domingo - 14/06/2026 - 06:22h

Aqui há de um tudo

Por Odemirton Filho

Efeito de câmera e edição mostra o Corredor Cultural e seu entorno no dia do Pingo da Mei Dia (Foto: Realize Filmes)

Efeito de câmera e edição com o Corredor Cultural e seu entorno no dia do Pingo da Mei Dia (Foto: Realize Filmes/Arquivo/2025)

O mês de junho chegou chegando. O Pingo da Mei dia, como sempre, abriu brilhantemente os festejos juninos. O Mossoró Cidade Junina há tempos está consolidado. É uma festa bonita, a cidade, em alguns locais, fica lindamente decorada, sente-se um clima de alegria. Há quem não goste, é claro, o que devemos respeitar.

Entretanto, o que eu quero dizer, é que no tempo da minha juventude não havia tantas festividades juninas por estas bandas, pelo menos que me lembre. Nalgumas escolas e nos bairros mais afastados da cidade é que havia arraiás. Lembro que acendíamos uma pequena fogueira pra assar milho em frente da nossa casa e que preparavam algumas comidas típicas. E Só.

Contudo, festa junina como a de hoje, sinceramente, não recordo. Se havia, levei falta.

Aliás, como em toda cidade, nos tempos de minha adolescência, em Mossoró havia quase de um tudo. Porém, o que me vem à memória mais vivamente são as festas na ACDP, na AABB, no Realce e no clube do BNB. E como esquecer os grandes comícios no largo do Jumbo e da Cobal? O Potiba? Os bingos no Nogueirão?

Havia, também, a churrascaria Kancela, as noites no Meca Shopping, o burburinho do Burburinho, a pizzaria de Patrício Português, a sorveteria do Juarez e as festas no Imperial. Inesquecíveis, outrossim, são as Festas de Santa Luzia de antigamente.

O leitor chegou a prestigiar as vaquejadas do Puxaboi? Chegou a frequentar o Ferrão? Bons tempos, né?

Vale acrescentar que o carnaval na minha época de rapaz não era o forte em Mossoró. Dizem os mais velhos que carnaval bom de verdade eram os realizados na ACDP e no Ypiranga. Não posso afirmar, nem desafirmar, apenas escuto as histórias, e vejo um leve sorriso no rosto do meu pai quando fala sobre aqueles tempos.

Além disso, eu jamais poderia esquecer dos vesperais no Cine Pax, das sessões no Cine Cid e no Caiçara. Era um bocado de meninos e meninas indo assistir aos filmes de Caratê e de ação. Era bom que só andar de bicicleta no patamar da Igreja de São Vicente.

Tudo isso, são algumas de minhas lembranças. Certamente, os leitores têm as suas, pois cada um traz no peito algumas recordações, às vezes, até umas saudades. Não que eu queira voltar ao passado. Absolutamente. No entanto, para algumas pessoas relembrar o passado pode ser lenitivo para a alma. Eu, todavia, “vou viver as coisas novas que também são boas”.

E, pra finalizar o texto deste domingo, transcrevo um pedaço de uma crônica escrita pelo mestre Dorian Jorge Freire há muitos, muitos anos:

“Aqui há de um tudo. As miscigenações, lá fora temerárias, aqui são saudáveis, revelam o pluralismo democrático. Aqui todo mundo é partidário, toda gente passional, 8 ou 88. Tomamos partido em briga de galo, brigamos em dança de pastoril, eu com a Diana do cordão encarnado, você escravo da Diana do cordão azul. Aqui tudo é nosso: nossa cidade, nossa Catedral, nosso rio, nosso O Mossoroense, nosso baixo meretrício. (…) Sabe lá, Tágide minha, o que é viver em Mossoró, sem perder a perspectiva do futuro improvável, nem a saudade do passado presente”.

Odemirton Filho é oficial de justiça

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Categoria(s): Crônica

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