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domingo - 18/09/2022 - 13:38h

Maranhão – Capítulo VI

Por Inácio Augusto de Almeida

As largas avenidas bem iluminadas, o passar-passar de carros, o som do reggae, as motos envenenadas dos jovens que, apesar do calor, teimam em usar blusões de couro…

Avenida Beira-Mar em São Luís (Foto ilustrativa)

Avenida Beira-Mar em São Luís (Foto ilustrativa)

Na Avenida Litorânea, a brisa do começo de noite tornava menos quente, para os coopistas, a caminhada do fim de tarde.

Entre os muitos carros que iam e vinham, deu para o menino de cabelos cortados à escovinha ver o grande carro que levava a Viúva Louca para a pizza com guaraná champanhe. Não havia necessidade de olhar a folhinha. Com certeza, o dia era sábado.

Sentiu que aquela Avenida ainda não ganhara um nome definitivo porque esperava que um político de renome nacional se fosse desta para melhor. Tem coisas que só acontecem no Maranhão. Reserva de mercado de nome de Avenidas, Ruas, Cidades. Ou será que ruas vão ser chamadas infinitamente de rua 42, Avenida N etc.? E será que cidades vão manter nomes como São João dos Poleiros, Muriçoca, Curva Grande e Olho d’ Água das Cunhãs?

Cidades que estão cercadas por outras de nomes como: Vitorino Freire, Pio XII, Governador Archer, Gonçalves Dias, Presidente Dutra, etc. E olhe que Eurico Gaspar Dutra não era maranhense. Será que o Presidente José Sarney, maranhense de Pinheiro, maior expressão política do Maranhão em todos os tempos, vai ficar sem ter uma cidade com o seu nome?

O calçadão começava a ficar congestionado. Já não eram apenas os que iam fazer a caminhada diária. Chegavam com a noite os apreciadores de caranguejo, os degustadores de camarão. Os que tinham a felicidade de poder desfrutar daquela brisa, da noite mais que estrelada que só São Luís oferece.

Começou a limpar os vidros. Junto com a brisa vinha uma camada de areia gina que embaçava quase que por completo os para-brisas dos carros que ficava a vigiar. Tinha que fazer isto a cada meia hora. Embaixo do braço o livro. Era nos intervalos que tinha algum tempo para estudar.

Olhou para as luzes de São Luís e lembrou-se de Manuel Beckman, o Bequimão, o maior herói maranhense. Um português nascido em Lisboa, mas que tinha abraçado a causa dos maranhenses mais do que qualquer um outro da terra.

Coisas do Maranhão.

ACOMPANHE

Leia tambémMaranhão – Capítulo I;

Leia tambémMaranhão – Capítulo II;

Leia tambémMaranhão – Capítulo III;

Leia tambémMaranhão – Capítulo IV;

Leia também: Maranhão – Capítulo V.

Inácio Augusto de Almeida – Boêmio/Sonhador

Este capítulo é dedicado ao Marcos Ferreira, maior escritor mossoroense em atividade.

(Continua no próximo domingo)

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Categoria(s): Conto/Romance

Comentários

  1. A de Andrade diz:

    Sarney maior expressão do Maranhão? Isso é analfabetismo cultural e político. Onde ficam Vitorino Freire, Pedro Navarra, Gonçalves Dias, Pedro Ludovico, Catulo da Paixão Cearense? Pra ficar só nesses.

  2. Inácio Augusto de Almeida diz:

    Pedro Nava, mineiro de Juiz de Fora.
    Kkkkkk

  3. Inácio Augusto de Almeida diz:

    Pedro Ludovico, goiano de Goiás.
    Antes que vc venha com outra maluquice, Goiás é uma cidade do estado de Goiás. Por sinal, terra de Cora Coralina.
    Pedro Ludovico lançou a pedra fundamental da cidade de Goiânia.
    Não, não precisa dizer em quem vc vai votar….
    Kkkkkkk

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