Por Bruno Ernesto

Pedro Bezerra Sobrinho tem 95 anos e é um mestre em ofício que parece estar desaparecendo (Foto: Bruno Ernesto)
Pedro já foi pescador, apóstolo, navegador, ator, escultor, estudante e tantos outros.
Admiro tanto o significado deste nome, que é simbólico e ao mesmo tempo simples, que meu filho é Pedro.
Já encontrei vários Pedros nessa vida, e até já me pus em frente ao Pedro que descanse Pedro, Petrus, Pietrino
Pedro já foi pescador, apóstolo, navegador, ator, escultor, estudante e tantos outros.
Admiro tanto o significado deste nome, ao mesmo tempo tão simbólico, porém simples, que meu filho é Pedro.
Parece que Pedro é atemporal. Tanto pode ser Seu Pedro, quanto Pedrinho. Mas chamo o meu de Dandão.
Do mais simbólico, tive uma conversa reservada abaixo do altar principal e do Baldaquino de Bernini.
Os demais Pedros, encontro todos os dias, cada um com a sua importância e simbolismo.
Há um Pedro, todavia, com quem posso interagir e observar de uns anos para cá, cuja a simplicidade e aparente fragilidade, me fazem vez ou outra passar à sua porta, nem que seja para dar um oi.
Exceto na hora da sua siesta.
Seu Pedro Bezerra Sobrinho é um senhor de noventa e cinco anos de idade.
Natural de Campo Grande/RN, foi criado no Sítio Laje, vizinho ao Sítio Chafariz, na zona rural de Mossoró.
Encontrei Seu Pedro enquanto procurava um sapateiro para consertar um sapato que estimo muito.
Nos fundos da Catedral de Santa Luzia, me apontaram o dedo em direção ao famoso beco das frutas.
-Ali, naquela esquina. Praticamente o último sapateiro da cidade.
-Fale alto, e pausado, que ele não escuta bem.
-É flamenguista.
Há mais de sessenta anos é sapateiro, está no atual há cinco anos.
Mora lá sozinho, num pequeno anexo, que muito me lembrou o anexo da casa de Anne Frank. Pelo menos a sensação que tive foi a mesma, quando vi um e outro.
Trabalha e mora no prédio, tem oito filhos, dos quais seis vivos.
Nessa minha última visita, além do filho que o ajuda no ofício, o filho mais velho estava lá, mas se despediu avisando que precisaria voltar para Natal.
Trabalhou muito tempo como vendedor da A Passarela, percorrendo o Vale do Jaguaribe (Russas), Paraíba e o próprio Rio Grande do Norte.
Falou com uma certa nostalgia que trabalhou para várias fábricas locais, mas que a sola subiu de preço e a sola de borracha arruinou o mercado de vez.
-Entrou a sola de borracha, e veio o tênis. Acabou com tudo.
Fazia sapato por encomenda para os moradores de Mossoró, mas contou que a última encomenda foi há 40 anos.
Ficou viúvo há dezoito anos. Casou só 1 vez.
-Dá certo não!
Seu Pedro Bezerra é o Pedro que nos lembra a simplicidade da vida.
Apesar da longa estrada, ainda segue firme no ofício de sapateiro, rumando para os noventa e seis anos de idade no próximo dia treze de maio.
Não é que não se precise mais de sapateiros. O que precisamos é de mais Pedros.
Bruno Ernesto é escritor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertao.com @ihgmossoro @marsertaoblog























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