O Flamengo é hexacampeão. Não, não cola eco do tipo "eu já sabia". Mas o que vale é o resultado final. Merecido, que se diga.
O time de maior torcida no país teve méritos para chegar ao último jogo e, ao título, só dependendo de si.
Cresceu no momento certo.
Em boa parte da competição, o Fla não era reconhecido como grupo capaz de levantar a taça. Até mesmo sua torcida rosnava, inquieta, com a instabilidade da equipe.
Aos poucos, já no segundo turno, uma conspiração de fatores foi desenhando as cores rubro-negras para o hexa. A começar pelo "desabamento" de favoritos como São Paulo e Palmeiras. O Atlético-MG nunca me enganou e o Internacional sentiu a falta de Nilmar, um diferencial considerável.
Este foi, os números provam, o campeonato de menor nível técnico desde a escolha dos pontos corridos como regra basilar da competição. Faltaram craques, sobraram chutões, retrancas etc.
Entretanto a fórmula com várias opções de disputa dentro da disputa, sustentou o campeonato em alta dose de adrenalina até hoje. Não está em jogo só o título. Aí se concentra o segredo dessa emoção superlativa, apesar dos pontos corridos.
No Brasileirão existem quatro vagas para a Libertadores e mais sete para a Sulamericana. Lá embaixo tem ainda o "alçapão" com quatro times excluídos para a Série B.
Em síntese, de novo a magia do futebol envolveu milhões de pessoas em estádios, diante da TV e com radinho de pilha (ou Internet à mão). O ópio do povo é um delicioso e salutar vício.
P. S – Meu gostinho particular foi ver o Fluminense readquirir o respeito das outras torcidas, renovar a paixão do seu torcedor, exumar a força de sua tradição e mostrar que o "impossível" não é tarefa para fracos. Sua trajetória hercúlea é uma epopeia. Mantém-se na Série A quando os números indicavam que tinha 98% de chances de cair.
P.S – Aplausos ainda para o valente Botafogo, que superou muitas deficiências e problemas internos, para atropelar os autosuficientes paulistanos do São Paulo e Palmeiras.
P.S – Não se pode ignorar a serenidade de Andrade, o ex-jogador e hoje treinador do Flamengo, que prova como pode ser simples a tarefa de conduzir gente, transformar um amontoado de pessoas num time. Não podia ser diferente com quem foi craque elegante, técnico e inteligente. Nada é por acaso.
P.S – Ainda é interessante assinalar, que esse campeonato pune a soberba e o mau humor de técnicos como Murici Ramalho (Palmeiras) e Vanderley Luxemburgo (Santos), que inexplicavelmente são rabugentos, apesar do ganho mensal superior a R$ 500 mil. Vá entender.

























