Quem é Rebeca?
Rebeca é uma menina pobre que sempre aparecia pedindo comida, chinelo e roupa usada. Tinha um olhar angelical num rosto marcado pela fome. Os seus cabelos finos fios de arame.
Na boca o riso dos inocentes.
Faz tempo que Rebeca não aparece e o meu egoísmo impediu de saber onde Rebeca mora. Eu até perguntei, mas ela dizia que era muito longe. E assim a minha curiosidade morria. Morria facilmente, porque na realidade eu queria mesmo era amortecer a minha consciência.
Um dia dei a Rebeca um caderno, um lápis e um livro infantil cheio de figurinhas. Seus olhos de anjo encheram-se de brilho.
Observei que Rebeca olhava apenas as figurinhas.
Rebeca deixou de aparecer e fiquei imaginando que isto aconteceu porque a Assistência Social estava ajudando a família dela.
O que a gente não é capaz de fazer para tentar enganar nossos sentimentos?
Vejo que estão anunciando vacina para jovens. Em breve chegará a vez da Rebeca se vacinar.
Penso em ir pegar a Rebeca, menina com olhar de Santa, para levá-la ao centro de vacina. Nesse momento lembrei-me o quanto fui egoísta nunca tendo ido até a casa da Rebeca.
Quantas crianças pobres como ela, em Mossoró, ficarão sem vacina por total falta de recursos para pagar o transporte para si e para o responsável que autorizará a aplicação da vacina?
Como Rebeca vai conseguir dinheiro para quatro passagens se dinheiro não para comida, calçado e roupa?
Rebeca não será vacinada.
E todos rezarão por Rebeca.
Somos cristãos.
Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

















Há muita poeira sobre nossos telhados e espíritos, em nossos olhos e corações. Venham lavar as nossas almas, benditas nuvens. Tragam algumas boas chuvas para esta província de céu escandalosamente azul. Sim, um pouquinho de gris não fará mal a estes longes onde é possível estrelar ovos no asfalto.
Leu e releu, mas não deu para entender a estória que não dizia do que a vaquinha tinha morrido. Apenas dizia que a vaquinha morreu.



























