping center. A gente ia a todos. Era diversão.

Depois, ao longo de mais de quatro décadas no jornalismo político, continuamos observando aqui e ali a disputa para saber quem reuniu mais gente. Dava manchete, mexia com a opinião pública. O marketing, sem a tecnologia instantânea e cinematográfica de hoje, recorria até a fotomontagens e enquadramentos calculados para esticar multidões nos jornais impressos ou em vídeos na televisão.

No fim das contas, porém, havia um único lugar onde tudo era conferido e tínhamos finalmente uma certeza: a urna.

Até lá, só uma pessoa não podia acreditar na própria propaganda enganosa que irradiava: o candidato. Nem todos conseguiam. Nem todos conseguem.

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Categoria(s): Opinião / Opinião da Coluna do Herzog / Política

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