quinta-feira - 05/11/2026 - 07:48h
PODER POLÍTICO

Quais as chances de Rogério Marinho presidir o Senado?

Rogério domina a "bolha" do PL, mas precisa avançar numa coalizão além da legenda (Imagem exclusiva produzida com recursos de IA para o BCS)

Rogério domina a “bolha” do PL, mas precisa avançar numa coalizão além da legenda (Imagem exclusiva produzida com recursos de IA para o BCS)

O PL anunciou nessa quarta-feira (4) Rogério Marinho como candidato à presidência do Senado, na eleição marcada para 1º de fevereiro. Ele terá como concorrentes Davi Alcolumbre (UB-AP), que busca a reeleição, e Tereza Cristina (PP-MS), também alinhada à direita. Quais as chances de Rogério Marinho presidir o Senado?

Sem a eleição de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência do país, o “favorito” Marinho vai lidar com a adversidade da mão poderosa do Palácio do Planalto, além da própria caneta do atual presidente Davi Alcolumbre. Outro agravante é a concorrência de Tereza Cristina, que deve dividir os votos do campo de centro-direita.

Ela representa uma possibilidade de composição política que ultrapassa a bancada bolsonarista, onde Rogério Marinho é soberano. É sua “bolha”.

Para ser eleito, o candidato precisa conquistar a maioria absoluta dos votos, ou seja, 41 de 80 votos. Marinho precisa de pelo menos mais 12 votos. Em tese, claro. Isso, se o PL realmente fechar com ele e alguns senadores resistirem à tentação da perfídia.

A eleição de 1º de fevereiro de 2027 será, antes de tudo, uma disputa por coalizões. E o PL ainda precisa demonstrar que seus 29 senadores podem se converter em uma maioria de 41 votos.

Pontos delicados

Vamos resumir e enxugar os pontos mais delicados para Rogério Marinho chegar à eleição de presidente do Senado. Anote aí o que enxergamos:

1. A ausência de Flávio Bolsonaro como presidente eleito: Marinho perdeu a perspectiva de contar com um aliado no Planalto para fortalecer seu projeto político.

2. A concorrência de Tereza Cristina: ela pode atrair parlamentares que não necessariamente acompanhariam uma candidatura identificada exclusivamente com o bolsonarismo. Se sua candidatura vai até o fim, é uma incógnita. Pode recuar para apoiar Marinho.

3. A capacidade de articulação de Alcolumbre e os meios disponíveis pesam muito. O atual presidente não depende exclusivamente da base governista. Construiu relações com diferentes setores do Congresso.

4. A divisão interna da direita é uma realidade. O PL tem uma bancada expressiva, mas precisa administrar divergências e evitar dissidências.

5. O voto secreto é sempre um anteparo às mudanças de lado. Mesmo senadores que publicamente manifestem apoio a Marinho podem votar em Alcolumbre. O inverso também é verdadeiro. logicamente.

O que é o Senado

O Senado Federal é a Casa onde os estados se encontram em pé de igualdade dentro da República, com 81 senadores, três por cada estado e pelo Distrito Federal, eleitos para mandatos de oito anos. Cabe a eles não apenas revisar e aprovar as leis que saem da Câmara dos Deputados, mas também exercer o papel de contrapeso institucional do país. A chamada Alta Câmara pode julgar autoridades, sabatinar ministros do Supremo, embaixadores e dirigentes de agências, e garantir que nenhum estado, por maior ou menor que seja, seja engolido pelo peso populacional dos outros.

Veja no gráfico abaixo a composição atual do Senado e como ele ficará na próxima legislatura:

Gráfico da Agência Senado

Gráfico da Agência Senado

Leia também: PL terá 36% do Senado e governo precisará atrair mais apoios

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Categoria(s): Política

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