Nessa sexta (31), em plena agência Centro do Bradesco (Mossoró), uma servidora da Prefeitura de Mossoró entrou em erupção. Reagiu contra amputação de seu salário.
– Eu quero o meu dinheiro; não tenho nada a ver com Cidade Junina ou Auto da Liberdade – disse rosnando, espumando, olhos quase saindo da órbita.
Ela esperava receber férias, salário e o 13º. Veio só o que sobrou de descontos e mais descontos.
Muitos em sua volta ficaram paralisados diante daquele brado. E só. Um destempero compreensível, isolado e sem desdobramentos. Mas sem eco. Não há nele validade cívica ou sinalizador de consciência. O bucho falou. E bucho não fala.
O que as pessoas prejudicadas devem fazer é valorizar o sindicato de classe. Fundamental que descruzem os braços e tirem os joelhos encardidos do chão, onde vivem prestando reverência a seus algozes e captores.
Resmungar diante do caixa eletrônico, em casa e em sussurros nas repartições, não vale nada. Vocês continuarão sendo escravos e sabujos de uma récua que só olha pro próprio umbigo.
No próximo ano estarão nas ruas perfumados, com sorriso Colgate, vestidos de ótimas grifes e acenando para mulditões idiotizadas. Como sempre fizeram.
Muitos que se queixam hoje estarão engrossando carreatas, passeatas e corpo-a-corpo. Outra vez botarão adesivos em carro, cartaz na porta de casa e ainda se darão ao requinte de rebolarem com mamãe-sacode à mão.
"Linda, maravilhosa, arrasooou!" – vai ser o grito de guerra, entre outros.
Há anos que neste espaço, no endereço de Blog anterior e no Jornal Página Certa tenho pregado o censo crítico, proposto o debate, açulado-os à reflexão sobre todo esse escárnio.
No começo, há mais de cinco anos, eu era visto por muitos de vocês como anarquista, recalcado e alguém que não tinha conseguido se vender.
O tempo, sempre ele, de novo sopra a favor da verdade. Hoje vocês são vítimas e continuarão sendo amanhã, por absoluta incapacidade de reação e clara adoção da cultura do servilismo e da covardia.
Passam essa herança de pai para filho e condenam as próprias crias ao carma do escravismo voluntário. Parece um bem familiar, hereditário, avoenga. Ficam com as migalhas e ainda se imaginam valorizados.
Deixem de ser frouxos. Sei que a maioria é incapaz de ser solidária com outros que sofrem e são perseguidos, mas pelo menos aprendam a brigar pelos próprios direitos. Do contrário, todo sofrimento será pouco diante de tanta covardia.
Ufa!
Esta terra ainda vai cumprir seu ideal.

























