sexta-feira - 17/04/2026 - 04:28h
Comportamento digital

Se tem sangue, tem audiência e angústia desse lado aí da tela

Boxe criado com recursos de IA para o BCS

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The News para o BCS

“If it bleeds, it leads” — em tradução não literal, “se tem sangue, tem audiência.” É um ditado antigo nas redações de jornal e que, recentemente, ganhou um upgrade.

Um estudo publicado na Nature Human Behavior da Inglaterra analisou mais de 105 mil variações de manchetes para entender o que realmente nos faz clicar nas notícias e adivinhe…

A negatividade é um dos maiores motores de consumo de notícias online.

A pesquisa utilizou milhões de impressões e descobriu que, quanto maior o viés negativo de uma notícia, mais ela engaja. Na prática, e em números:

Para uma manchete de tamanho médio, cada palavra negativa adicional aumenta a taxa de cliques em 2,3%;

Palavras positivas têm o efeito oposto. Cada termo mais positivo reduz a chance de clique em cerca de 1,0%;

Termos como ‘’errado’’, ‘’ruim’’ e ‘’terrível’’ foram os campeões de audiência, superando de longe qualquer variação com ‘’amor’’ ou ‘’lindo’’.

Desde a pré-história…

Mas por que clicamos no que nos assusta?

O cérebro humano é programado para priorizar estímulos negativos como uma ferramenta de sobrevivência. É uma questão biológica.

Na prática, as informações negativas ativam respostas automáticas tal como uma ameaça. Volte aos homens pré-históricos e lembre-se que saber de algo “errado” nos permite planejar e nos ajuda a evitar a dor.

Voltando ao estudo… Foi feita uma análise para entender quais sentimentos específicos movem a curiosidade da audiência.

O resultado mostra que o consumo privado (o que você lê sozinho) difere do consumo público (o que você compartilha).

Ao preferirmos o tom negativo, criamos um incentivo econômico para que veículos de mídia pesem a mão no pessimismo ou no sensacionalismo. Nós pagamos pelo próprio sofrimento, neuras, abatimento psicológico e fragilização emocional como um todo.

Crise fabricada e polarização de laboratório

Até o período pré-pandemia, quando a circulação de jornais impressos ainda era “uma coisa”, o Super Notícias, de Belo Horizonte-MG, conhecido por suas manchetes violentas na capa, era o periódico de maior circulação no país — tudo bem que o preço ajudava.

O fator horror também influencia bastante os temas “Governo e Economia”, já que a exposição constante a manchetes negativas comprovadamente contribui para a polarização política e um sentimento de “crise incessante”.

No fim do dia, o mercado de notícias não entrega o que dizemos que queremos, mas sim aquilo que o nosso cérebro instintivo não consegue parar de olhar.

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Categoria(s): Comunicação / Gerais

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