domingo - 23/01/2022 - 12:22h

Sonho?

Por Inácio Augusto de Almeida 

 Acordo cansado. Tanto ou mais cansado do que um maratonista.

Estou cansado e confuso. Imagens mil se sucedem e vejo-me a conversar, amigavelmente, com seres bem diferentes. São simpáticos e falam calmamente. Não têm aquele ar professoral dos que estão a ensinar. No olhar transmitem uma confiança tranquilizadora.  sonhos, ter, família,

Não têm pressa. Dominam o tempo.

Sem que eu nada fale, começam a responder às perguntas.

Você está aqui porque é necessário todos saberem das mudanças iniciadas com a regeneração que finda o tempo da expiação.

Não, não somos religiosos, não estamos pregando uma nova fé.

Quando eu tento me situar emocionalmente, para questionar, ouço, sem que eles emitam qualquer som:

Somos todos irmãos. Estamos aqui para facilitar esta passagem da expiação para a regeneração. Passagem que já fizemos.

Não, não pense que apenas você está sendo comunicado. Vários outros, em todas as partes do mundo, estão sendo contatados e já começam a desenvolver o trabalho de divulgação dos novos tempos.

A expiação agoniza e dá lugar à regeneração que conduzirá vocês ao tempo da felicidade plena já desfrutada por nós.

Totalmente desnorteado, não consigo mais nada questionar. Medo não sinto.

Uma paz me envolve por completo e uma sensação de felicidade me domina. Chego a ter vontade de nunca acabar aquele encontro.

Vejo nos olhos deles um brilho de satisfação, alegria, talvez até mesmo de felicidade. E continuo ouvindo a mensagem:

A época do TER deu lugar ao período do SER. Isto nem todos ainda perceberam. Muitos ainda cometem infâmias buscando o TER, pouco se importando com o sofrimento causado aos irmãos. Ficam tão obcecados em TER e não percebem o fardo a ser carregado.

Sofrem, mas quanto maior o sofrimento mais aumenta a avidez pelo TER.

Observo nos seus olhares terem percebido ter eu ficado confuso. Um riso de compreensão percebo nos seus semblantes. Eles prosseguem:

Muitos já alcançaram o nível do SER. Entenderam a importância do SER e deixaram para trás o TER.

Perceberam existir mais paz e felicidade no SER. Conseguiram ver ser impossível ao SER a ausência do TER.

Em mim uma calma indescritível. Algo parecido com o momento pré-anestésico.

Deslumbrado eu me sentia.

Eles perceberam e continuaram:

Agora chegou o momento de deixar o apego ao SER.

Vamos começar o FAZER.

Chegou o momento de viver a felicidade plena.

Foi neste instante, não sei como, que consegui questionar dizendo-lhes da existência de muitos ainda vivendo o período do TER e outros a fase do SER.

Calma, estes levarão mais tempo para entenderem as mudanças. Alguns aprenderão pela dor. Outros, pelo amor.

Mas todos aprenderão.

Sofrerão mais os apegados ao TER, pois precisam avançar ao estágio do SER.

Porém, todos alcançarão a felicidade plena do FAZER.

Quando eu quis dizer alguma coisa, dei-me conta de que estava acordando na cama onde passo a maior parte do tempo.

Ao longe o latido de um cachorro. Rio.

Rio ao pensar na felicidade deste cachorro ao TER um osso só dele.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

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domingo - 09/01/2022 - 13:44h

Porque criamos mitos

caixa-de-pandora-origem-do-mito-grego-e-significado-da-historia-2Por Inácio Augusto de Almeida

Ser livre é angustiante.

E para fugir desta angústia que sufoca criamos os salvadores e renunciamos à nossa liberdade.

Queremos a glória, mas sem o peso da cruz.

Somos capazes de transformar uma bijuteria em joia rara, desde que isto nos livre da responsabilidade de traçar nossos destinos contando apenas com nossas forças.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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domingo - 02/01/2022 - 12:12h

Vazio

Por Inácio Augusto de Almeida

Se acontece uma seca ou uma enchente de quem é a culpa?

Mas tão logo a situação se normalize todos sabem a quem agradecer.

Se crianças morrem de fome, velhos sentem frio por falta de abrigo e mendigos são tratados como animais de quem é a culpa? vazio, casa sem móveis, luz, tristeza, depressão, melancolia

Mas se uma só criança é amparada, um só velho é abrigado ou um só mendigo tratado como gente aí todos sabem quem foi o responsável.

Se operários são explorados, valores são invertidos e a desordem prevalece, de quem é a culpa?

Quem permite o triunfo do mal sobre o bem, do ódio sobre o amor e o acúmulo do poder nas mãos dos patifes?

Tolice perguntar. Ninguém sabe responder.

Talvez isto explique o surgimento de tantas crenças e seitas.

Os jovens inteligentes não aceitam mais este dogmatismo ridículo incapaz de suportar uma análise lógica, por mais superficial que seja.

Povo escolhido, como se fosse possível a um Ser perfeito escolher entre os seus filhos apenas alguns.

Dá até para rir.

Testemunhamos hoje a venda no varejo daquele puro que só queria um mundo melhor, um mundo de amor, sem dores, sem guerras e sem ódio.

E o que fizeram a este Homem?

Não se contentaram em punir apenas com a crucificação quem pregava o amor e, até hoje, continuam a retalhá-lo e assim continuarão a fazer pelos séculos afora.

Investem-no de poderes que não possuía para valorizá-lo ainda mais, como se não fosse suficiente a grandeza da sua filosofia.

O mais bem-intencionado de todos os homens tem a sua memória vilipendiada por fariseus de agora, tipos que usam cintas largas na cintura, gostam dos primeiros lugares e de serem cumprimentados em praça pública, tal qual os de antigamente, esquecendo-se que a igualdade entre todos os filhos do Pai foi a primeira lição ensinada pelo mais perfeito de todos os homens.

Será que frente a tanta injustiça o Criador cansou-se e virou as costas para nós permitindo que caminhemos para a autodestruição?

Pensar qualquer coisa diferente disto é negar a própria existência Dele.

O exemplo de Sodoma e Gomorra, tudo indica, não serviu para nada. Foi tragado pelo esquecimento. Prova disto são os casos de trisal se multiplicando e sendo aceitos como naturais por uma sociedade que se divorciou dos ensinamentos cristãos.

Vivemos dias em que a bondade é confundida com imbecilidade, a fraternidade com hipocrisia e só a busca do prazer interessa. Enlouquecemos todos ou são chegados os dias do Juízo Final?

Se existe alguma esperança?

Sei lá…

Inácio Augusto de Almeida é escritor e jornalista

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domingo - 26/12/2021 - 09:38h

O que estamos comemorando?

Por Inácio Augusto de Almeida

Chega dezembro trazendo sempre a mesma pergunta que até hoje não consigo responder.

Por que antes de ouvir falar em Jesus Cristo eu já admirava Papai Noel?

E dizemos que estamos comemorando o Natal, o nascimento do Salvador. Digo dizemos, porque, nas conversas ao redor da mesa farta, de quem menos falamos é de Jesus Cristo. presépio, festa natalina, Jesus Cristo, manjedoura

Poderíamos até trocar o nome noite de Natal para noite da ostentação.

Não convidamos a humildade para a festa do mais humilde entre os humildes que por aqui passaram.

Imagine um faminto batendo a uma porta e pedindo um pouco de comida na noite dedicada ao mais caridoso de todos os homens?

Quantos na noite de Natal, que conversam alegremente, falam da fé que devemos propagar a todos?

De esperança até falamos. Mas não, da esperança de um mundo mais fraterno. É da esperança de um acúmulo maior de bens materiais que falamos.

A caridade parece que se foi com Madre Teresa de Calcutá e Irmã Dulce. Não nos lembramos da caridade amorosa, do bem querer ao semelhante.

A nossa caridade, quando acontece, se resume a doação que fazemos sem olhar nos olhos daquele a quem estamos ajudando. Esquecemos que eles também precisam de afeto.

Noite de Natal, noite que deveria ser totalmente dedicada ao amor.

Visitamos algum asilo de velhinhos ou um hospital para levar palavras de conforto a quem, mais do que de bens materiais, necessita de uma palavra amiga?

Quando jovem eu me perguntava por que Deus não fazia de todas as noites, noite de Natal.

Hoje eu entendo a sabedoria do Criador ao limitar a apenas uma noite por ano a comemoração do nascimento de Jesus Cristo.

Se com apenas uma noite por ano para reverenciar àquele que carregou a cruz sozinho para nos livrar dos nossos pecados esquecemos do aniversariante e dos seus belos ensinamentos, imagine se todas as noites fosse noite de Natal.

Para os nossos pequenos filhos e netos, hoje é a noite de Papai Noel.

A noite de Jesus está no coração daquele que tem fartura de amor no coração.

Um dia nos convenceremos de que FÉ, ESPERANÇA e CARIDADE são mais importantes do que ORGULHO, OSTENTAÇÃO e DESAMOR.

Que nossos filhos e netos aprendam que hoje é a noite de Jesus Cristo.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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domingo - 19/12/2021 - 12:40h

Como acabar a fome

Por Inácio Augusto de Almeida 

“Não existe ilha de prosperidade num mar de miséria.” 

O fim desta miséria tem solução.

Evitar que qualquer auxílio seja distribuído via prefeitura.fome, miséria, prato vazio,

Usar as Forças Armadas para, num trabalho conjunto com as Cáritas e grupos religiosos, realizar o cadastramento dos miseráveis que estão morrendo de fome.

Vocês não sabem, mas até o MÉDICO SEM FRONTEIRAS os políticos usam para se promover. As cirurgias para correção dos lábios são marcadas nas secretarias municipais de saúde. E como são apenas 50 cirurgias, a seleção dos que serão operados é feita pelo critério político.

Os botijões de gás não vão chegar aos que mais necessitam. Eles não têm botijão nem fogão. Este vale gás será distribuído aos eleitores amigos.

A ABIN de tudo sabe e bem poderia informar ao presidente Bolsonaro o que acontece.

Até bolsa família é entregue a quem não precisa.

Fico sem entender os COMANDANTES DAS FORÇAS ARMADAS ainda não terem, juntos com o presidente BOLSONARO, montado uma estratégia para desmontar este esquema IMUNDO, troca de auxílio por votos, montado por políticos corruptos.

É TÃO FÁCIL ACABAR COM ESTA PATIFARIA.

É TÃO FÁCIL, COM OS RECURSOS DISPONÍVEIS, ERRADICAR DE VEZ A FOME NO BRASIL.

Nós somos um país rico!

Estou ao dispor das autoridades para mostrar como acabar com a fome.

Por que não me escutam?

Será que há interesse em que os currais eleitorais sejam mantidos através das verbas sociais?

Que a ABIN mostre este meu comentário a quem julgar conveniente.

Inácio Augusto de Almeida é Jornalista e escritor

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domingo - 12/12/2021 - 04:12h

O tempo muda tudo

Por Inácio Augusto de Almeida 

Houve um tempo que fumar era charmoso. Nos filmes que via no PAX apareciam mulheres com enormes piteiras e o cigarro. Eu nem desconfiava que aquilo era propaganda para induzir as mocinhas ao vício do tabagismo.

Os rapazes eram influenciados por um cowboy, que de cigarro no bico, montado num cavalo, dizia que os homens se encontravam no Arizona. Se não era isso que o homem dizia era alguma coisa parecida. cuba-libre-e1487719983925

Com os anos os detalhes vão se perdendo na memória que aos poucos o mal do alemão vai consumindo. Como não sei pronunciar Alzheimer uso o recurso ‘mal do alemão’.

Nos carnavais as marchinhas de sucesso eram OLHA A CABELEIRA DO ZEZÉ, do Roberto Kelly; e a MARIA SAPATÃO, do Abelardo Barbosa, CHACRINHA.

Fico a imaginar se estas marchinhas de carnaval tocassem hoje…

Drogas se ouvia falar numa tal de maconha. E quem usasse sofria uma exclusão do grupo e passava a ser chamado de maconheiro. Até o nome perdia. Cocaína? Nem se sabia da existência.

O que a turma gostava mesmo era de Cuba Libre e Hi-Fi. Cuba Libre era Rum Montilla com Coca Cola e Hi-FI uma mistura de Vodka com Crush.

Para os desabonados, assim eram chamados os lisos, existia o Samba em Berlim, uma dose de cachaça com Coca Cola.

Tempos bons, tempos que se ouvia Nelson, Anísio, Cauby, Ângela e Núbia. Tempos da Lambreta rivalizando com a Vespa e as aventuras acontecendo lá onde hoje é a Caern.

Tudo mudou. Careta é o não usuário de droga. Espanto a ninguém causa a inversão dos costumes e trisal deixou de ser muito sal na comida.

O vestibular foi engolido por um tal de ENEM e já não existem os cursinhos preparatórios para os concursos do Banco do Brasil e da Academia Militar das Agulhas Negras.

Novos tempos, tempos onde a inversão de valores se agiganta, tempos onde qualquer condenado por prática de corrupção recebe mais respeito da sociedade do que um pobre e honrado trabalhador. Tempo do TER.

Tempo dos valores invertidos.

Tempo de fingir que de nada sabe, porque saber se tornou perigoso.

Brasília finge não saber que a miséria e o atraso se agigantam por conta da corrupção alimentada pela impunidade.

Tivesse eu algum apoio ou recursos próprios, faria um filme mostrando O BRASIL QUE BRASÍLIA NÃO CONHECE.

No filme mostraria crianças nuas, por falta de um calção para vestir, estendendo a mão nas estradas sonhando conseguir alguma migalha para mitigar a fome e continuarem vivos.

Mulheres com criancinhas famintas nos braços e sem leite no peito para amamentar.

Criancinhas que não choram, apenas nos olham cravando em nossos corações a culpa da nossa covardia.

Brasília fala em saneamento básico para fingir que desconhece a falta de aparelho sanitário nas casas destes pobres.

Brasília fala em vale gás para nos passar a ideia de não saber que os miseráveis não têm fogão e nunca viram um botijão de gás.

Quando algum caroço de feijão cozinha é entre três tijolos protegendo o fogo de gravetos.

Brasília finge desconhecer a corrupção praticada pelas administrações municipais porque só está interessada nos votos do povo miserável, que tangido será por corruptos que tudo furtam, a neles votar e assim manter este esquema imundo funcionando a pleno.

Infelizmente vivemos a época do fingir.

O tempo muda tudo.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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domingo - 05/12/2021 - 10:50h

Santa Luzia Chora

mulher-chorandoPor Inácio Augusto de Almeida 

Por incontáveis vezes o Papa Francisco disse, e vai continuar dizendo, que chora ao ver tanta desigualdade, injustiça, miséria e fome.

Sabe o Papa Francisco que a corrupção é a causadora de toda a desgraça.

Como forma de combater a corrupção o Papa não perde uma chance de clamar que a corrupção fede.

O Papa fala com lágrimas rolando na face.

Se o Papa chora, fico a pensar quantas lágrimas Santa Luzia já derramou e derrama ouvindo os gritos de fome dos pedintes nas ruas de Mossoró.

Difícil imaginar o quanto sofre a Padroeira de Mossoró ao ver os olhinhos de crianças famintas, crianças que sequer têm forças para chorar. E ao ouvir o choro abafado das mães famintas, mães sem leite no peito para amamentarem os filhinhos que de fome morrem em seus braços, Santa Luzia se ajoelha e reza pedindo a Deus que não permita a continuação deste flagelo que atinge os indefesos, os que Jesus Cristo mais amava, os com mais pureza no coração.

Santa Luzia chora ao ver um pai desempregado pedindo esmolas. Chora por saber, a nossa amada padroeira, ter sido a maldita corrupção a causadora da desgraça. Chora Santa Luzia por ver tanta impunidade estimulando a prática da corrupção que faz crescer mais e mais a miséria.

Santa Luzia reza pedindo ao Pai o despertar da sua igreja para a luta no combate à corrupção.

Corrupção causadora de toda a desgraça que se abate sobre seus filhos queridos.

E a nós, seus amados filhos, ela nos pede a construção da igreja dos pobres. Nos pede dizendo que a igreja dos ricos já está construída.

Deseja a nossa muito amada padroeira, não pompa nos festejos, porém solidariedade e mais amor ao próximo.

Quer Santa Luzia uma festa cheia de fraternidade, onde o brilhantismo se fará gigante pelas mãos que todos os seus filhos estenderão uns aos outros, sem distinção alguma.

Como Santa Luzia ficará feliz e trocará as lágrimas de dor por um lindo sorriso de felicidade vendo isto acontecer.

Não podemos perder a oportunidade de realizar a mais bela festa de toda a história religiosa de Mossoró.

Inácio Augusto de Almeida é Jornalista e escritor

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Categoria(s): Crônica
domingo - 28/11/2021 - 11:22h

Confesso que chorei

Por Inácio Augusto de Almeida 

Acordei um pouco mais tarde do que de costume.  E senti falta de alguma coisa.

A palha do coqueiro já descorada pelo tempo balançava mais que de costume, como se quisesse me dizer algo.

Foi só então que me dei conta de não estar ouvindo o canto do canário que todas as manhãs me acordava. canario-da-terra-1-1024x576Levantei-me e vi amarelinho caído. Com os olhos cheios de lágrimas peguei carinhosamente o meu amigo de todas as manhãs. Com o coração sangrando cavei um buraco e, ao pé do coqueiro, fiz o enterro do amarelinho.

Desconsolado ligo o rádio e ouço que, por dia, inclusive, sábados, domingos e feriados; morrem no Brasil mais de 10 crianças vítimas   da fome.

Amarelinho não morreu de fome nem de sede. Cumpriu o ciclo vital sempre tendo água e alimentação.

Eu limpo as lágrimas dos olhos, mas não consigo conter as lágrimas que rolam dentro do meu coração pela morte de brasileirinhos vitimados pela fome.

Amarelinho se foi deixando saudades.

Os brasileirinhos estão indo me deixando cheio de vergonha por nada ter feito para evitar, pelo menos, a morte de um deles.

Ao longe ouço o gargalhar de algum corrupto com a boca cheia de mel de abelha.

Lembro-me de Madre Teresa de Calcutá perguntando por que Deus permite tanta injustiça e tento imaginar até quando aguentaremos continuar fingindo que de nada sabemos.

E assim seguimos nos preocupando apenas com nossos filhos e netos.

Para nos mostrarmos sensíveis choramos a morte de amarelinho. E mais que de repente nos esquecemos de que amanhã mais 10 brasileirinhos morrerão de fome.

Como é estranha a nossa sensibilidade…

Inácio Augusto de Almeida é Jornalista e escritor

P.S – PASSA DA HORA DO ROTARY, LIONS, MAÇONARIA, IGREJAS CATÓLICAS E EVANGÉLICAS ORGANIZAREM UM GRANDE MOVIMENTO DE COMBATE À FOME EM MOSSORÓ.

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domingo - 21/11/2021 - 11:40h

Ninguém chorou por ti

Por Inácio Augusto de Almeida 

Faz tanto tempo. Eu não era nem nascido. Crupe é o nome da doença que te levou. Hoje, uma coisa boba. Mas naqueles dias antibióticos era difícil. Difícil e caro, principalmente para nosso pai que trabalhava numa mina de carvão no interior de Santa Catarina. Vê, Geraldo, nem mesmo o nome da cidade eu me lembro mais.

Para ti, irmão, faltou um comprimido de penicilina e o homem da mercearia, que sempre te via brincando nos fins de tarde, só soube da tua morte dias depois do teu enterro.  sofrimento, reflexão, solidão, depressão, isolamento, banco de praça,

A preta velha que te rezou, fez de coração, mas, coitada, rezava sozinha, sem nenhuma corrente formada para ajudá-la.

Eu, apesar de não te ter conhecido, sempre me lembro de ti. Papai sempre me falava de teus cabelos pretos, encaracolados, teus olhos castanhos, vivos, de uma vivacidade que denotava uma inteligência muito acima do normal; dizia que tu te foste porque Deus quis.

Sei não, irmãozinho. Sei não.

Ou será que se tu tivesses naquela noite uma equipe médica à tua cabeceira, com todos os medicamentos possíveis e imagináveis; e muitas, muitas pessoas a pedir por ti, será que o Criador não teria um pouco mais de paciência e deixaria para te levar só muitos anos depois?

Tu foste um nordestino que morreu como morrem milhões e milhões de irmãos nossos. Sem um comprimido sequer. E o que é pior irmãozinho, sem que ninguém derramasse uma lágrima sequer. Porque sobre ti e sobre os teus coleguinhas de desgraça não se criou nenhum clima emocional. Não se dramatiza sobre os Zés da vida. E são tantos, Geraldo.

Tantos, tantos que me causa espanto, quando vejo gente tão insensível, à fome e à miséria destes pequeninos, chorando nas ruas por um doente qualquer. E era dos pequeninos que o Senhor mais gostava ou não foi ele que disse: “ai de quem tocar em um dos meus pequeninos…”

Sabe, Geraldo, ainda hoje morrem pequeninos de Crupe. Não, irmãozinho, não. Existem antibióticos, sim. Bastam alguns comprimidos e pronto.

A doença que te matou é hoje fácil de curar. Tão fácil como uma simples gripe. Mas os garotinhos do Nordeste continuam morrendo de crupe. Por quê?

Ora, nenhum destes que choram e oram por um doente que nunca viram, é capaz de mandar para um pequenino uma pílula.

E elas custam tão pouco! Menos do que o preço de uma cerveja.

Não consigo entender a sensibilidade desta gente que chora a morte de um animal de estimação ou de algum famoso a quem nunca viram. Se alguém consegue entender, não sei.

Não, não me pergunte, irmãozinho, eu realmente não entendo esta sensibilidade.

Sinto vontade de rir. De rir e de chorar.

Tu te foste, irmão querido. Não tinhas sequer cinco aninhos. Eu não te vi, mas em mim ficaram as imagens de ti através do meu pai, que como nordestino que era, não podia chorar por ti.

Nem ele nem ninguém chorou por ti. E hoje, ninguém chora, reza ou faz promessas pelas crianças que, como tu, morreram e morrem sem a menor assistência.

Ninguém chora por elas, ninguém, como ninguém chorou por ti.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

P.S. – Quatro mil crianças morreram de subnutrição em 2020 e ninguém chora por elas. (Fonte: Data SUS- Ministério da Saúde).

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Categoria(s): Crônica
domingo - 14/11/2021 - 11:30h

Palhaço

palhaçoPor Inácio Augusto de Almeida 

E rio!

De mim mesmo

Rio.

     II

Um riso triste

Mas um riso.

     III

Se mereço aplausos?

Sei lá…

     IV

Talvez sim…

Talvez por fazer você rir de mim.

    V

Existe palhaço mais engraçado do que eu?

    VI

Que rio e faço você rir

Sem nem mesmo contar piadas

Sem nem mesmo calçar o sapato grande

Ou colocar nariz postiço fazendo da vida um grande picadeiro.

    VII

Até quando continuarei neste grande circo?

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

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Categoria(s): Poesia
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 07/11/2021 - 11:38h

Mudanças mantendo privilégios?

Por Inácio Augusto de Almeida 

Nenhum governo se mantém sem apoio popular. Sem o apoio do povo nada pode ser mudado.

E como contar com o apoio de um povo faminto e que testemunha a manutenção de privilégios descabidos? Participação nos Lucros ou Resultados

Criam teto salarial, mas permitem que dirigentes e altos funcionários de estatais recebam mais de seis vezes o valor do teto. Basta ver o salário do presidente e dos diretores da Petrobras, Caixa Econômica Federal e de todas as outras estatais.

Até no pagamento do Imposto de Renda sobre a Participação nos Lucros ou Resultados a tabela de isenção é diferente e os ganhos só são tributáveis a partir de 6.000 reais. Já os militares pagam Imposto de Renda a partir de 1.900 reais.

Os gastos com o Legislativo e o Judiciário são desproporcionais. Diminuir o percentual dos repasses e aplicar o dinheiro na infraestrutura do país a fim de fomentar desenvolvimento.

Um governo que sabe existir mais de 50 milhões de brasileiros passando fome e não se anima a terminar privilégios não pode sequer pensar em contar com apoio popular para implementar mudanças.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor.

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Categoria(s): Artigo
domingo - 31/10/2021 - 12:36h

É preciso compreendê-los

Por Inácio Augusto de Almeida

Existem pessoas que preferem viver no faz de contas.

Não aceitam a realidade.

E um dia a realidade se faz presente. Não há como fugir da verdade. compreensão, união, todos juntos, comunhão, mãos

Neste dia as lágrimas rolam dentro do coração. Do coração, sim. As lágrimas mais sentidas não rolam nas faces.

São pessoas que vivem a fingir que nada estão vendo, mesmo os fatos diante dos seus olhos a gritar que não dá mais para continuar.

Sabem da injustiça que é donos de iates e de jatinhos não pagarem nenhum imposto parecido com Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), enquanto pobres vendedores de leite ou de frutas pagam IPVA das motos que lhes possibilita o transporte da mercadoria que negociam. Usam os mais pobres o transporte na luta pela sobrevivência e pagam IPVA e outras taxas. Quem usa iate e jatinho…

Certamente a turma do faz de contas se pergunta por que se meter com isto se a injustiça existe e torna-se mais sólida a cada ano?

Incomodados ficam ao ver alguém clamar por justiça social. E isto tem uma fácil explicação. No fundo gostariam de se unir aos que se sacrificam na luta por um mundo mais de amor, menos egoísta.

Infelizmente, acomodados estão numa zona de conforto e morrem de medo de sair da caverna de Platão.

Não devemos rejeitá-los. Devemos deles, ter compaixão.

Estão com os corações inundados de lágrimas.

Inácio Augusto de Almeida é Jornalista e escritor

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 24/10/2021 - 13:24h

Para bem viver

Por Inácio Augusto de Almeida 

Não pense

Eis a regra primeira

E depois…

Depois acredite em tudo

Pois esta é a regra número dois.

     II

Por hipótese alguma

Perca um capítulo da novela

De preferência as globais

Ou não seguirás a terceira regra.

     III

Nunca deixe de dizer sim

E nem em sonho discorde

Afinal…

 A quarta regra deve ser cumprida.

    IV

Questionar…

Nem com febre alta

Pois somente o estado de loucura

Pode justificar tamanho absurdo.

     V

Cumprindo estas regras

Certeza tenhas da felicidade

E um diploma de bem comportado

Em tua parede ficará

A provar que entraste na onda que pega.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

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Categoria(s): Poesia
domingo - 10/10/2021 - 09:48h

Mossoró

Foto coletada na Web de autoria de João Clemente

Foto coletada na Web de autoria de João Clemente

Por Inácio Augusto de Almeida 

Existe coisa mais linda do que o nascer do sol?

Primeiro surgem raios avermelhados que aos poucos vão vencendo a escuridão da madrugada que se vai para dar lugar ao brilho da manhã que chega tornando o céu azul e nos presenteando com nuvens que lembram belos flocos de algodão.

Luminosas manhãs mossoroenses, manhãs tão cheias de luz a nos dar um céu tão azul que os pássaros festejam com um canto afinado que nos faz lembrar uma orquestra só existente na nossa imaginação.

É a perfeição da natureza se fazendo presente.

Mossoró tem dias de luz tão bonitos que nos dá a impressão do sol viver em eterna festa.

E as manhãs mossoroenses são um convite à vida.

Impossível descrever a festa de luz, calor e sons que chegam juntos com cada novo dia.

Mas não pensem a beleza de cores findar-se com a manhã que dá lugar a uma tarde que se vai lentamente e, até mesmo, com um muito de preguiça.

Há muita beleza nas tardes de Mossoró. E quando bate a brisa vespertina a lembrar que é hora das cadeiras na calçada…

Calma, gente, o mais belo ainda está por vir.

É quando o sol ensaia o seu desmaio e, entre nuvens vermelhas, anuncia a chegada da noite.

Raios cor de ouro rasgam o céu enquanto mansamente a primeira estrela vai, timidamente, surgindo.

Depois uma colcha de retalhos se forma.

São estrelas lindas brilhando com intensidade tão forte que nos leva a ver um quadro jamais criado por nenhum pintor.

Mossoró é uma cidade bela em tempo integral.

Só nos resta agradecer a Deus por tanta beleza e por ter nos dado o dom de tudo isto desfrutar.

Não existe no mundo coisa mais linda que Mossoró.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

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domingo - 03/10/2021 - 12:48h

Bandido/herói

Por Inácio Augusto de Almeida

Julho de 1944. A guerra perdida para a Alemanha.  Oficiais de alta patente sabiam que a derrota era inevitável e que, continuar lutando era apenas sacrificar ainda mais o sofrido povo alemão. Só que não tinham coragem de dizer isto ao louco que continuava acreditando na vitória.

E por conta da covardia do alto comando das forças armadas, milhares de militares e civis morriam todos os dias.

Um coronel não suportou ver tanta covardia causando tanto mal ao povo alemão e resolveu agir.

Explosivos foram acionados, mas Hitler conseguiu se salvar do atentado (Foto: reprodução)

Explosivos foram acionados, mas Hitler conseguiu se salvar do atentado (Foto: reprodução)

Chamou para si a tarefa de matar Hitler e negociar uma rendição condicional com os aliados. Rendição que, por não ser incondicional, manteria à Alemanha numa posição não humilhante e preservaria milhões de vidas.

STAUFFENBERG sondou vários generais e todos se mostraram simpáticos à ideia. Até mesmo o grande Rommel concordava que a guerra estava perdida.

Stauffenberg armou a OPERAÇÃO VALQUÍRIA e partiu para uma reunião na Toca do Lobo, onde Hitler se reuniria com generais, levando dentro da pasta uma bomba de alto poder explosivo. Stauffenberg chegou a colocar a pasta com a bomba armada para explodir minutos depois e conseguiu sair da sala.

A bomba explodiu e Stauffenberg retornou a Berlim certo que Hitler tinha morrido.

A Operação Walquíria começou a funcionar e todos aderindo ao projeto que buscava pôr fim a uma guerra que já não tinha sentido.

Logo que a voz do Hitler é ouvida nos rádios dos alemães, ele tinha sobrevivido, todos começaram a se afastar de Stauffenberg a quem passaram a chamar de traidor.

O Coronel Stauffenberg foi fuzilado imediatamente. Outros também foram fuzilados, mas sempre apontando Stauffenberg como o responsável pela traição.

E como TRAIDOR DA ALEMANHA Stauffenberg entrou para a história.

O tempo passou e a verdade surgiu.

Hoje uma enorme estátua do HERÓI Claus Von Stauffenberg pode ser vista na mais movimentada avenida de Berlim.

De bandido a herói.

A verdade pode demorar a aparecer, mas sempre aparece.

Que o exemplo de Stauffenberg sirva para covardes que mentem, encobrindo atos espúrios, reflitam.

A história está repleta de exemplos de que os imediatistas, os covardes, os mentirosos, terminam mergulhados na vala do esquecimento.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

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Categoria(s): Crônica
domingo - 26/09/2021 - 08:42h

Rebeca não tomará vacina

Menina sendo vacinada, vacina, ilustração, criança e vacinaPor Inácio Augusto de Almeida

Quem é Rebeca?

Rebeca é uma menina pobre que sempre aparecia pedindo comida, chinelo e roupa usada. Tinha um olhar angelical num rosto marcado pela fome. Os seus cabelos finos fios de arame.

Na boca o riso dos inocentes.

Faz tempo que Rebeca não aparece e o meu egoísmo impediu de saber onde Rebeca mora. Eu até perguntei, mas ela dizia que era muito longe. E assim a minha curiosidade morria. Morria facilmente, porque na realidade eu queria mesmo era amortecer a minha consciência.

Um dia dei a Rebeca um caderno, um lápis e um livro infantil cheio de figurinhas. Seus olhos de anjo encheram-se de brilho.

Observei que Rebeca olhava apenas as figurinhas.

Rebeca deixou de aparecer e fiquei imaginando que isto aconteceu porque a Assistência Social estava ajudando a família dela.

O que a gente não é capaz de fazer para tentar enganar nossos sentimentos?

Vejo que estão anunciando vacina para jovens. Em breve chegará a vez da Rebeca se vacinar.

Penso em ir pegar a Rebeca, menina com olhar de Santa, para levá-la ao centro de vacina.  Nesse momento lembrei-me o quanto fui egoísta nunca tendo ido até a casa da Rebeca.

Quantas crianças pobres como ela, em Mossoró, ficarão sem vacina por total falta de recursos para pagar o transporte para si e para o responsável que autorizará a aplicação da vacina?

Como Rebeca vai conseguir dinheiro para quatro passagens se dinheiro não para comida, calçado e roupa?

Rebeca não será vacinada.

E todos rezarão por Rebeca.

Somos cristãos.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

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Categoria(s): Crônica
  • San Valle Rodape GIF
domingo - 19/09/2021 - 11:46h

Não creio

Por Inácio Augusto de Almeida

Não creio na força

De quem bajula os fortes

De quem humilha os fracos.

Não creio na força

De quem vive só para si

De quem esquece que somos irmãos.

Não creio na força

De quem julga sem conhecer

De quem condena sem convicção.

Não creio na força

De quem acredita

Ser possível felicidade sozinho.

Não creio na força

De quem não sorri

Ao ver crianças brincando.

Não creio na força

De quem não tem tempo para a beleza.

Não creio na força

De quem não tem tempo para o AMOR.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

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Categoria(s): Poesia
domingo - 12/09/2021 - 10:46h

Vai chover

Por Inácio Augusto de Almeida

Espio para este céu azulzinho e me avexo.

Tão bonito e ameaçador.

A plantação desde há muito não dá nada, desde a era em que Jesus levou Cecinha para junto dele. chuva, guarda-chuvaAinda me arrecordo dela, tão magrinha, tossindo, tossindo, tossindo. Seus óios crescendo todos os dias como se fossem ficar do tamanho da lua.

Até que um dia ela assossegou pra sempre.

Compadre Bento, que entende destas coisas, me jurou que foi do gosto de Deus, porque se não fosse ela teria ficado junto deu e hoje era uma mocinha.

Se eu tivesse recurso naquele dia para ter levado ela para o Doutor da cidade olhar, talvez Deus tivesse esperado um pouco mais.

Mas eu não tinha dinheiro nenhum e me acanhei de pedir ao Coroné.

Ele já tinha sido tão bom comigo.

Até comprimido de Melhoral ele já tinha me dado para ver se a Cecinha ficava boa daquela tossideira.

Seu vigário me disse que compadre Bento tinha razão.

Cecinha só se foi porque Deus quis.

Se chovesse um bocadinho que fosse eu saía desse aperto. Plantar eu plantei, só falta um tiquinho de água, uma gotinha só.

Mariazinha já está com a mesma tossideira da Cecinha. Dá vontade de chorar, mas não posso chorar.

Me disseram, desde que eu era menino que só servia para apanhar algodão, que sertanejo não chora, que choro fica para quem é do brejo. Mas que sinto uma vontade lascada de chorar, eu sinto, não vou mentir.

Meu coração parece que está sendo cortado por uma peixeira cega.

Dói muito, muito mesmo.

Naquele último ano em que deu safra, foi muito bom.

Eu me arrecordo de que comprei até um vestido novo para a Cecinha.  Foi bom demais, como foi bom.

O homem que veio da cidade comprar as coisas da gente pagava tudo com dinheiro novinho que parecia pão quente que a gente come quando vai à cidade.

Compadre Bento me explicou que o dinheiro estava estalando porque era dinheiro do banco que tinha sido emprestado ao homem para comprar o que a gente tinha apanhado.

O homem só queria comprar tudo barato e terminou a gente vendendo barato mesmo, senão estragava tudo. Mas mesmo destes modes ainda deu pra gente tomar umas pingas na bodega do seu Manuel e ir ver a novena na cidade.

Como a Santa tava bonita e como o seu vigário tava alegre.

Mariazinha continua tossindo, o céu continua azulado, tão azulado como o pano que enrolou Cecinha.

Mas vai chover, se Deus quiser, vai chover.

E Deus é bom.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

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Categoria(s): Crônica
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 05/09/2021 - 11:32h

7 de Setembro

respeitoPor Inácio Augusto de Almeida 

Engana-se redondamente quem imagina esta manifestação do dia 7 de setembro ser de apoio a determinado grupo político.

Este movimento é um grito de alerta do povo brasileiro a ouvidos insensíveis.

O Brasil já não suporta ver, passivamente, o bate cabeça de poderes que não se respeitam e, por não se respeitarem, perderam o respeito do povo brasileiro.

O Brasil já não suporta tanta fome, desemprego, carga absurda de impostos, privilégios descabidos, corrupção e impunidade.

O Brasil vai mostrar a sua cara neste 7 de setembro, inundando ruas e avenidas, para clamar:

CHEGA!

Os que têm ouvidos, que ouçam. E não façam como Maria Antonieta.

A história recente do país nos deixou um legado de dor e sofrimento. Os fatos ainda presentes na memória das gerações que vivenciaram aqueles anos gritam que tudo aconteceu porque viver na anarquia é impossível.

Lágrimas ainda rolam em muitos corações, mas a desestruturação social vigente à época, causadora da miséria e do atraso, exigiu o remédio amargo.

O povo, na sua sabedoria, grita ainda existir tempo de tudo corrigir e evitar tanta dor e sofrimento.

A mensagem é clara.

Do jeito que está não continua.

Não pode e não vai continuar.

Viver na miséria num país rico é revoltante. E esta revolta se agiganta quando se sabe que a fome existe por conta da impunidade.

Todos os brasileiros sabem que os seus direitos não são respeitados.

Por ter consciência desta falta de respeito é que dia 7 de setembro estará nas ruas.

RESPEITEM O POVO BRASILEIRO.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

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Categoria(s): Artigo
domingo - 29/08/2021 - 10:46h

Tarde demais

O-que-e-Arrependimento-Verdadeiro-e-O-que-ele-Produz-segundo-a-Biblia-1024x682Por Inácio Augusto de Almeida

Mesmo preguiçosamente a tarde consegue dar lugar a uma noite que chega de mansinho.

No céu surge a primeira estrela.

Breve virão as outras para formar a linda colcha de retalhos.

No horizonte avermelhado o anúncio de que a noite está chegando.

Lembranças muitas, saudades poucas, se atropelam e me lembram passagens já amortecidas pelo tempo.

Por que as lembranças não nos abandonam deixando lugar apenas para a saudade?

Para a saudade e os seus segredos.

Os sonhos vencidos pela realidade sempre a nos trazer lembranças.

Precisamos aprender a sonhar com pouco.

Em busca da realização de sonhos saímos procurando o que depois descobrimos não passar de meras espumas.

Só muito tarde percebemos ter deixado o realmente importante para trás.

Na corrida louca caímos e nos levantamos incontáveis vezes.

A vida passando e a gente sem perceber que corria em busca do nada. Do nada, sim, porque o importante estava conosco o tempo todo. E se estava conosco não precisava ser buscado em nenhum lugar.

É noite, a escuridão aumenta mais a capacidade de mergulhar em lembranças. E vem a vontade forte de fugir de tudo sem sair do lugar.

Ou não é isto o que a velhice nos reserva?

Certo que existem os que buscam a felicidade tão perseguida nos anos verdes brincando com sonhos de um futuro feliz. Imaginar-se imortais é a maneira de enganar os corações e de continuar sonhando.

A sorte é que cada saudade compensa mil lembranças e o amadurecimento nos grita que nunca devemos procurar saber como teria sido se não tivesse sido como foi.

 Olho as brilhantes estrelas e vejo também uma lua linda.

E me pergunto se valeu a pena.

Claro que valeu.

Valeu porque tudo aconteceu sem a chatice do certo sempre presente.

A felicidade existe dentro de nós e é a soma dos nossos erros e acertos. Das nossas vitórias e derrotas.

Felicidade é a saudade que ficou.

Pena só compreendermos isto Tarde Demais.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 22/08/2021 - 13:50h

A vaquinha Vitória

Por Inácio Augusto de Almeida 

Era uma vez uma vaquinha chamada vitória.

A vaquinha morreu.

Acabou-se a estória.Vaca, vaquinha,Leu e releu, mas não deu para entender a estória que não dizia do que a vaquinha tinha morrido. Apenas dizia que a vaquinha morreu.

Muito complicado.

Fez um longo comentário exigindo do autor da estória que explicasse, com riqueza de detalhes, a causa da morte da vaquinha vitória.

Como não recebeu resposta, imaginou que um mistério enorme existia por trás do que parecia ser uma estoriazinha sem pé nem cabeça.

Deu asas à imaginação e concluiu tratar-se de uma mensagem dirigida a um grupo que poderia estar colocando em risco a segurança nacional.

Respirou fundo e olhando as estrelas, cheias de brilho daquela noite de verão, teve a certeza de que a estória da vaquinha era uma mensagem deixada por alienígenas para outros extraterrestes que já estavam entre nós preparando a invasão.

A morte da vaquinha era os longos soluços dos violinos de outono do poema do Paul Verlaine.

Riu e sentiu-se mais inteligente do que Arquimedes.

Pensou em sair gritando pelas ruas, na madrugada quente de Mossoró; descobri, descobri, DESCOBRI! Lembrou-se dos assaltantes e se consolou dizendo para si que não seria original se assim o fizesse, que logo iriam aparecer os caçadores do calcanhar de Aquiles para dizer que seu gesto era um arremedo do que fizera Arquimedes.

Resolveu deixar para revelar a bomba tão logo o dia amanhecesse.

Na calçada viu duas crianças esperando o transporte escolar. Falavam da vaquinha vitória com tristeza porque a tia encerrou a estória dizendo que a vaquinha morreu e a estória acabou.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

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Categoria(s): Crônica
domingo - 15/08/2021 - 09:42h

De volta ao inferno

nimitz-de-volta-ao-inferno-blu-ray-luxo-caixa-de-papel-16543-MLB20122115926_072014-F (1)Por Inácio Augusto de Almeida 

Assisti ao filme NIMITZ e me deixei influenciar.

O filme mostra um porta-aviões nuclear de volta ao dia do ataque japonês a Pearl Harbor.

Filme que nos leva a reflexões profundas e mexe demais com a sensibilidade das pessoas que conseguem ver no filme mais que combates aéreos. Filme terminado e mal me estiro na cama já me vejo entre escravos numa grande senzala.

Um feitor, com um enorme chicote a gritar que, ruim não era a vida na senzala, onde existia comida, que ruim era a vida fora da senzala onde só havia fome, miséria e perseguição.

Olho os outros escravos e todos com os olhos fixos no chão, mostrando seus espíritos caídos, abatidos, vencidos.

Vejo o retrato em preto e branco do total desânimo.

Desânimo causado por nada conhecerem além da vida na senzala.

Tento falar da existência de um mundo diferente, um mundo onde nenhum homem é propriedade de outro. Um mundo de liberdade.

O feitor me bate com o chicote.

Observo que os escravos me olham como se eu fosse um louco.

Mais tarde, com quase todos já dormindo, digo para um escravo próximo, ainda acordado, que eu conhecia este mundo de liberdade.

Ele apenas virou-se para o outro lado, convencido de que, realmente, eu era um louco.

Nem lhe dizer que em breve a escravidão seria abolida, consegui.

Terminei dormindo e acordado fui pelo apito do carro elétrico a me avisar que a bateria estava com a carga completada.

Levantei-me e fiquei a matutar acerca do sonho que tivera.

Lembrei-me dos que continuam trabalhando em troca de um salário que não dá sequer para cobrir as necessidades básicas. Salário que chegava a sofrer atraso de pagamento de até oito meses e quem reclamasse era sumariamente demitido.

Recordei-me do feitor a me bater e fico a me perguntar se eu não estava enchendo a cabeça dos escravos de fantasias.

Na senzala os escravos tinham comida.

E LIBERDADE?

Tinham os escravos liberdade?

E hoje?

Hoje os trabalhadores têm liberdade?

Que liberdade têm hoje os trabalhadores?

Liberdade de escolher seus governantes?

Ou não vivem submetidos a um falso dilema, onde são condicionados, por uma propaganda massificante, a escolher entre o ruim ou o pior?

Têm os trabalhadores liberdade de expressar suas preferências sem sofrer retaliações do grupo vencedor, grupo que passa a ter a chibata na mão?

Que liberdade é esta que os trabalhadores hoje têm?

O que mudou da época do feitor para agora?

Lei do Ventre Livre?

Com o ensino público que temos de cada mil crianças apenas uma escapa da senzala.

Aparências, apenas aparências.

Olho para o carro elétrico na garagem e imagino quantos mecânicos começam a ficar desempregados. Quantos que faziam troca de óleo, correias, velas, filtros de ar e de óleo e agora não mais têm o que fazer…

Lembro dos operários das fábricas de velas, juntas, correias; cujos empregos foram extintos.

Sei que a adaptação acontece de forma lenta.

Lenta e dolorosa.

Foi assim com a modernização da produção agrícola, quando o desemprego gerado no campo por máquinas que passaram a fazer, com o uso de um só homem o trabalho de centenas de   lavradores, tangendo para a periferia das cidades levas e mais levas de despreparados para a vida longe da enxada.

O preço cobrado pelo progresso

Busco consolo no brutal aumento da produção agrícola.

Não desconheço que isto levou ao inchamento das cidades, surgimento de favelas e geração de mais miséria e atraso, com consequente aumento da violência.

Mas como imaginar com produção de alimentos no cabo da enxada ser possível alimentar os já oito bilhões de bocas?

Assusto-me ao perceber que o aumento da produção só fez agigantar a desigualdade social e gerar mais famintos nos campos e nas cidades.

O problema não é a maior ou a menor produção.

O problema e sempre TER mais e mais.

O problema é a falta de amor.

Resolvo não mais pensar.

O tempo já nos mostrou que trocamos senzala por gueto.

Em mim a dúvida se ontem era pior do que hoje…

Volto a me lembrar do filme Nimitz.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

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Categoria(s): Crônica
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