quinta-feira - 30/07/2026 - 06:38h
Crônica

Tenho para mim que você não partiu

Por Bruno Ernesto

Elder tinha 92 anos (Foto: Reprodução de postagem da Uern)

Elder tinha 92 anos (Foto: Reprodução de postagem da Uern)

Pois é, Elder!

Hoje, 30 de julho de 2026, lá se vão trinta dias da partida de um homem que, definitivamente, marcou e ficou na história de Mossoró.

Por quase um século, 92 anos, Elder Heronildes da Silva materializou o que a cultura e a vida são e devem ser.

Foi um homem além do seu tempo, um intelectual genuíno, que sabia unir as obrigações aos momentos de lazer.

Talvez fossem uma só coisa para ele. Indissociáveis.

Ao lado de sua inseparável esposa, Zélia Macedo, formava o casal ansiosamente esperado nos salões e bailes.

No lendário Clube Ipiranga, seus grandiosos bailes e festas de gala não eram os mesmos sem eles.

Aliás, neste momento em que o prédio do antigo Clube Ipiranga (ACEU) passa por integral restauração, levada a cabo pela própria Universidade do Estado do RN (UERN), nada mais justo do que homenageá-lo com um grande Salão Elder Heronildes.

Foi justamente isso que disse à reitora da Uern, Cicília Maia, enquanto dávamos adeus a ele. Nada mais justo!

Cultivou muitos e grandes amigos, mergulhou na cena cultural e na luta educacional, firmando-se como um personagem imprescindível em momentos importantes não apenas para a cidade de Mossoró, mas para o próprio estado do Rio Grande do Norte.

Como reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, entre os anos de 1977 e 1981, teve participação decisiva em seu fortalecimento e em sua expansão nos anos seguintes.

Como membro de diversas academias literárias e culturais, como a Academia Mossoroense de Letras (AMOL), Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS), Rotary Club, Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN) e da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras (ANRL), sua condição de imortal é prova de que seu legado continuará pulsante.

Mais vivo do que nunca, especialmente entre os amigos.

Seus textos, suas poesias, seu famoso chapéu Fedora, sua camisa de linho branco e aquela conversa branda e cordial, entre um café e outro, nos lembrarão que sua cosmovisão é um bom ponto de partida para uma boa conversa.

Você continua pelos corredores da Uern, dançando pelos salões, presente nas sessões da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras (ANRL), escrevendo, conversando e andando pelas ruas de mãos dadas com Zélia, sempre pronto para mais uma excelente conversa.

Pois é, Elder. Tenho para mim que você não partiu.

Bruno Ernesto é escritor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertao.com @ihgmossoro @marsertaoblog

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Categoria(s): Crônica

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