Desejo demonstrar como profissional da área, o meu estarrecimento, a minha decepção e, sobretudo, a minha preocupação com o que foi feito na área conhecida como Lagoa do Bispo (Mossoró). Quero deixar muito claro, muito cristalino, o meu pensamento acerca do assunto.
Em primeiro lugar, acho importantíssima a implantação da empresa que lá foi erguida, o Híper Bom Preço. Sinal que a diretoria da mesma acredita no trabalho dos mossoroenses. É mais uma que vem oferecer bons serviços à nossa Cidade, beneficiando todos, aumentando a arrecadação e gerando empregos.
Nada contra ela, antes pelo contrário, tudo a favor.
O que me deixa indignado, é o descuido, o despreparo e a incompetência de quem autorizou a execução da obra sem medir as conseqüências do que estaria por vir, aliás, que já começou a chegar, ou seja, a falta da drenagem da água que, logicamente, não encontrará mais um lugar para se armazenar, diminuindo assim, o seu fluxo nas ruas, e as imprevisíveis conseqüências deste excesso.
Todos são testemunhas do resultado catastrófico, até para própria empresa, quando da primeira chuva que caiu em janeiro último. Cercanias alagadas, construção sem acesso, ruas intransitáveis, escola interditada e vizinhança impedida de viver regularmente.
Mas por que abordo o assunto ?
Muito simples. Enquanto vemos São Paulo, Natal e inúmeras cidades construindo os chamados “piscinões" como elemento de drenagem, nós, em Mossoró, nos damos ao luxo de aterrar um que, de forma natural, estava ali, e o povo que se vire.
Não, não considero a liberação do alvará de construção naquelas condições, uma medida pensada. E não venham me dizer que duas ou três bombas resolverão o problema. O sapo é muito grande para engolir.
O que resolve sim, é o aprofundamento da área restante, deixando no mínimo com a capacidade de armazenamento de água antes do impensado aterramento, a concretagem das paredes da mesma e, por último, o lançamento de uma tubulação subterrânea para levar o excesso de água para o local certo.
Somente um Engenheiro Civil Sanitarista tem competência para resolver o problema. Não me sinto no direito de encontrar o (os) culpado (s) pela elaboração do projeto que, de forma muito estranha, esqueceu-se (?) do projeto de drenagem. Apenas digo, como disse acima e reitero, que a prefeitura errou em liberar o alvará de construção sem que o aludido projeto de drenagem fosse apresentado, e, para liberar o “habite-se" fosse constatada a sua execução.
Mas, não adianta chorar leite derramado, o problema está aí, e, a população quer uma solução rápida, com o pragmatismo que o caso requer, caso contrário, corremos até o risco de perder a própria empresa lá instalada que, não trabalhará no prejuízo todo o tempo.
Lembrando um princípio da Engenharia, cito que a “maior chuva não é a que aconteceu e sim a que está para chegar", alerto, sem querer causar pânico a ninguém que, o desastre maior chegará um dia.
Diante do ponto de vista exposto acima, só me resta uma pergunta, “o que será que será?"
Valtércio Anunciato Da Silveira – Ex-secretário de Obras da Prefeitura de Mossoró e engenheiro civil


























