
Flávio tenta ser líder a distância; começa com carta em versões confusas (Foto: Foto: Ricardo Arduengo / AFP)
Do Canal Meio e outras fontes para o BCS
Em uma carta com forte teor golpista, divulgada dos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que não reconhece a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais e defendeu a cassação da chapa formada pelo petista e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Na primeira versão do documento, publicada em sua conta no X, Flávio se apresentou como o “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito”.
Posteriormente, divulgou uma nova versão, substituindo essas expressões por “líder do Brasil” e “líder”. O senador afirmou ainda que pretende comandar a oposição ao governo Lula a partir do território americano. Na carta, Flávio questionou a prorrogação do horário de votação por duas horas.
O candidato derrotado também alegou uma suposta “impossibilidade matemática” no resultado, mas não apresentou evidências. Flávio ainda acusou o Judiciário de perseguição política, negou que sua saída do Brasil tenha sido uma fuga e agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina. (g1)
Contrariando Flávio, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, voltou a afirmar que as eleições de 2026 transcorreram dentro da “mais absoluta normalidade” e que a Justiça Eleitoral garantiu a segurança do processo de votação. Nunes Marques foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro e, durante a campanha, provocou desconforto no TSE com decisões favoráveis ao senador do PL. (g1 e Globo)
Quatro versões conflitantes
Ao menos quatro versões da carta golpista de Flávio Bolsonaro circularam nesta quarta-feira. Os documentos apresentam alterações na forma como o candidato derrotado se identifica, passando de “verdadeiro presidente eleito do Brasil” para “líder do Brasil”. As duas primeiras versões foram divulgadas por aliados do senador e tinham conteúdo idêntico, mas brasões diferentes. Uma delas trazia o símbolo com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”. Na seguinte, a imagem foi substituída pelo brasão da República Federativa do Brasil.
Flávio publicou posteriormente outras duas versões em sua própria conta no X. Na primeira, ainda se apresentava como o “verdadeiro presidente”. Apenas na última abandonou a expressão e passou a se identificar como “líder do Brasil”. (Folha)
Aliados de Flávio Bolsonaro passaram o dia tentando se desvincular se sua carta golpista. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse ter aconselhado o aliado a não deixar o país. “O conselho que nós demos a ele — os advogados, eu, o (Rogério) Marinho, as pessoas que estavam ali reunidas — foi que ficasse (no Brasil)”, afirmou, ressaltando que não julgava a atitude do senador.
Em entrevista ao Estadão, Tarcísio admitiu pela primeira vez a possibilidade de concorrer à Presidência em 2030. “Terminando bem o segundo mandato, obviamente abre uma possibilidade. Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, não sozinho”, disse. Mais tarde, ao tomar conhecimento da carta de Flávio Bolsonaro, o governador soltou uma nota dizendo ser necessário “respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”. (Estadão)
Partidos de todos os matizes políticos se manifestaram na quarta-feira contra a carta de Flávio Bolsonaro. O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, divulgou nota à imprensa afirmando que a democracia é “um valor inegociável” para o partido. Líderes de PSD, PSDB e MDB seguiram no mesmo tom, enquanto a esquerda divulgou uma nota conjunta. “O Brasil não é quintal de ninguém, e a vontade soberana do povo brasileiro será respeitada”, diz nota assinada por PT, PC do B, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT. (Globo)
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O bispo JB Carvalho, líder da Comunidade das Nações, igreja de Brasília frequentada por Flávio Bolsonaro, também repudiou o tom da carta de seu fiel. No Instagram, Carvalho disse que as eleições terminaram e que não há “terceiro turno”. “Vamos viver a vida. Pare de profetizar o caos”, completou. Segundo o Painel, aliados e interlocutores do senador consideram a atitude dele “perigosa”. Coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) disse que nem ele nem seu partido podem afirmar que houve fraude na eleição. (Folha)
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