Rocambolesca a relação entre os poderes no Brasil. De novo estamos diante de uma crise institucional. É assim que a imprensa gosta de alardear.
Na verdade, não se trata de uma colisão entre Baixa Câmara e Alta Câmara o novo enredo de arenga. É coisa pior.
Ontem, a Mesa da Câmara dos Deputados decidiu que não assina emenda constitucional para aumento no número de vereadores pelo país. À madrugada do dia passado, o Senado aprovara a matéria que já fora endossada anteriormente pelos deputados. O caso vai parar no Supremo Tribunal Federal (STF).
Sinteticamente, não é arriscado ratificar o que sempre tenho escrito no Blog e expressado em outras mídias: estamos longe de ser uma democracia. Para que pudéssemos tratar o ambiente político-social brasileiro como tal, precisaríamos de instituições realmente autônomas, fortes, harmônicas e atuando apenas dentro da sua raia legalista. Isso não ocorre no Brasil.
As fontes das normas costumam ser os interesses particulares ou de grupelhos, plutocratas, lobistas. O executivo legisla em lugar do parlamento; o judiciário às vezes faz leis e o legislativo ganha projeção com mensalão e gastos faraônicos, entre outros vícios.
Câmara e Senado agora, por exemplo, não demonstram, cada uma a seu modo, um suposto zelo à lei. Exprimem vaidade pessoal e revelam pouco caso com o papel que deveriam cumprir.
São uma vergonha.
Poucos escapam. Raramente atendem às aspirações populares no papel de legisladores, costumam representar interesses espúrios e empurram a incipiente democracia brasileira para o quarto de despejo.
Pobre Brasil.

























