Por Odemirton Filho
Desde criança eu gosto de guardar o silêncio. Sempre fui de poucas palavras; talvez seja timidez. Na verdade, gosto de escutar, pois, ao ouvir, aprendo. Além disso, conheço um pouco o meu interlocutor, seu pensamento, suas ideias, seus sonhos.
Há quem goste de falar, falar, falar. Fala tanto que consegue se perder no labirinto de suas palavras. De tanto falar, perdem o rumo da prosa, o fio da meada. Existem aqueles que querem dominar o assunto, sobretudo, nesses tempos de polarização político-eleitoral. Há, também, os alunos da escolinha do professor “Rolando Lero”.
De minha parte, no entanto, prefiro ruminar, ponderar, para, somente depois, emitir alguma opinião. Isso, é claro, se tiver algum conhecimento sobre o assunto debatido. Acho singular quem conduz a conversa numa boa, sem querer ser o dono da razão, pois é desagradável um diálogo quando um dos interlocutores só gosta do monólogo.
A troca de ideias, analisando o mundo real, sem a construção de narrativas ou a defesa intransigente de um ponto de vista ou de uma pessoa, torna a conversa agradável e construtiva, mesmo com opiniões divergentes. Por outro lado, em um diálogo no qual o vazio de ideias prevalece não há o que se lucrar. Não esqueçamos que as palavras têm força, iluminam ou obscurecem, alegram ou entristecem a alma, podendo machucar alguém do nosso bem-querer.
No mesmo compasso, eu procuro escrever crônicas economizando as palavras. Um texto, acredito, deve dizer muito em poucas palavras. É certo que nem sempre conseguimos, pois a construção de um artigo necessita de paciência, de lapidação, garimpar as palavras. De mais a mais, a maioria dos leitores, diante da correria do dia a dia, não aprecia textos extensos, ou seja, gosta de objetividade.
No entanto, não é fácil ser conciso. Muitas pessoas precisam de uma ruma de palavras para, ao final, dizerem pouco. “Quem fala demais dá bom dia a cavalo”, diz a sabedoria popular.
Por isso, eu tento guardar o silêncio; acho que tenho receio de tropeçar nas palavras.
Odemirton Filho é oficial de justiça
























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