domingo - 24/05/2026 - 10:50h

Sobre escrever à mão

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

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No último domingo, o programa de televisão, Fantástico, veiculou uma reportagem especial sobre como o hábito de escrever à mão perdeu espaço nos dias atuais. Hoje, poucas pessoas ainda cultivam essa prática, pois utilizam os computadores e celulares para digitar e enviar mensagens.

Foi-se o tempo que escrevíamos à mão cartas e bilhetes. Agora, digitamos as mensagens, enviando-as por meio de um “zap” ou e-mail. Conforme a reportagem, exames mostram que, ao escrever à mão, a atividade cerebral se espalha por diferentes regiões, formando um padrão amplo de conexões. Na digitação, esse padrão praticamente desaparece.

De minha parte, não posso negar que achei foi bom essa mudança. A minha caligrafia sempre foi sofrível, “garranchuda”, quase um hieróglifo. Minha mãe, coitada, gastou uma ruma de dinheiro comprando cadernos de caligrafia a fim de melhorar minha escrita, mas não teve jeito. Muitas vezes, eu mesmo não entendia o que estava escrito.

Quando eu lecionava, sempre usei slides nas aulas, uma vez que escrever na lousa, certamente, não era uma boa opção. Quando me submetia a provas subjetivas, elaborar uma dissertação, por exemplo, tinha que escrever devagar, com receio de não ser entendido pelo docente. Inúmeras vezes levei “batido” dos professores por causa da minha letra.

Quando eu corrigia provas subjetivas, já me deparei com alunos e alunas que tinham uma letra sofrível, quase ininteligível. Nessas horas, sentia-me feliz, pois percebia que não estava sozinho.

No mesmo passo, há vinte anos, quando iniciei a labuta enquanto oficial de Justiça, as certidões das diligências eram lavradas à mão, e eu tinha que ter o maior cuidado para escrever de modo que o magistrado compreendesse o teor.

De sorte, que admiro bastante quem tem uma letra bonita, daquelas que parecem um desenho. Milton Hatoum, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, escreve os seus romances à mão, fugindo dos padrões atuais.

Pode ser impressão, mas quando escrevemos à mão, percebo que fixamos mais o conteúdo que estamos estudando. Por outro lado, digitar, além de ser prático, garante que o texto sairá com um visual apresentável, pelo menos na forma. Enfim, como tudo na vida, sempre há os dois lados da moeda.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica

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