Por Bruno Ernesto
Quem costuma andar pelo sertão sabe que o sol dita muita coisa.
Pegar a estrada cedo proporciona um espetáculo particular, um microclima de curtíssimo tempo – talvez nem uma hora – onde a névoa, o ar pesado e o sol frio enganam o semiárido.
Nesse instante, sequer as águas dos açudes, barreiros e açudecos se atrevem a tremer.
Nem mesmo as palhas do carnaubal, do sorgo, milho ou cana-de-açúcar, que passam apressadas pela janela lateral do carro, se atrevem a ficar no diz-que-diz-que.
Quanto mais você se embrenha no meio da caatinga, parece que o sertão vai lhe dando as boas-vindas, vai contrariando a língua Tupi com um multicolorido de fazer inveja às pinceladas de Vincent van Gogh ou às obras de Andy Warhol.
Não à toa serviu como inspiração para Ayala Gurgel, Assis Marinho, Dorian Gray, Newton Navarro e tantos outros.
Repare que até os cactos parecem estender o braço a lhe cumprimentar, como um velho cão fiel, que ali se fincou aguardando o seu retorno.
O passar do dia, porém, vai fervendo o chão, escondendo os Tejos, rolinhas e o cancão.
Vai cansando o gado, espalhando as cabras e estalando a cumieira antes do oitão acalmar, e faz até parecer que o urubu – estendendo as suas asas e com os pés juntos, como quem reza um Pai Nosso – pede para o sol esfriar novamente, para poder alçar voo em busca das vítimas dos infortúnios do dia.
Ora frio, ora quente, o sertão sempre nos espera sorrindo.
Bruno Ernesto é escritor, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertao.com @ihgmossoro @marsertaoblog
























…Dai que a minha Alma foi forjadaa nas entranhas do caliente Sertão, É resultado do silêncio existente entre o relâmpago e o trovão. É quando o silêncio se faz cálculo. O Silêncio nunca deve ser obsequioso, posto que emoldurado pelos envolventes paradigmas do Supremo Arquiteto do Universo. Tenho dito.
Belíssima foto emoldurando o Mandacaru, símbolo sertanejo gravado na memória do Coração. No dia 23 de Março de 2006 convidei os consagrados Poetas do Repente Luiz Campos e Antonio Francisco para preatar-lhes homenagens em Sessão solene da Academia Apodiense de Letras (AAPOL). Os aboleitei em meu modesto Corsa, e como de costumr, parei no sitio Mulungú para bebermos três lapadas do famoso Conhaque São João da Barra, temperado com uns pingos de limão – costume sertanejo. O Certo é que durante o trajeto vislumbrei uma casa de táipa em ruínas, pênsil para o lado direito, prestes a tombar. Com o dedo indicador em riste, falei de improviso para os renomados Vates : Vejam Poetas !. Em toda casa de táipa abandonada MORA UM GRITO DE FOME DENTRO DELA. Não mais que de repente vi os Poetas com os olhos marejados de lágrimas. Com certeza transbordaram os diques de emoção, tecida com fibra sertaneja. Saudade daquele dia. Vivo contando os dias de vida e somando os dias do tempo.
Acredito que foi da minha frase acima que deu origem e inspiração ao grande Vate Antonio Francisco que transformou em versos com o título ” A CASA ONDE A FOME MORA”.