A vereadora Sandra Rosado (PSB) voltou a sonhar em, novamente, ocupar assento na Câmara Federal. Algo possível, sim. Mas extremamente difícil numa análise mesmo pueril.
As eleições de 2018 seriam esse trampolim para ela, que já esteve nesse poder em três mandatos. Não se reelegeu em 2014.
A prisão de Henrique Alves (PMDB), ex-presidente da Câmara Federal, praticamente o alija de uma vaga tida como “certa”, podendo abrir espaço à acomodação de outras forças – como a exumação de Sandra e seu grupo. O Rio Grande do Norte tem oito assentos de deputado federal.

Larissa, Henrique e Sandra: articulação de Henrique puxou Larissa e agora pode viabilizar Sandra (Foto: arquivo)
Mesmo bastante descapitalizada eleitoralmente e financeiramente, a saída de Sandra pode ser abrir caminho através de um “chapão”, costura já realizada no passado pelos dinossauros da política potiguar, barateando campanhas e oportunizando eleição dos mesmos nomes.
Paralelamente, não deve ser esquecido ainda, o projeto de reeleição de Larissa Rosado (PSB) à Assembleia Legislativa. Filha de Sandra, ela não se reelegeu em 2014.
Ardilosa articulação
Larissa foi içada novamente a esse parlamento no início deste ano, como desfecho de uma ardilosa articulação feita por Henrique nas eleições municipais de Natal e Mossoró ano passado (veja AQUI: ‘Consórcio’ Alves-Maia-Rosado planifica poder para 2018). Ele espera delas em 2018 a contrapartida, e não o contrário.
Noutro ângulo de análise surge mais um complicador para a vereadora e ex-deputada: ela hoje é uma neorosalbista. Integra bancada e grupo da ex-adversária por quase 30 anos, prefeita Rosalba Ciarlini (PP), que tem o sobrinho-afim Beto Rosado (PP) como seu candidato à reeleição à Câmara Federal.
Prioridades de Rosalba
A prioridade de Rosalba é Beto à Câmara Federal e tende a lançar sua filha e atual secretária da Ação Social, Lorena Ciarlini Rosado (PP), à Assembleia Legislativa. Sandra e Larissa têm que se virar sozinhas, se reinventando político-eleitoralmente.
Até 2014, os grupos de Sandra e Rosalba, primas e contendoras políticas, fabricavam laboratorialmente uma disputa majoritária entre seus candidatos à Câmara Federal, numa emulação que beneficiava os dois lados em Mossoró. Sempre tinham os candidatos mais votados em Mossoró, com grande acervo de votos à eleição de cada um. Começaram nessa “dobradinha” em 2004.
Walter, Fábio, Jácome, Zenaide, Beto, Rafael, Felipe e Rogério Marinho compõem atual bancada (Foto: montagem)
Bancada Federal – Os atuais deputados federais do RN são estes: Felipe Maia (PDT), Rogério Marinho (PSDB), Walter Alves (PMDB), Antônio Jácome (PMN), Beto Rosado (PP), Fábio Faria (PSD), Rafael Motta (PSB) e Zenaide Maia (PR). Desses, provavelmente Zenaide será candidata ao Senado por outra sigla. Os demais devem tentar a reeleição.
Dessa feita, se Sandra conseguir fôlego mínimo para ser candidata, não terá a seu favor essa atmosfera de disputa para provocar o eleitorado mossoroense a se dividir fartamente entre ela e outro Rosado. É possível que amealhe bem menos votos “contra” o “adversário” Beto Rosado.
Em 2006, por exemplo, ela empalmou em Mossoró 19.852 votos, contra 28.709 votos do seu primo Betinho Rosado (então no DEM, hoje presidente estadual do PP e pai de Beto Rosado). Já em 2010, conseguiu 25.072. Betinho alcançou 32.245.
“Duelos” de faz-de-conta
Em 2014, Sandra “enfrentou” Betinho Segundo, que depois de eleito adotou o nome político de Beto Rosado. Em Mossoró, ela somou 18.271 votos, contra 15.321 de Beto/Betinho.
Os tempos são outros. Os “duelos” de faz-de-conta provavelmente não terão o mesmo efeito no próximo ano, se forem outra vez reeditados.
Leia também: Após quase 70 anos, Mossoró pode ficar sem nome na Câmara Federal (AQUI).
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