quinta-feira - 22/10/2026 - 12:30h
ESTÁ NA HISTÓRIA

O zoológico retórico da política brasileira e o “Sapo Barbudo”

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

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A política brasileira está repleta de bichos. A fauna é tão diversa quanto o próprio bioma nacional em Caatinga, Mata Atlântica, Cerrado, Floresta Amazônica, Pampas etc. Agora, transformar contendor em “animal” para depreciá-lo, ridicularizá-lo, não costuma ser um acerto.

A lição histórica não é simplesmente que apelidos depreciativos dão errado. Costumam dar errado. O destino de uma provocação depende do contexto, da capacidade de quem a utiliza para controlar a narrativa e do que acontece depois da frase. Um exemplo incomum é o do ex-governador do RS e do RJ, Leonel Brizola (PDT), que criou a figura do “Sapo Barbudo”, adesivado por ele em Lula da Silva (PT). O bichinho entrou pro anedotário e folclore políticos.

Em 1989, PT e PDT lutavam no mesmo campo político. O PT nascera dizendo que era ruptura com o velho trabalhismo getulista, rumo ao socialismo, e o brizolismo via o petismo como sectário e sem história. Lula e Brizola não fecharam acordo para o primeiro turno no pleito à Presidência da República.

O ex-governador alagoano Fernando Collor de Mello (PRN) foi o mais votado no primeiro turno e Lula passou para o 2º com ele. Deixou Brizola fora por uma diferença pequena. O petista empalmou 17,19% dos votos válidos e o pedetista 16,51%.

Justificando o apoio a Lula no segundo turno, mesmo depois de tanta divergência, Brizola disparou durante Congresso Nacional Extraordinário do PDT, no Rio de Janeiro, em novembro de de 1989: “Um político de antigamente do RS, o senador Pinheiro Machado, disse que a política é a arte de engolir sapos. Não seria fascinante fazer esta elite engolir o Lula, esse sapo barbudo?”

O xingamento virou argumento e a rivalidade virou aliança.

Mesmo assim, Collor venceu.

Em 1998, Lula concorreu à presidência pela terceira vez e adivinhe quem foi o seu vice? Ele mesmo: Brizola. Entretanto, mesmo juntinhos, não derrotaram Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que foi reeleito.

O episódio do Sapo Barbudo revela como na política, uma fala infeliz/inoportuna/maldosa nem sempre permanece nas mãos de quem a pronuncia. Por mais que cause estragos eleitorais ao próprio autor ou machuque a vítima, é no domínio público que ganha vida. Nasce e morre. Ou se eterniza com mutações que nem sempre caracterizam uma “evolução da espécie”. O zoológico retórico da política brasileira é infindável. Tem de tudo: Sapo, Touro, Calango…

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Categoria(s): Política

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