sexta-feira - 19/06/2026 - 07:20h
Atentado em Mossoró

O paradoxo da eficiência da segurança pública do RN

Crimes se avolumam e as respostas à sociedade ocorrem, mesmo, em casos de grande apelo público (Foto ilustrativa de coleta de material à perícia)

Crimes se avolumam e as respostas à sociedade ocorrem, mesmo, em casos de grande apelo público (Foto ilustrativa de coleta de material à perícia)

O caso do atentado contra o vereador mossoroense Cabo Deyvison (PL), que resultou ainda na morte do seu assessor Alyson Dyego de Oliveira Morais, 37 (veja AQUI), já se firma como um paradoxo da Segurança Pública do Estado do RN. A nítida eficiência na prisão de dois suspeitos que confessaram participação no crime (veja AQUI), e descoberta de armas possivelmente usadas por eles (veja AQUI) – em menos de 72 horas – é algo incomum.

Com o fuzilamento de Alyson Dyego, Mossoró somou a alarmante marca de 73 homicídios – boa parte com perfil de execução – esse ano. A enorme maioria dos casos segue pendente de elucidação, pouquíssimas pessoas foram presas e apreensão de armamento/munições também não é significativa.

Parece lugar-comum, mas as estatísticas mostram que faz sentido se afirmar que o Estado se vê pressionado a resultados, quando o enredo envolve vítima (as) com notoriedade pública/social. Eis o exemplo do Cabo Deyvison, com noticiário que ganhou projeção nacional através de portais e redes de televisão do país.

Na autopropaganda quanto à competência, governo e governadora Fátima Bezerra (PT) caíram na própria armadilha do discurso, plasmada em nota que ela publicou (veja AQUI). No texto, a governante prometeu “empenho total das nossas forças de segurança para que deem uma resposta rápida ao caso e que o crime seja investigado com todo rigor pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).”

Nos demais casos em que figuram nomes comuns, muitos dos quais já com antecedentes criminais, não existe também “empenho total” do Estado? Pelo visto, não. As páginas que cobrem a rotina policial em Mossoró e no RN criaram dois hábitos na abordagem desses crimes que denunciam esse alheamento.

Um: concluem postagens/reportagens repetindo que não existem maiores informações sobre o fato e que a DHPP vai apurar tudo.

Dois: simplesmente não dão sequência à apuração jornalística, como a gente via e trabalhava há alguns anos, quando jornais impressos dominavam a cena informativa. Talvez não o façam até por desencanto. É mais fácil esperar a queda do próximo corpo. Melhor repetir que a vítima foi morta por facção e assunto encerrado, como se não fosse necessário esclarecer tudo.

Que tudo realmente avance e testemunhemos o “empenho total” como regra e não exceção. Que o medo, sobretudo na periferia, não seja a rotina dos cidadãos de bem, reféns do crime e desencantados com o Estado que deveria lhe proteger.

Que assim seja.

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Categoria(s): Política / Segurança Pública/Polícia

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