sexta-feira - 02/10/2026 - 10:50h
Brasil

Globo cancela debate devido “politização perniciosa” do Judiciário

Do Canal Meio e outras fontes para o BCS

Púlpito vazio e cancelamento: um dia de intervenção e politização abusiva da "Justiça" (Foto: Pablo Porciuncula/AFP)

Púlpito vazio e cancelamento: um dia de intervenção e politização abusiva da “Justiça” (Foto: Pablo Porciuncula/AFP)

A TV Globo cancelou o debate entre candidatos à Presidência previsto para a noite desta quinta-feira, após decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) alterarem regras eleitorais e outras que haviam sido previamente acertadas com as campanhas. Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) já estavam na emissora quando o cancelamento foi anunciado. Segundo a Globo, duas notificações recebidas nesta quinta interferiram nas condições estabelecidas para o programa. A primeira foi uma decisão (íntegra) da ministra Estela Aranha, do TSE, que proibiu a emissora de manter vazio o púlpito destinado a candidatos ausentes e de permitir perguntas direcionadas a eles.

A segunda decisão (íntegra), do ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que a Globo incluísse Renan Santos (Missão) no programa. Pelas regras da emissora, o candidato ficaria de fora porque seu partido não atingia a representação mínima no Congresso exigida por lei para convite obrigatório. A Globo mencionou ainda uma decisão anterior (íntegra) do presidente do TSE, Nunes Marques, que alterou o entendimento sobre a contagem de parlamentares para participação em debates e garantiu a presença de Romeu Zema. (CNN Brasil, g1 e Poder360)

Os dois principais candidatos à Presidência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), desistiram de participar do debate antes de a Globo cancelar o encontro. Lula havia confirmado sua ausência na véspera e, na noite de quinta-feira, concedeu uma entrevista ao Flow Podcast. Flávio Bolsonaro, por sua vez, desistiu de participar poucas horas antes do horário previsto para o início do debate. Segundo o senador, a decisão foi motivada pela determinação do TSE para que a Globo retirasse do cenário o púlpito reservado a Lula. Flávio classificou a medida como interferência jurídica por parte do tribunal. (Metrópoles)

Na entrevista que deu ao Flow, Lula criticou o formato dos debates promovidos pela TV Globo ao justificar sua decisão de não participar do encontro. “Eu há tempos tenho questionado os debates da Globo”, afirmou Lula. O presidente disse considerar inadequado reunir no mesmo confronto candidatos com índices muito diferentes de intenção de voto. “Você não pode levar uma pessoa que tem 49% a debater com o que tem 1%”, declarou. Durante a entrevista (íntegra), Lula também se referiu a Flávio Bolsonaro como “desqualificado”. (Folha e Flow)

Já Flávio fez sua própria live (íntegra) e passou a explorar a reação à decisão do TSE sobre o debate da TV Globo para defender o que chamou de “voto da revolta” contra o Judiciário. A estratégia busca atrair eleitores de outros candidatos e tentar concentrar votos suficientes para uma vitória no primeiro turno. Na transmissão, Flávio acusou o TSE de favorecer Lula. “Eles criaram um sistema de bypass, um mecanismo, uma fraude para escolher quem são os ministros do TSE que vão tomar as decisões a favor do Lula. Estão avacalhando as eleições”, afirmou. (Estadão)

Confira parte do que os líderes nas pesquisas disseram em suas respectivas lives. (UOL)

Em editorial, o Globo criticou duramente as decisões judiciais que, de acordo com o texto, levaram ao cancelamento do debate. “Regras prevendo o púlpito vazio também foram adotadas noutros debates na atual campanha e em campanhas anteriores, e não apenas pela Globo. Em todos, foram respeitadas sem queixas. Não há condição de realizar um debate livre se a Justiça intervém horas antes numa afronta à liberdade de imprensa. A politização perniciosa que tem acometido os tribunais superiores no Brasil justifica plenamente a decisão da Globo”, afirma o editorial. (Globo)

Nota do BCS – Eu já vi de tudo, mas ainda não vi tudo. O STF tem torcidas organizadas na sociedade civil, dois grupos de ministros que se rivalizam na proteção de interesses de grupos e partidos e vários deles, pelo visto, não atendem a uma exigência precípua à ocupação do cargo: reputação ilibada.

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Categoria(s): Política

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