quinta-feira - 23/07/2026 - 21:26h
Apuração

TRE-RN vê indícios de várias irregularidades em pesquisas eleitorais

Julgamento ocorreu nesta quinta-feira (Foto:TRE/RN)

Plenário do TRE do RN (Foto: TRE/RN/Arquivo)

Do Blog Heitor Gregório, O Correio de Hoje e BCS

A juíza Sulamita Pacheco, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), acatou um pedido da federação União Progressista — formada por União Brasil e PP — e encaminhou ao Ministério Público Eleitoral (MPE) indícios de possíveis fraudes envolvendo duas pesquisas sobre a disputa pelo Governo do Estado. A Procuradoria terá cinco dias para tomar conhecimento dos fatos e adotar as providências que considerar pertinentes.

A magistrada não determinou diretamente a abertura de investigação nem o envio imediato do caso à Polícia Federal, como havia solicitado a federação. A decisão, porém, reconheceu a existência de elementos que justificam uma análise mais aprofundada pelo Ministério Público sobre a atuação dos institutos Ipsensus Pesquisas e Média Inteligência em Pesquisa.

Um levantamento anexado ao processo dá dimensão ao problema: das 26 pesquisas para o Governo do RN divulgadas entre abril e julho, 19 mostraram Allyson à frente de Álvaro Dias. As únicas 7 que inverteram esse resultado carregam, segundo a Federação União Progressista, irregularidade documentada ou foram conduzidas pelas mesmas pessoas ligadas a dois institutos de pesquisa diferentes.

A petição também comprova que ninguém com vínculo real com a IPSENSUS compareceu para prestar esclarecimentos. Os seis entrevistadores declarados pelo instituto são, por nome e CPF, os mesmos que atuaram em outra pesquisa, registrada pela MEDIA Inteligência em Pesquisa, que também colocou Álvaro Dias à frente na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. A Federação União Progressista relata ainda volumes de entrevistas fisicamente impossíveis dentro do prazo declarado e questionários com identificadores duplicados.

Foi apontada a ausência de data, horário, duração e geolocalização das entrevistas, além de falhas na comprovação da conferência dos questionários.

Registros falsos

Os percentuais divulgados pela Ipsensus, contudo, correspondem aos dados contidos na base entregue. A suspeita levantada não é de alteração posterior dos resultados, mas de possível irregularidade na produção dos próprios registros. A decisão resume que os elementos indicariam, em tese, “registros possivelmente não produzidos em campo, com autoria atribuída a códigos que não correspondem a pessoas identificáveis e validados por checagem deficiente”.

Segundo o advogado Caio Vitor, da União Progressista, “hoje a gente tem condições de auditar. Tem condições de reconstruir a base de dados e verificar se aquela pesquisa foi efetivamente realizada conforme foi dito.” O cerco está se fechando, avalia.

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Categoria(s): Política

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