domingo - 10/07/2022 - 11:18h

O corrupto

Por Inácio Augusto de Almeida 

Nunca age por impulso. É pragmático e tem domínio sobre o que faz. Parece ser uma pessoa encantadora, mas se bem observada dá para perceber, sem muita dificuldade, tratar-se de uma pessoa manipuladora e sem empatia.

Sabe como poucos vender a imagem de bonzinho, para isso se utilizando da sua enorme capacidade de envolver a quem dele se aproxima.  Corrupção, tráfico de infuência

Usa a facilidade de bem se comunicar e sempre tem a palavra mais adequada a qualquer circunstância. Desconhece o sentimento de culpa e usa de todo e qualquer expediente para se passar por vítima.

Não acredita em Deus, mas faz questão de sentar-se sempre no primeiro banco da igreja durante as atividades religiosas e busca participar de todo movimento religioso. Nunca faz doação com recursos próprios, só investindo, corrupto não doa, generosamente dinheiro público a fim de ser considerado caridoso e participativo e assim cobrir-se com o manto protetor da igreja.

Na família absorve totalmente a personalidade dos filhos e do companheiro, transformando-os em fantoches. Isto consegue assumindo o papel do protetor que tudo resolve e assim zera a capacidade decisória de todos.

Compromisso tem apenas com o alcançar dinheiro, poder e prestígio. E para alcançar estes objetivos pouco importa ao corrupto se tem que destruir carreiras de profissionais altamente qualificados e de excelente origem familiar, mas ingênuos e   desconhecedores das trapaças da vida. A estes, acena com promessas de rápida ascensão profissional, econômica e social e, usando esta forma sórdida, consegue cooptar profissionais competentes, mas de baixa autoestima e caráter fraco transformando-os em marionetes.

Todo corrupto adora ostentação. Necessita mostrar-se para compensar sua fraqueza de caráter através da aceitação social. Nunca espere que um corrupto se regenere. Quando desmascarado, finge arrependimento, porém está se questionando onde errou.

Medo tem apenas de uma coisa.  Ficar sem dinheiro. Dinheiro que é seu deus, sua pátria e sua família. Sem dinheiro o corrupto se sente um farrapo humano.

Crônica dedica à Laverna, deusa dos ladrões.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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domingo - 03/07/2022 - 13:44h

Lembranças

Por Inácio Augusto de Almeida

O time tricampeão do Flamengo era Garcia, Tomires e Pavão. Jadir, Dequinha e Jordan. Joel, Rubens, Índio, Benitez e Esquerdinha. Por que decorei o nome de todos os jogadores? Porque Dequinha era mossoroense. E isto fazia com que o menino sonhador que eu era se imaginasse parte daquele grupo.olhos negros, mulher, olhos

Da menina que na janela ficava todas as tardes me lembro muito bem. Lembro até que nunca ouvi uma só palavra pronunciada por aquele anjinho de olhinhos e cabelos negros.

Montava bem a cavalo, com ou sem sela e me imaginava um cowboy mais destemido do que Roy Rogers. Das revistas em quadrinhos gostava de todas e viajava junto com o Zorro e o Tonto.

Colocava talo de jaca com alpiste para pegar passarinho, que logo em seguida soltava por perceber o sofrimento nos olhos do galo de campina ou do canário. Tinha uma baladeira, mas só atirava pedra nas mangas e cajus.

O tempo passa rápido…

Aos poucos fui fazendo amizades no colégio. Wanderley, Lobato, Antônio. Wanderley virou bancário e Lobato dono de farmácia. Do Antônio nunca mais tive notícia.

Iolanda foi a namoradinha do primeiro beijo. Mocinha de saia azul e blusa branca como normalista que era.

Aí chega a verdade da vida e tenho que trabalhar de dia e estudar de noite.

Vejo a Iolanda casando. Passei a namorar Georgeteh. Naquela idade o coração suporta bem as dores de amor. Casei, tive filhos que cresceram e seguiram seus caminhos. Hoje restam lembranças, doces e amargas.

Saudade tenho do tempo de lateral esquerdo do Graça Aranha de São Luís do Maranhão. Eu me julgava um Nilton Santos. Daquela época, lembro bem de num programa de calouros, as rádios tinham programas de auditório, ter cantado ALGUÉM ME DISSE, anasalando a voz para parecer Anísio Silva, o cantor sucesso da época.

Que ninguém diga que eu não tentei.

Nesta tarde ameaçando chuva, flashs de momentos divertidos. Mas não esqueço dos momentos duros, difíceis. Imagino se me fosse permitido voltar para tudo viver novamente.

Eu aceitaria ou recusaria? Não sei.

Não sei porque acredito que vivemos para seguir em frente na escala evolucional e o passado pertence ao passado. Até seria bom reviver momentos significativos do meu passado. Momentos que enchem meu coração de saudade.

Lembro que assim aconteceu com meus pais e fico a pensar ser a vida uma reprise com variações mínimas, quase imperceptíveis. Basta ver que vivemos mais para os filhos do que para nós mesmos.

Melhor não aceitar recomeçar e entender que o maior encanto da vida é caminhar.

Hoje preso numa cama, vítima de uma maldita ou bendita artrose, certeza tenho de que a morte não me assusta. Estas malditas dores e mais acreditar que a morte não é o fim, afastaram de mim todo o medo da passagem que em breve acontecerá.

Mas, se eu estiver enganado e a morte for o fim? Se apenas escuridão existir? O que farei?

Um eterno ronco será a minha resposta a esta brincadeira sem graça do Criador.

Bendita artrose que me permite voltar ao passado e fazer estas reflexões. Maldita artrose que tanta dor me causa.

E assim constato que a vida é céu e inferno a um só tempo.

Fecho os olhos e em vão procuro a estrela em que a menina de olhinhos negros se escondeu.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

Crônica dedicada ao professor Odemirton Filho

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 26/06/2022 - 12:40h

Bendita compreensão

Por Inácio Augusto de Almeida 

Tem dia que não bate uma saudade. Nem forte nem fraca. Simplesmente não bate saudade alguma. No peito, aquela agulhada no coração, provocada por lembranças que teimam em se fazer presentes. Lembrança, fotografia, fotógrafo, lambe-lambe

Sabe que não é saudade o que lhe incomoda, pois entende ser saudade a lembrança de momentos bons, alegres e com os quais todos sonham, numa hipotética volta ao passado.

Novamente viver? Sabe ser impossível. A vida não é uma fita de vídeo.

O que mexe com ele são as lembranças que não ficaram como saudades.

Lembranças que, às vezes, comportam-se como um duro promotor, de dedo apontado para seu peito, gritando erros cometidos há anos. Erros não esquecidos, e que teimam em atormentá-lo com cobranças cabíveis por conta de loucuras cometidas e que, quando repassadas, vê, com total clareza, o quanto foi insensato, procedendo de maneira tão condenável aos olhos de agora.

Num instinto de defesa, grita que jamais procedeu de forma intencional quando agia daquela maneira, agora entendida como tresloucada.

Lembra de tanta coisa. E de tantas coisas ri, enquanto o promotor, com olhos esbugalhados e com uma baba escorrendo pelo canto da boca, teima em aparecer com cobranças já prescritas.

O tempo tudo cura. Cura quando lhe mostra o quanto mudou daqueles dias para cá. E dia a dia, através do processo natural de amadurecimento, passou a entender que o ele de hoje é outro totalmente diferente.

Foram mudanças lentas, progressivas, imperceptíveis, mas tão profundas que às vezes não se reconhece de imediato e pensa até mesmo ser uma outra pessoa.

E assusta-se ao tentar imaginar como será o amanhã. Chega até mesmo a sentir medo do novo eu, que fatalmente surgirá.

Tem agora consciência de não ser possível mudar o que está em constante mutação…

Aprendeu, pelo sofrimento, que sabedoria sem humildade é como piscina sem água. E, principalmente, que não se adquire sabedoria através da cultura, mas do dia a dia. Lembra-se de Patativa do Assaré e de Cora Coralina a produzirem cultura fazendo uso de um palavreado simples, bem diferente da linguagem rebuscada, utilizada por intelectualóides que mascaram o vazio do amontoado de palavras, escrevendo de uma maneira que obrigaria até Champollion ao uso de dicionário.

Fazem isto para parecer coisa de algum valor as baboseiras que escrevem. Acha tudo isto um sarro. Ou é um medíocre a buscar um academicismo do qual está distante anos luz?

Hoje, prefere repartir o pouco conhecimento com todos a se isolar para posar de intelectual.  Faz, assim, a opção pela generosidade mental.

Aprendeu que a vida é compartilhar. O resto é frescura de egoístas de corruptelas, condenados ao esquecimento.

As lembranças amargas já não lhe provocam tantas dores. Entende perfeitamente que a maneira equivocada como procedeu foi determinada por conhecimentos limitados. O meio lhe encheu de falsos valores. E o maior deles foi achar que felicidade era TER.

TER e ostentar, achava ser o suficiente para mostrar-se um vencedor.

Hoje, vê corruptos agindo desta maneira, e ri. Ri ao constatar que quanto mais pobre o meio social de origem, maior a necessidade de ostentação…

O tempo é capaz de transformar egoístas em generosos. Mas isto só acontece com os que não ficam estáticos e compartilham conhecimento, num alegre jogo de dar e receber, só possível aos de espírito generoso.

Tudo isto avalia, e se convence de que os erros cometidos resultaram da imaturidade de um tempo que foi vivido de forma compatível ao ser que ele era naquela época. E que não podia ser diferente do que foi.

Será que daqui a alguns anos este mesmo sentimento de culpa não irá surgir e um outro promotor vai aparecer no seu imaginário para lhe acusar dos atos praticados hoje?

Será que este incansável acusador se fará presente até o último dia de sua vida?

Vida que nada mais é do que mudanças constantes.

Melhor deixar estes questionamentos de lado, procurar esquecer as lembranças e se refugiar nas saudades.

As saudades são sempre doces …

Inácio Augusto de Almeida é escritor e jornalista

Crônica dedicada ao Pe. Sátiro.

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domingo - 12/06/2022 - 13:48h

O reflexo de Deus

Por Inácio Augusto de Almeida 

No quintal, olhando os primeiros frutos ainda não maduros da mangueira plantada quando cheguei, anos atrás, para morar nesta casa de quintal grande, neste bairro afastado, vi o que Deus faz e dificilmente notamos.frutos de mangueira, manga

Um simples caroço de manga transformado numa frondosa árvore com centenas de frutos a mostrar o milagre da multiplicação.

Olhando os frutos vi a grandeza maior e compreendi o quanto havia de beleza nas coisas que nos passam despercebidas.

Meu espírito viajou e sentiu-se na presença do Criador.

E me perguntei se um simples caroço de manga se transforma numa enorme mangueira, se qualquer semente, mesmo sem exigir cuidados, brota, cresce e mostra que a vida continua florescendo em toda a sua plenitude, por que então duvidar que o filho amado do Pai não consiga rebentar em nova vida e crescer, agigantar-se no renascer?

Os sinais de que continuaremos a jornada evolutiva estão em todos os lugares. Basta olhar com o coração.

Infelizmente não observamos com maior cuidado as estações do ano. Mas, mesmo com toda nossa desatenção, conseguimos ver que as folhas caem no verão e a vida se faz presente na primavera.

Isto apesar dos nossos olhos estarem sempre focados em futilidades. É a viseira do pragmatismo a nos deixar cegos para as coisas grandes e verdadeiramente importantes.

Tudo é belo, lindo, maravilhoso. A única coisa feia é o nosso olhar quando o afastamos do coração.

Veja um rio apenas com os olhos e certamente verás somente sujeira. Olhe este mesmo rio com o coração e ouvirás o zoar das cachoeiras, a beleza das corredeiras e a tranquilidade das calmarias. E mesmo o rio estando sofrendo a falta de amor do homem pela natureza, quando olhamos com o coração a poluição passará despercebida.

Um dia, quando eu não sei, nos convenceremos de que nossas angústias e medos são originados pelo desejo de sempre TER e SER cada vez mais e mais. Não colocamos limites para nossas ambições.

Ainda não nos convencemos que a felicidade está no FAZER. É o fazer o bem que nos permite crescer e nos coloca mais perto de Deus.

Já sabemos que nenhum bem faz mais bem ao coração do que o bem do amor. Então, vamos fazer o bem com amor e deitar por terra todas as dúvidas que nos assaltam quando da caminhada que empreendemos em busca da perfeição.

Perfeição que nos aproxima mais e mais de Deus.

Somos viajantes e nosso destino é o encontro maior.

O encontro com nosso Pai.

Volto a olhar as lindas mangas balançando por força da brisa vespertina deste dia tão lindo de céu azul anil e nuvens branquinhas como flocos de algodão que acabaram de brotar.

Como ter medo do renascer?

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

*Crônica dedicada à Sra. Sandra Rosado.

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domingo - 05/06/2022 - 10:40h

O amor maior

Por Inácio Augusto de Almeida 

Olhando para o infinito lembra-se do amor cantado em verso e prova. Amor que inspira pintores, escultores, músicos, cineastas, poetas e escritores. O verdadeiro amor. O amor tão sublime que é louvado por todos.

amor, símbolo de amorAmor da Maria numa manjedoura explodindo de felicidade por ter seu filhinho nos braços. Amor mostrado na obra prima de Vittorio de Sica, Duas Mulheres, onde a mãe se sacrifica para proteger a filha. Amor que tão bem Vicente Celestino mostra na música Coração Materno. Amor capaz de tudo perdoar.

Lembra-se, nesta tarde mormacenta e preguiçosa, de um homem que conheceu, um cortador de palha de carnaúba. Um pai feliz capaz de guardar o toucinho, recebido com um punhado de farinha a título de almoço, para a filha, comendo apenas a farinha e sentindo a felicidade do amor maior.

Existe coisa mais linda do que o amor maior?

Pena que muitos desconheçam esta verdade e troquem a felicidade pela ilusão do prazer imediato que as drogas e o enriquecimento a qualquer preço provocam nos que se divorciam do verdadeiro caminho e enveredam por atalhos causadores de tantas desgraças.

Estes infelizes se autointitulam pragmáticos e se deixam dominar pelo imediatismo, buscando resultados instantâneos. Trocam o amor maior por um arremedo de felicidade.

Não sabem da depressão que se segue a euforia causada pela droga? Desconhecem que o dinheiro ganho de forma espúria se transforma na pedra de Sísifo?

Não escutam o choro dos famintos a quem tudo furtaram porque sensibilidade nunca tiveram.

Vivem só para si.

E pelo prazer imediato trocam a felicidade verdadeira, agindo como imbecis, que entregam joias e recebem bijuterias.

Ao verem um tranquilo homem admirando um lindo pôr do sol, cercado pelo carinho de netinhos aos quais explica o movimento dos astros, se compensam dando um riso de mofa, mas no fundo da alma deixam escorrer uma lágrima.

Lágrima que também escorre quando o efeito do pó passa e voltam ao mundo real onde se sentem pobres diabos.

Estes passam pela vida sem viver a vida. Vegetam e buscam compensação na droga ou felicidade no contar dinheiro e na admiração de joias que não podem ostentar.

Quanta diferença para o cortador de palha de carnaúba que recebe todas as tardes o beijo carinhoso da filha. Beijo cheio de amor.

Feche os olhos e não conseguirá ver nos semblantes de drogados ou corruptos nenhum sinal de felicidade. Apenas angústia e insegurança.

Tente imaginar um destes pobres diabos, arremedos de gente, sorrindo e com os olhos brilhando, mas não conseguirá. O máximo que enxergará serão rostos desfigurados a mostrar dentes que os fazem parecer hienas.

Quando se convencerão de que a felicidade só existe onde existe o amor maior?

E não adianta procurar este amor maior nos vícios, dinheiro ou posição social.

O amor maior só pode ser encontrado na família.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e jornalista

P.S Crônica dedicada à Sra. Naide Rosado.

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domingo - 29/05/2022 - 13:26h

100 dias

oculosPor Inácio Augusto de Almeida 

E lá se vão 100 dias de espera por uma consulta oftalmológica pelo SUS em Mossoró.

Isto me lembrou 100 ANOS DE SOLIDÃO do maior escritor colombiano de todos tempos.

Gegê, como era carinhosamente chamado Gabriel Garcia Marques, o criador de personagens como o Coronel Aureliano Buendia, um revolucionário por vocação, um fracassado por total despreparo para as lides castrenses.

Buendia fez 17 revoluções e perdeu todas as 17. E mais revoluções perderia se mais revoluções tivesse feito. Aureliano Buendia era um desastre na arte das armas.

Macondo não é Mossoró.

Se fosse eu até me atreveria a seguir a trilha do Aureliano Buendia e daria início a uma revolução pelo direito a um atendimento respeitoso pelo SUS aos mossoroenses.

Confesso que cheguei até a imaginar o meu Estado Menor.

Estado Menor, sim, porque Estado Maior só pode ter quem dispõe de verbas para despesas necessárias a aquisição de boa alimentação; picanha, salmão etc.  E também de medicamentos e próteses que sempre são necessárias ao bom desenvolvimento dos combates.

Entenderam porque imaginei a criação de um Estado Menor?

E lá estaria Marcos Ferreira no comando da divisão de blindados com sua pena afiada a levar o pânico aos que negam o direito sagrado a assistência médica aos mossoroenses.

Ao Marcos Pinto, Barão de Apodi, o comando da artilharia, já que, diariamente, nos seus artigos, despeja tiros e mais tiros de canhão sobre os gulosos que misturam o público com o privado.

Nas comunicações o João Cláudio a gritar para o mundo PEGA FOGO CABARÉ, aterrorizando as hostes inimigas que não suportam nenhum alarde.

Jonh Clodô, nosso correspondente de guerra, a registrar para a posteridade, numa linguagem alegre, típica do colunismo social, toda a violência dos combates, não deixando sem anotação nenhuma CEI da desassombrada CÂMARA MUNICIPAL DE MOSSORÓ.

Da estratégia, tal qual o Aureliano, eu mesmo me encarregaria. Por estar com dificuldade de locomoção somente nesta área poderia atuar.

Não iríamos poder contar com apoio aéreo ou naval. Pensei numa jangada, seria a nau capitânia da nossa esquadra constituída de troncos de bananeira e de pedalinhos com nome dos meus netos.

Uma pipa de grande tamanho o nosso poder aéreo.

Achei tudo pouco e resolvi suspender o envio do ultimato aos que negam uma consulta oftalmológica em Mossoró a um idoso, mas que rasgam 600 mil reais com Safadão.

Se Mossoró fosse Macondo eu até me atreveria aos primeiros disparos por conta da confiança que tenho no Estado Menor das forças revolucionárias.

Infelizmente Mossoró não é Macondo. É bem mais desenvolvida do ponto de vista econômico. Se bem que, eticamente, Mossoró está milhões de anos luz distante de Macondo.

100 dias esperando por uma consulta oftalmológica me dá a certeza de que a realidade supera a ficção.

Nem Gabriel Garcia Marques conseguiria imaginar surrealismo tamanho na sua Macondo.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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domingo - 22/05/2022 - 12:18h

O portal

Por Inácio Augusto de Almeida 

Céu azul sem uma nesga de nuvem a anunciar uma linda noite de estrelas brilhantes.

Tinha acabado de voltar e já fechava os olhos na tentativa de ir mais cedo para além do horizonte.

Lembrou-se da primeira vez que chegara àquele local… subir, escada, tênis, progresso,

De longe avistou uma grande igreja encimada com duas torres. A estrada de chão batido cercada de mato nos dois lados e o aviso da luz de combustível alertando ser preciso abastecer. Só então percebeu que o carro era diferente do seu e não sabia para onde estava indo.

Bem em frente da enorme igreja pessoas conversavam e crianças brincavam.

No ar um cheiro de felicidade.

Surpreso e alegre ficou quando pessoas a quem nunca antes tinha visto apertavam sua mão. Esqueceu até ali estar para colocar gasolina no carro.

Caminhando chegou a um casarão e certo ficou de que ali já estivera quando reconheceu a grande e bonita rede branca.

Subiu e do andar superior avistou um grande vale, onde cordeiros branquinhos se misturavam com a relva verdinha formando um lindo quadro. Ao fundo um lago.

Seus pensamentos viajavam e mergulhou em devaneios mil.

Tudo lhe pareceu tão diferente do descrito por Dante Alighieri…

Uma mão pousou no seu ombro e reconheceu a inconfundível voz do Lopes.

Lembra-se de ter ficado frente a frente com o Lopes, mas não ter visto o rosto do amigo. Apenas sentia sua presença.

Por estar gostando tanto do lugar acabou esquecendo da gasolina.

E muitos outros amigos viu, mas não se lembra de nenhum rosto.

Apenas sentia a presença de todos e entendeu porque enxergamos mais com o coração.

Sabia ter Lopes há muito feito a travessia e por lá ficado. Mas isto só percebia quando estava cá.

Pensou porque todos não iam logo para lá e ouviu de um amigo que só depois de cumprido o ciclo vital. Tolice querer antecipar a passagem.

Entendeu existir um mundo sem ambições, mundo de virtudes. Mundo só alcançável através do aperfeiçoamento nesta preparação para a travessia definitiva.

Olhou para o céu azul e riu.

Sabia não ter apenas sonhado. Sabia, mas precisava ter certeza absoluta. Certeza não se tratar de um simples sonho.

Deitou e relaxou. Aos poucos a igreja com suas duas torres, a grande praça e o casarão. Tinha conseguido o domínio da passagem. Era como se estivesse de posse da chave do portal.

Entendeu ser agora possível ir e vir quantas vezes quisesse.

Procurou pelo Lopes, mas não o encontrou. Começou a perguntar pelo velho amigo e ninguém sequer ouviu suas perguntas. Começou a entender que ali eles é que falavam quando queriam.

Sentiu-se um telefone que só podia atender, mas nunca chamar.

Notou a presença de Lopes e alegrou-se por não mais se sentir só na multidão. E Lopes foi direto ao assunto.

Explicou-lhe que a passagem definitiva só acontece no momento certo e que os apressados erravam o caminho e ali não chegavam. E lhe aconselhou, agora que tinha a certeza da existência de local tão maravilhoso, a dedicar o tempo que ainda faltava para a passagem definitiva a se melhorar mais e mais, porque, lá como cá, existiam várias escalas.

Antes que conseguisse dizer alguma coisa, Lopes continuou e perguntou se tinha percebido a presença de Teresa de Calcutá ou de Dulce. De Lampião ou de algum corrupto.

Imediatamente voltou e, deitado na cama, riu.

Riu e chorou.

Riu de felicidade por ter visto o outro lado.

E chorou por ter desperdiçado tantas oportunidades de se melhorar.

Olhou, não para o céu azulado e sem nuvens, mas para o teto do quarto onde um marimbondo buscava encontrar a janela para se livrar das limitações.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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domingo - 15/05/2022 - 11:38h

Imaginação

Por Inácio Augusto de Almeida 

Viajar na máquina do tempo é um sonho acalentado pelo ser humano há muitos e muitos anos. E este desejo tem sido alimentado cada dia de maneira mais intensa por religiões e pela indústria cinematográfica.

Desconhece o homem que tem dentro de si a máquina do tempo?a-maquina-do-tempo-h-g-wells-livro-resumo-resenha-1895-700x361

Se é possível voltar no tempo, visitar o passado?

Basta fechar os olhos, ativar a memória, e o transporte à época desejada acontece instantaneamente. Nossa memória é a passagem para o passado.

Imagine-se criança, com seu primeiro brinquedo. Brinquedo que agora vê e que Papai Noel trouxe. Depois você viaja e está frente a frente com sua primeira professora, aprendendo o ABC e a contar nos dedinhos da mão.

Viu como é possível voltar ao passado?

Mas nunca cometa a loucura de querer voltar, fisicamente, para reencontrar as pessoas e as coisas que fizeram parte do seu passado.

Tudo vai lhe parecer muito diferente, mesmo sem nada ter mudado.

Fiz essa experiência revisitando locais da minha infância e juventude. A única coisa que consegui foi destruir ilusões que acalentei por tantos anos. Já não encontrei a professora que me ensinou as primeiras letras. Apenas vi fotos que me foram mostradas por um neto dela. A enorme sala onde ficava, com os coleguinhas, ainda estava lá. Só que de enorme não tinha nada. Era apenas um pequeno cômodo da casa que meus olhos infantis viram como uma enorme sala.

Procurei a casa onde morei e constatei que a alta calçada onde eu andava de velocípede, na verdade não passava de uma calçada de pequena altura. Ri do medo que sentia de cair da calçada com meu velocípede.

Todos as fantasias iam desabando, mas a decepção maior aconteceu quando procurei e encontrei a primeira namorada.

Na minha imaginação estava muito viva a menina de olhos negros, tranças longas de cabelos castanho claro e riso bem aberto na janela todas as tardes. E vi-me frente a frente a uma esbelta e risonha senhora, com grossos óculos, cabelos curtos, brancos e com um bisneto no braço. Rindo nos abraçamos. E eu a me perguntar em que estrela estava a minha namorada…

Saí arrependido de ter voltado.

Voltado para quê?

Para destruir a bela imagem que carreguei por tantos anos? Para me convencer que nossos destinos eram paralelos?

Não sei. Sei que de tudo ficou a certeza que tinha cometido a loucura de destruir a mais bela fantasia da minha vida.

O presente está aqui e agora. Basta abrir os olhos e o coração. Dispensável qualquer máquina. Por que além de abrir os olhos, abrir também o coração?

Os olhos enxergam tão pouco… O essencial só conseguimos ver com o coração.

Se virarmos a máquina do tempo para o futuro, podemos sonhar, dar asas à nossa imaginação. E, mesmo juntando desilusões, são os sonhos que nos motivam a continuar vivendo. Você pode encontrar um homem sem dinheiro, mas você jamais encontrará um homem que não acalenta sonhos.

A máquina do tempo existe!

Ela está dentro de nós.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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domingo - 08/05/2022 - 11:42h

O sonhador

Por Inácio Augusto de Almeida 

Anoitece em Mossoró e caminhando para casa, após um dia de trabalho no balcão de uma loja, minha atenção é despertada por um menino vivo, esperto.

Vi o menino na praça do PAX e logo imagino que não fita morrote, mas se entrega a devaneios olhando fotos do Himalaia.Book.

Irrequieto, denota ser possuidor de uma inteligência incomum. Seu desassossego chamou a minha atenção.

Caminhando, carregando na cabeça a figura daquele garoto, apresso o passo pois ainda tenho o colégio onde alterno história com geografia.

Depois de muito falar de oceanos, continentes, Tiradentes e Celina, retorno para o merecido descanso.

Noite carrancuda, sem lua e sem estrelas, apenas nuvens que trazem o agradável cheiro de chuva.

Vejo populares em volta de um corpo coberto com folhas de jornal. Aproximo-me por força do impulso que sentimos para testemunhar tragédias.

Olho e fico estarrecido.

Era o garoto irrequieto.

Ouço comentários de que tentara furtar a bolsa de uma mulher e um passante sacou do revólver e fez vários disparos. Um senhor gordo olhou e rindo disse que bandido bom é bandido morto.

O filete de sangue não trazia a lua para o chão, porque lua não havia na noite escura que, para mim, se tornou mais escura.

Outro dia, mais uma vez o balcão da loja.

Lembro dos meus alunos e busco uma maneira de fazer mais do que falar de continentes e fantasiar histórias criando heróis de mentirinha.

O menino estirado na calçada era como se fosse todos os meus alunos.

No noticiário um imbecil a dizer que tinham dado baixa no CPF de um drogado…

Droga, sempre a maldita droga a desgraçar nossos jovens.

O que fazer para afastar os jovens desta peste?

O esporte se mostrou incapaz de sozinho distanciar a garotada do vício maldito. A especulação imobiliária varreu os campinhos de futebol. Nos colégios quadras esportivas ociosas porque administradores não investem um centavo para estimular o esporte.

Como afastar os jovens das drogas sem contar com apoio do poder público?

Teresa de Calcutá me surge com aquele sorriso e os olhinhos cheios de amor.

Leitura, leitura, desperte nos jovens o gosto pela leitura.

Assustei-me. Tinha certeza de ter visto a Santa e ter escutado a sua voz mansa e amorosa. E antes de perguntar como despertar nos jovens o gosto pela leitura ouvi que criação de concurso literário bastaria. Que os prêmios eu buscasse consegui-los pedindo ou até esmolando.

Ela viera para me mostrar o caminho.

Naquela noite, ao invés de aula, pedi aos alunos que escrevessem uma história qualquer.

Surpreendi-me com a criatividade dos estudantes.

Resolvi fazer um concurso literário entre meus alunos e prometi prêmios em livros que compraria para os melhores colocados.

Não sabia onde arranjar dinheiro para os livros. Sabia que tinha despertado naqueles jovens o gosto pela leitura. E isto me dava uma enorme tranquilidade. Senti ser verdade que nenhum bem faz mais bem ao coração do que o bem do amor.

A notícia se espalhou e de todos os lugares livros chegavam.

E foi a partir da ideia do sonhador, inspirado por Santa Madre Teresa de Calcutá, que nas escolas de Mossoró as crianças foram despertadas para a leitura.

No ano seguinte a Secretaria de Cultura assumiu a realização do concurso literário em todos os colégios de Mossoró. Logo a seguir as faculdades passaram a ter concurso literário.

E assim surgiu a semana da literatura em Mossoró. Mossoró que passou a ser reconhecida como a Capital da Cultura.

O sol forte batendo no meu rosto despertou-me.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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domingo - 01/05/2022 - 13:46h

Reminiscências

Por Inácio Augusto de Almeida 

Sempre às 3h ele começava a tocar o pandeiro. Pandeiro que era seu único amigo. Nunca ninguém o viu a conversar com alguém. Se segredos tinha, os guardava só para si.

Aos sábados fazia as compras que trazia numa sacola de lona.pandeiro

Não era magro nem gordo. Seu nome ninguém sabia. A única coisa que todos sabiam era que tocava pandeiro todas as tardes e que morava sozinho.

Eu era um menino de 6/7 anos que pela manhã frequentava o grupo escolar e que fazia os deveres, logo após o almoço, para ir me distrair ficando na torre da igreja. Igreja que ficava ao lado da casa onde morava.

Subia numa escada tipo caracol e ficava perto do sino de onde avistava toda a cidade, a estrada para Caicó e os morrotes que na minha visão infantil enxergava como montanhas gigantescas, mas que meu pai chamava de serra.

Ali pegava a brisa que amenizava o calor das tardes quentes de Jardim do Seridó. E ali ficava até começar a ouvir o barulho do pandeiro, quando descia e ia pegar a merenda que todas as tardes minha mãe preparava e colocava na grande mesa.

Um dia não ouvi o som do pandeiro e só desci da torre porque minha mãe chamava dizendo ser hora da merenda.

Comendo macaxeira com carne de sol, senti que alguma coisa estava faltando.

Faltava o som do pandeiro.

Falei para minha mãe e pedi para ir até a casa do homem do pandeiro. Ela disse que quando papai chegasse ele iria lá comigo.

A tarde se ia lentamente, preguiçosa até. Torcia para ouvir o som do pandeiro, mas apenas os galos de campina enchiam com seu canto aquele final de tarde.

E antes da noite encher o céu de estrelas, papai chegou.

Depois de muito bater na porta ouvimos o caminhar de alguém arrastando os chinelos.

O olhar do homem mostrava que estava doente. Papai me deixou em casa e foi em busca do único médico da cidade.

Ficamos sabendo, pelo médico, que a “doença” era solidão.

Solidão que se somou a um quadro de desnutrição.

Desnutrição provocada pela falta de apetite.

Eu não entendia bem o que o médico dizia. Achava aquilo tudo complicado.

Coisa de gente grande.

Foi a partir desta tarde que o homem do pandeiro passou a sorrir para mim e a balançar a cabeça, num discreto cumprimento ao meu pai. Mas falar, não falava.

No sábado eu pedi a mamãe para ir à feira tomar caldo de cana e comer pastel. Na verdade, eu queria ver e conversar com o homem do pandeiro.

Ele estava comprando bananas quando me aproximei. Sem falar nada me ofertou uma banana.

Quando lhe perguntei porque morava sozinho, riu. Um riso triste, mas riu.

Repeti a pergunta e dele ouvi ser a vida uma ilusão.

Naquele dia não entendi a resposta que ele deu à minha pergunta.

Falou e foi se afastando, levando consigo a sacola de lona onde carregava as compras e as desilusões.

Esta foi a única vez que eu falei com o homem do pandeiro.

Quando disse a papai o que ouvi, papai riu. Riu e me disse que o tempo me explicaria melhor o que eu agora queria saber.

E os dias se seguiram e todas as tardes eu sendo avisado da hora da merenda pelo som do pandeiro.

Papai se mudou de Jardim do Seridó para São Luís do Maranhão.

O homem do pandeiro já deve estar entre nuvens brancas tocando seu pandeiro. Afinal, 70 anos se passaram do dia em que ele me disse ser a vida uma ilusão.

Lembro do meu pai a me falar que o tempo me mostraria, com clareza, a resposta que ouvi do homem do pandeiro.

Olho para as nuvens brancas e imagino papai e o homem do pandeiro rindo de um menino que teima em continuar uma criança sonhadora.

 Tão sonhadora que ainda escuta o som do pandeiro das tardes quentes de Jardim do Seridó.

 Inácio Augusto de Almeida é escritor e jornalista

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domingo - 24/04/2022 - 12:12h

A história se repete

Por Inácio Augusto de Almeida 

Chorou muito ao saber que seria deixado na escola. Olhou para a cartilha, o caderno e o lápis. Dos pais ouviu que teria muitos coleguinhas com quem brincar e ganharia uma nova tia.

Ficou virando as páginas da fina e pequena cartilha e via apenas riscos que na sua imaginação viravam animais e aves. Gostava muito do ratinho e, mais ainda, do passarinho que voava num céu muito lindo. Ficou pensativo e apontando para a figura que parecia a escada usada pela mãe para pegar frutas no quintal.Família, nova família,Quando apontou com o dedinho a figura, o pai com muita paciência disse ser a letra A.

De lancheira de plástico a tiracolo, onde a mãe colocou uma banana e um pão, seguiu para seu primeiro dia de escola. A cartilha, caderno e lápis o pai entregou à diretora.

Chorou, mas logo começou a sorrir com as peraltices dos coleguinhas e as brincadeiras organizadas pela tia.

Feliz ficou quando viu a letra A no quadro negro e lembrou do que o pai tinha lhe ensinado. E riu quando outros coleguinhas não sabiam que aquela figura era a primeira letra do alfabeto.

Manifestava-se, pela primeira vez, a alegria do sentir-se superior.

O tempo passou e chegou a época da primeira série.

Já conhecia todas as letras e conseguia formar palavras como pai, mãe e casa.

Na escola seguiu aprendendo e percebeu que agora levava para casa dever que fazia sempre com a ajuda da mãe ou do pai.

E assim, sempre ouvindo que era preciso estudar muito para na vida ser feliz, a criança viu no espelho o rosto se transformando com a chegada da penugem…

Na juventude o papo girava em torno do vestibular. Era vestibular e a Carteira de Motorista o que mais a turma visava para ser feliz.

O ingresso na Universidade era visto como a porta da felicidade. Estar realizando um curso superior e ter uma CNH era o tudo para todos que tinham como diversão os filmes das sessões dos sábados no PAX.

Quando conseguiu a CNH e o diploma percebeu que felicidade mesmo só casando e tendo filhos.

E casou e teve filhos.

Mas felicidade sem ter os filhos bem encaminhados? Como?

Daí se dedicou de corpo e alma a trabalhar na emancipação dos filhos. Filhos que hoje crescidos e bem posicionados na vida estavam.

Lembra-se das alegrias das festas de formatura, aprovação em concursos disputadíssimos e dos casamentos.

Agora estava certo de que a felicidade conheceria tão logo surgissem os netos para brincar de montar quebra-cabeças, jogar damas e fazer palavras cruzadas.

E os netos surgiram, mas sempre muito ocupados com jogos eletrônicos.

Perguntou a si mesmo pela tal felicidade.

E lembrou-se que fazia meses que não via o brilho de alegria explodindo nos olhos dos seus pais.

Descobria pela dor o quanto a felicidade sempre tão perto não tinha percebido.

Reuniu os filhos, noras, genros, netos e, todos juntos, foram à casa dos já quase esquecidos pais.

E sentiu-se pela primeira vez plenamente feliz.

Feliz por ver o brilho de olhos cansados inundados por lágrimas de felicidade.

E percebeu, finalmente, que a história sempre se repete.

História que relega a um plano menor o que realmente nos faz conhecer a felicidade.

Felicidade que só existe no amor mais puro e verdadeiro.

Enquanto os netos brincavam e os filhos conversavam, ficou a observar os corações dos seus pais que viajavam olhando as travessuras dos bisnetos.

Muito feliz ficou por ter descoberto e voltado a tempo.

Voltado ao que existia.

No seu coração, a alegria pela descoberta da verdadeira felicidade.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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domingo - 17/04/2022 - 11:26h

A beleza da vida

Por Inácio Augusto de Almeida

Por ser dinâmica é bela. Nada fica parado. Nem mesmo as pedras. Tudo é movimento, mudança.

De Ptolomeu a Coopérnico mais de treze séculos se passaram. Vida, gaiola, liberdade

Mas a mudança aconteceu e a terra deixou de ser o centro do universo. Depois Galileu e a história seguiu em frente.

Nos costumes as mudanças também aconteciam, só que lentamente.

Sócrates tinha escravo, isto mais de três séculos antes de Cristo.

Tiradentes tinha escravos e falava em liberdade, igualdade etc.

Não fosse a bravura dos negros e até hoje a escravidão, na sua forma mais nojenta, ainda existiria. Foi pela luta e com muito sangue derramado que aconteceu a libertação dos escravos.

Mas as injustiças ainda existem. Desigualdades absurdas acontecem e passam despercebidas.

Nos quartéis existem refeitórios separados para oficiais, sargentos e soldados. E com qualidade de comida diferenciada, como se os estômagos não fossem iguais.

Na justiça os que têm dinheiro contratam bons advogados e zombam dos pobres que estão encarcerados

Do tempo que se acreditava na infalibilidade da palavra papal aos dias de hoje, onde poucos levam em conta o que fala o Papa, muito tempo se passou.

Será que tudo realmente mudou?

O homem, na sua essência, mudou?

Lembra-se do dia em que, na seção onde trabalhava, recebeu a visita de um francês, pai de um jovem que tinha falecido junto com a noiva em um desastre automobilístico na Anápolis/Goiânia.

Veio junto com o maior amigo do seu filho, mesma turma da Academia da Força Aérea.

O pai do jovem que perdeu a vida no acidente trazia na mão o texto que tanto emocionou o amigo do seu filho. E ao ler a mensagem fez questão de ir agradecer as palavras que tocaram o fundo do coração de um pai arrasado pela morte prematura do filho tão querido.

E naquela tarde viu aqueles dois homens abraçados chorando. Um a perda do amigo-irmão, o outro a perda do filho.

O tempo passou e tudo caiu no esquecimento a provar que o homem continua tal qual o da época pré-socrática.

A prática do alpinismo social que o torna inferior aos animais ditos irracionais continua presente e ainda mais forte nesta época de tanto avanço tecnológico e de anulação de sentimentos.

Esquece o homem que caminhar sempre para frente termina por levá-lo ao ponto de partida.

Não percebe que assim procedendo não se dá conta do afastamento dos valores que realmente contam e tornam a vida bela. Isto acontece por estar sempre com os olhos fitos na escada que sobe e com orgulho e soberba se proclama um pragmático.

Envolvido por ilusões, não percebe que o tempo passa e mais dia menos dia chega a hora das lembranças e das saudades.

E se arrependerá das saudades que  permitiu por razões diversas, fossem transformadas apenas em vagas lembranças, se é que alguma lembrança ficou.

E nestes dias de saudosismo lembrar-se-á daqueles a quem era tão grato e preferiu o simplismo do esquecimento ao fardo da gratidão.

É fácil condenar por ouvir dizer. É cômodo condenar e se livrar de quem no jogo duro da vida preferiu não ferir os princípios da dignidade e tudo suportou estoicamente, apenas lamentando os contorcionismos feitos por pretensos epicuristas.

Nada dura para sempre. Para sempre é muito tempo. Nem mesmo as mentiras, costuradas, ardilosamente, se mantém indefinidamente.

É no ocaso, onde só a verdade importa, que entre um balanço e outra da velha cadeira, lágrimas e sorrisos se mostrarão e só a desculpa do quanto se deixou enganar servirá de consolo.

Aí será tarde demais para esquecer ou tentar corrigir as injustiças cometidas em nome da justiça.

Existe alguma coisa mais bela do que a vida?

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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domingo - 10/04/2022 - 13:00h

O homem que dormia demais

Por Inácio Augusto de Almeida 

Gostava de dormir. Desde o dia que sonhou estar em Shangri-la, sempre que podia, dormia. E quando não podia, dava um jeito.

Sabia não existir felicidade contínua. Na vida real. Mas no sonho…

Ilustração Web

Ilustração Web

No sonho, quando se transportava para Shangri-la, sabia ser possível a convivência harmoniosa entre pessoas de todas as procedências.

Em Shangri-la não há lugar para homicidas, traficantes, estupradores e corruptos.

Diferente de Pasárgada, lá ninguém é amigo do rei, porque além de não existir rei, ninguém em Shangri-la é delfim.

Lá a justiça é igual para todos, independentemente da cor da pele, poder econômico ou profissão.

Nem sempre sonhava estar em Shangri-la, maioria das vezes se via correndo leve, solto, livre totalmente, por uma campina de grama esverdeada e com muitos lagos de águas cristalinas onde se banhava alegremente. Sentia-se bem, mas não feliz como em Shangri-la.

Alguma coisa faltava naquele lugar paradisíaco e imaginou ser a tranquilidade excessiva o que lhe perturbava. Ninguém com quem conversar.

Sentia-se só.

Continuou caminhando entre flores e pisando numa grama que o orvalho tornara mais macia.

Ao longe via um lindo sol rasgando nuvens brancas tendo como fundo um lindo céu azul.

Arcos-iris múltiplos se formavam tornando o firmamento belo.

Tudo muito bonito, lindo, maravilhoso.

Só que dentro de si começava a crescer uma angústia.

A certeza de estar só o fez sentar-se à beira do lago e chorar.

Queria falar, dizer o quanto queria dividir tudo aquilo com alguém, mas alguém não existia. Chegou mesmo a lamentar ter medo de por estar sozinho aparecer um ladrão. No fundo do coração se agigantava o desejo do surgimento de um bandido.

Era a terrível solidão mostrando-se por completo e provocando-lhe a maior de todas as dores.

A dor de ser feliz sozinho.

Sabia ser esta a dor presente na vida de todos aqueles que esquecem os amigos de ontem por terem atingido o apogeu e nem se lembrarem que tudo passa e a vida continua. São os que enxergaram apenas a escada que sobe e da escada que desce se esqueceram. Como da decrepitude que chega com o inexorável passar dos anos nem se lembram e passam a viver como se o ocaso que vem com o inverno não existisse e a vida fosse uma eterna primavera.

Ouviu um grito e acordou.

Era a mulher a lhe mostrar o papel da conta de luz e a reclamar que o gás tinha acabado.

Levantou-se da cama sorrindo como antes jamais sorrira.

– Além de viver dormindo ainda ri quando sabe que o gás acaba.

A mulher falando e ele rindo mais ainda. Nos seus olhos o brilho da felicidade.

Afinal tudo não tinha passado de um sonho.

Sonho ou pesadelo?

A partir deste dia passou a dormir menos.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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domingo - 03/04/2022 - 10:40h

Perdeu o trem

Por Inácio Augusto de Almeida

Da antiga canção, que tanto gostava, nem se lembra mais. Os sonhos findaram. Foram tragados pela dura realidade e afogados no mar das desilusões.

Nem mesmo a saudade ficou dos poucos bons momentos vividos. trem, estação de trem, linha ferroviária, trilhos,

Apenas vagas lembranças ainda surgem para lembrar quimeras perdidas.

O que já foi motivo de riso, hoje, transformado está em choro.

E chora.

Chora ao olhar folhas mortas caídas no chão sendo levadas por um simples sopro. Lá em cima nuvens passam em direção a um destino desconhecido.

A dúvida se instala e fica a questionar se foi transformado em uma folha morta ou em uma nuvem sem destino.

Apenas uma certeza tem.

Certeza de que a vida não é mais do que uma grande trapaça. Trapaça onde o bem só vence o mal nos contos de fadas.

Na calçada da igreja vê drogados deitados com os olhos fixos no nada, como no nada sabem que estão suas vidas. Vidas sem hoje e sem amanhã. Um padre se agacha e tenta levar, aos caídos e vencidos, algumas palavras de fé e esperança.

Palavras já ditas sem muita convicção.

No outro lado da rua um moderno supermercado, onde carros de luxo estacionam e deles descem madames e crianças risonhas que nem percebem tão próximas estão das vítimas de um sistema injusto que a alguns tudo nega.

Um carro da polícia passa na sua ronda vespertina. Sabem os policiais do consumo de drogas, mas vencidos estão pelo prende/solta e já se acostumaram àquela cena.  Cena dantesca apenas aos que vivem, juntos com Alice, num mundo maravilhoso.

Constata que a guerra contra as drogas foi perdida e até se lembra da declaração de um líder político dizendo que mal nenhum existia em furtar um celular para trocar por um cigarrinho de maconha.

No rádio a música SE SEGURA MALANDRO…

Sabe ser impossível o céu na terra, mas se esforça na teimosa luta contra o inferno que se agiganta e a tudo e a todos vai dominando completamente.

Sente ter ficado parado no tempo, apegado a valores, hoje, considerados quixotescos.

Perdeu o trem.

Perdeu o trem ao insistir que o crime não compensa, mesmo vendo o crime organizado umbilicalmente ligado ao que de mais podre existe na política.

Sabe do financiamento de campanhas com dinheiro sujo de sangue.

Tem conhecimento do crescimento do roubo de cargas e da pulverização que é feita do produto do roubo com os comerciantes de pequenas cidades. Comerciantes que estocam o roubo dentro das suas casas de muros altíssimos para evitar qualquer fiscalização.

Observa que todos percebem o enriquecimento meteórico destes grupos, mas calam. E os que deviam combater o crime fecham os olhos.

Tornou-se lucrativo e seguro nada enxergar.

Lucrativo porque escaparão de um final de vida na penúria de uma aposentadoria humilhante. Seguro por não ter que contrariar pessoas tornadas poderosas pela conduta desonesta.

Perdeu o trem.

Disto ficou certo ao ouvir de políticos que o governo só está interessado na quantidade de votos que cada corrutela dá para nenhuma mudança acontecer.

Dentro de si explode o grito de que a podridão não se manterá.

Tem certeza de que o descarrilamento acontecerá. Sabe que poucos não poderão manter tantos na miséria indefinidamente.

Acredita ser tudo apenas uma questão de tempo.

Continua um sonhador.

E assim morrerá.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 27/03/2022 - 09:00h

O jornaleiro

Por Inácio Augusto de Almeida 

Todos os dias o menino passava com uma ruma de jornais em frente a um quartel no centro de Belém na Praça da República.

Ali parava para apanhar algumas mangas e descansar do peso dos jornais. jornaleiro

Ficava chupando mangas sentado no chão embaixo de uma mangueira. Nem das belas estátuas se dava conta.

Aquele garoto despertou a curiosidade de um militar. E por curiosidade, quase sempre o militar atravessava a rua e ficava a conversar com o jornaleiro que mal conseguia falar, tal a maneira como comia as mangas.

O garoto era o tipo amazônico com ascendência indígena sem nenhuma miscigenação. Já o militar, um nordestino típico.

Aos poucos o militar ficou sabendo que o menino estudava e morava num bairro da periferia onde os alagamentos eram constantes. A casa era de madeira; ao invés de uma rua, tábuas servindo de ponte no alagado onde tinham feito o casebre.

Isto lembrava ao militar uma casinha de palha…

Naquele dia observou muitos jornais e resolveu perguntar quantos o menino já vendera naquela manhã que prometia ser chuvosa.

Sem levantar os olhos, sem nada falar, o jornaleiro fez o V da vitória.

Com a chuva ameaçando cair, muito certamente não venderia mais nenhum jornal naquele dia

– Você quer vender todos estes jornais bem ligeirinho?

O jornaleiro deu um pulo, levantou-se e balançou a cabeça.

– Faça o seguinte. Limpe as mãos, pegue os jornais e vá para a esquina. De lá venha gritando AUMENTO DOS MILITARES, AUMENTO DOS MILITARES.

Quando o menino saiu para a esquina o militar atravessou a rua e ficou no portão de entrada do quartel.

Logo começou a ouvir o grito do jornaleiro anunciando o aumento dos militares.

Olhou para um colega e perguntou se ele tinha escutado o jornaleiro anunciar a manchete do jornal. Um outro militar disse ter ouvido alguma coisa como AUMENTO DOS MILITARES

Antes do jornaleiro passar em frente ao portão já havia vários militares com o dinheiro na mão.

E foi um vapt-vupt. Faltou jornal para tantos compradores.

Quando o último jornal foi vendido o menino com os olhos cheios de medo e uma voz baixinha perguntou:

– E agora?

 – Agora? Agora vá embora, ligeiro, não olhe para trás e passe um tempão sem andar por aqui.

Não sabia porque estava nesta viagem de transporte de estudantes do projeto Rondon a se lembrar desta passagem da sua vida. Voava de Santarém para Parintins

Lembrava e ria da cara dos colegas procurando no jornal a notícia que não existia.

Resolveu ir ao banheiro do C-47 que os americanos, após a guerra, tinham doado ao Brasil. E na passagem para o banheiro viu entre os passageiros, universitários que estavam no projeto Rondon, um rosto que lhe pareceu familiar.

Na volta encarou aquele estudante que também o olhava com simpatia e um sorriso bem aberto.

– Gostou de ter vendido todos os jornais?

– Foi a mais rápida venda de jornais que fiz.

– Qual curso está fazendo?

– Medicina.

Em Brasília Geisel era o Presidente da República e nas universidades meninos inteligentes, através do estudo, faziam cursos que mudariam completamente as suas vidas e a dos seus familiares.

Uma enorme alegria dominou por completo aquele piloto. E um grande abraço aconteceu. Lágrimas rolaram nas faces e nos corações daqueles dois homens.

E ainda existe quem diga que a felicidade não existe.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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domingo - 20/03/2022 - 09:24h

Sonho realizado

Por Inácio Augusto de Almeida

A partir do momento em que, na Serra da Ibiapaba, Tianguá-CE, teve oportunidade de ficar a menos de 20 metros de um objeto voador não identificado e conseguiu ver o que existia dentro, um desejo enorme passou a acalentar.OVNI - Itália

Saber como é viver fora da terra.

Naquela noite em que conseguiu olhar pela janela o que havia dentro daquele OVNI e, além da iluminação Azul violeta, viu um grande salão vazio, sua curiosidade aumentou.

Do avistamento já se passaram 50 anos.

Sonhar estando dentro daquela nave, quantas vezes sonhou…

Mas sonhos são sonhos…

Hoje, sempre que viaja a Natal e passa perto do Pico Cabugi, um vulcão extinto, lembra-se do avistamento e tem a impressão de que “ELES” estão ali.

Sente uma energia muito forte.

Na viagem a Natal, demorou-se mais do que de costume e regressou já de noite.

Ao aproximar-se do Pico do Cabugi, a mesma sensação de estar recebendo uma descarga elétrica. Olhou para o alto e viu várias luzes que se deslocavam fazendo um oito e depois se unindo para formar uma única luz.

Surpreso ficou ao ver a luz mergulhar no vulcão extinto.

Parou e viu uma trilha que tornava possível levar o carro até o sopé do Monte Cabugi.

E foi o que fez.

Dentro de si a certeza de que o contato desejado por tantos anos finalmente ia acontecer.

Perguntas se atropelavam na sua cabeça.

Perguntas que tinham se acumulado durante meio século e para as quais nunca encontrara respostas.

Desceu do carro. Só aí se deu conta do forte brilho das estrelas.

Antes de chegar ao cume do Cabugi sentiu que não mais estava com os pés no chão.

A sensação era de um elevador com visão panorâmica.

Via com clareza as luzes da cidade de Angicos. Pelo brilho colorido dos seus braços percebeu o mesmo Azul violeta do encontro na Serra da Ibiapaba.

Não viu ninguém, mas passou a entender que as perguntas, por tantos anos carregadas, começavam a ser respondidas.

Sentia-se feliz.

De repente começou a entender a razão de tanta desigualdade e sorriu quando se lembrou de que as mudanças acontecem lentamente, mas acontecem.

Exemplos passou a ver.

Viu a escravidão ser abolida.

Viu Teresa de Calcutá escandalizando o mundo ao mostrar a miséria causada pela fome.

Viu a justiça aplicar penas duras não só aos pobres e pretos.

Não perguntou nada, mas entendeu que tudo tem seu tempo e sua hora.

Não havia mais apreensão ou medo.

Pensou na injustiça social que persistia e parecia se agigantar. Teve a impressão de alguém lhe dizer que nada dura para sempre. Estranhou. Estranhou e a mensagem foi completada com a afirmação de que para sempre é muito tempo.

Ficou convencido de que, aos poucos, a injustiça daria espaço a um mundo sem dores.

Não via como isto se tornar possível.

Mais uma vez a impressão de ouvir alguém dizer-lhe que a demora seria menor porque tinham voltado e agora cuidariam mais do social.

No meio do Azul violeta viu vultos. Apenas vultos.

Quando deu por si já estava chegando a Mossoró.

Ficou a pensar o que realmente existe no Monte Cabugi?

O que realmente acontece naquele vulcão extinto onde quase todas as noites luzes são avistadas?

Por que o ambiente é igual ao mostrado nas fotos que a NASA divulga do planeta Marte?

Alguma coisa de muito estranha acontece no vulcão do Cabugi.

Organizar vigílias para ver as luzes, chamar ufólogos para a aventura e, quem sabe, até mesmo um contato com os iluminados.

Com estas ideias na cabeça adormeceu e sonhou ver um caroço de ervilha azul girando no espaço.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e jornalista

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domingo - 06/03/2022 - 13:40h

3X4 PRETO E BRANCO

Por Inácio Augusto de Almeida 

De dentro do ônibus, já quase noite, avista ao longe um avião que passa com destino ao Norte.

Talvez para Fortaleza ou Belém.

Olha para os passageiros e vê crianças comendo biscoitos baratos. Na parada para o almoço ficaram brincando com uma velha bola para passar o tempo e espantar a fome. Onibus

Olhou buscando o avião e só viu as luzes, azul e vermelha, na ponta de cada asa.

O sol, entre nuvens vermelhas, anunciava a chegada da noite.

A ponte, que separa Juazeiro de Petrolina, tinha ficado para trás e imaginava chegar a Fortaleza manhã cedo.

Sabia que o avião, se o destino fosse Fortaleza, logo estaria chegando.

Acomodou-se na cadeira do ônibus e disse para si que apenas mais uma noite e também estaria em Fortaleza.

Fechou os olhos, mesmo sabendo que não conseguiria dormir.

Conseguiu apenas um mergulho nas suas memórias.

E lembrou-se da concessionária de carros de propriedade do seu pai. Da grande festa na mansão, quando o irmão se elegeu deputado federal. Era ainda um meninote…

Nunca se esqueceu da chegada das novas marcas de carros e de concessionárias mais amplas e modernas. Seu pai falava de uma tal concorrência, mas naquela idade não compreendia o que aquelas mudanças iriam significar na vida de toda a família.

Não conseguia dormir. Chegava mesmo a ouvir o choro do pai, da mãe e do irmão, principalmente do irmão, no dia que não conseguiu renovar o mandato de deputado federal. Recordações…

Do avião conseguiu ver o ônibus e lembrou-se da escola pública onde estudava no período noturno após deixar o trabalho de ajudante de pedreiro na construção de uma ponte. E da caminhada da ponte até a escola, por não ter dinheiro para pagar a passagem do ônibus, não tinha como esquecer.

Estudava depois que chegava da escola e, já quase 10 horas da noite, para vencer o sono e o cansaço, colocava os pés dentro de uma bacia com água.

O belo sorriso da aeromoça, a lhe perguntar se preferia camarão à francesa ou escalopinho, para o jantar, e se desejava vinho ou cerveja, o libertou daquelas tristes lembranças.

A noite caiu e trouxe a escuridão. Os meninos já tinham acabado as bolachas e perguntavam se estava perto do ônibus parar.

Lembrou-se da mesa sempre farta do seu tempo de garoto e dos bons restaurantes onde seu pai parava quando das viagens de puro lazer.

Não sentia fome. Aquele avião que passou lhe trouxe saudades da melhor fase da sua vida. Uma época onde tudo era lindo e maravilhoso. Tempo em que para passar de ano no colégio nem precisava estudar. Escola de mensalidade caríssima e de professores compreensivos.

Riu quando lembrou-se de como conseguiu driblar o vestibular com um outro estudante, já no último ano do curso, fazendo as provas em troca de um dinheirinho.

As crianças faziam uma festa porque o ônibus parou.

Desceu, só para estirar as pernas. E olhou para o lindo céu estrelado. Não sentia a menor vontade de comer. As emoções…

Voltou ao ônibus e finalmente conseguiu dormir um pouco.

Ao descer na rodoviária, em Fortaleza, toma um susto.

Dá de cara com o estudante que fizera o vestibular por ele.

– Antônio, quanto tempo?

– Francisco, você aqui, nesta rodoviária?

– Estou indo para Uruoca. Lá tenho uma rede de supermercados. Larguei o direito e me dediquei ao comércio.

Antônio conhecia Uruoca com seus 11 mil habitantes e disse que tinha chegado ontem a Fortaleza, vindo de Brasília. Como não tinha avião para Massapé, ia ter que encarar o ônibus. Era dono de uma fábrica de calçados etc.

Francisco lembrou-se do avião que avistara de dentro do ônibus.

Antônio reclamava do ar condicionado do hotel onde dormiu.

No Whatsapp de um velho, que também esperava um ônibus, uma música que falava ter a vida duas escadas…

Francisco e Antônio despediram-se com um abraço e cada um pegou seu ônibus.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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domingo - 27/02/2022 - 13:20h

Fim de tarde

Por Inácio Augusto de Almeida 

Neste fim de tarde de nuvens carrancundas e de pouca chuva, tarde que se vai preguiçosamente, num nunca acabar, apenas um silêncio profundo toma conta deste quarto no qual permaneço há tanto tempo que perdi a conta dos meses ou anos que deitado vivo.

Vivo, porque a minha cabeça mergulha vez por outra no passado, mas quase sempre está buscando o amanhã. Fim de tarde - Guarulhos-SP

Não, não quero o ontem. Desejo, como desejo o amanhã.

Um cachorro late e me leva a questionar se existe mais solidariedade e respeito entre os animais do que entre nós.

Lembro da história do cachorro que ficou semanas à beira do túmulo do seu grande amigo esperando a sua volta.

Recordo-me de um enterro, onde filhos do falecido olhavam os relógios receosos de perderem algum compromisso por conta da demora no sepultamento.

Preciso afastar estas lembranças que ferem meu coração e busco no Tik-Tok alguma piada para contrabalançar a minha tristeza.

Um “humorista” conta, rindo, que tocaram fogo num mendigo e que a pedra de crack disse estar vingada.

A plateia explode em risos e palmas.

Eu me assusto.

Penso que rir e fazer rir com o tocar fogo num ser humano nos leva ao último degrau da degradação humana.

Pergunto para mim, em voz baixa, porque em vez de aplaudirem, não vaiaram tamanha idiotice? E descubro a razão para a não vaia, para a não indignação.

Perdemos totalmente a noção de valores. Amizade, fraternidade, solidariedade e amor ao próximo viraram pieguismo, coisa comum aos fracos.

Importa mais a indiferença, o desamor, a ambição, o sempre ter mais e mais para, tendo mais, mais ter e TER. E assim cada vez mais ser e SER.

Descubro-me a censurar os que estão rindo de uma piada e constato o quanto sou pior quando, sabendo do furto praticado pelos corruptos, por covardia, calo.

Calo. E mais, rastejo. Rastejo quando me levanto na igreja para os canalhas, cedendo os primeiros lugares.

E aos vermes me nivelo quando, no restaurante, entra um patife e aplaudo de pé, para aparentar alegria pela chegada do monstro que furta a Educação das crianças e a Saúde dos velhos.

Furta desviando o dinheiro da Merenda, Uniforme e Transporte Escolar.

Furta desviando o dinheiro das cirurgias e dos medicamentos.

Monstro que pouco se importa com o sofrimento do seu semelhante.

Qual a diferença entre tocar fogo num mendigo e deixar faltar insulina e outros medicamentos para se apropriar do dinheiro?

Qual a diferença entre tocar fogo num mendigo e negar Educação aos jovens, encaminhando-os assim para as veredas da criminalidade onde a vida é curta?

Estarreceu-me uma plateia rir de tocarem fogo num mendigo.

Assusto-me quando constato não me indignar com o genocídio causado pela corrupção.

Nem eu nem ninguém se toca para o quanto somos covardes.

O cachorro volta a latir. Certamente para me lembrar que os bons sentimentos existem no mundo animal.

Quando voltaremos a recuperar parte da nossa dignidade?

Quando voltaremos a ouvir o latido de um cachorro sem questionar nossos valores?

Quando estaremos preparados para receber Jesus Cristo podendo olhar bem dentro dos olhos do Salvador?

Quando voltaremos a ser nós mesmos?

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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domingo - 20/02/2022 - 11:38h

A felicidade existe

Por Inácio Augusto de Almeida 

Peço caldo de cana e pastel. Enquanto espero, lembro-me de quando meu pai me levava para comer pastel com refresco de maracujá numa lanchonete que ficava próxima à Farmácia dos Pobres. pastel

Olho a rua e na calçada a passar uma mulher com um barrigão enorme e uma gigantesca expressão de felicidade estampada no rosto. Certamente estava perto de ser mamãe.

Penso nos grupos que lutam pela legalização do aborto sempre apoiados por religiosos e políticos descompromissados com os princípios da fé cristã.

São os Herodes modernos, sempre vistos comemorando o aumento geométrico do número de suas INDEFESAS vítimas.

São os que matam pelo prazer de matar.

Em bandos se organizam para acobertar seus indefensáveis crimes. Crimes que passam a chamar de DIREITOS SEXUAIS REPRODUTIVOS. Rotulam pomposamente o mais indefensável de todos os crimes.

Covardes, atuam sempre em conjunto, tal qual hienas, e contam com total apoio de uma imprensa mantida pelos compromissados apenas com o interesse econômico.

E com o apoio de religiosos negacionistas dos ensinamentos que juraram propagar com o sacrifício da própria vida, se necessário for.

Por ambição, esquecem as promessas e rasgam as juras.  E se dedicam de corpo e alma a uma luta contra princípios que jamais poderiam atacar.

Para isto tentam amortecer as suas consciências com as mais esfarrapadas desculpas.

Antes argumentavam que o mundo não conseguiria alimentar tantas bocas e matar, para evitar a explosão demográfica, era preciso. Pintavam um mundo superpopuloso, cheio de doentes e famintos, nos descrevendo cenas que faziam o inferno parecer o paraíso.

Foram desmentidos pelo tempo.  E esta falácia genocida não serve hoje nem para piada de mau gosto.

A produção de alimentos explodiu, a evolução da medicina aumentou a expectativa de vida, a engenharia deu um salto e moradias, construídas em série, existem para todos.

Se muitos passam fome, carecem de remédios e não têm moradias, a culpa é da pior praga que continua existindo e não é combatida com firmeza.

A CORRUPÇÃO.

Uma voz grita dentro da minha cabeça e mostra a grande verdade. Nenhuma criança pede para nascer e, muito menos, para morrer.

Reflito.

E quanto mais reflito mais fico sem entender um religioso falar de amor ao semelhante e defender o assassinato de criancinhas ainda no ventre materno. Fazem isto para ato seguinte distribuir o corpo de Cristo junto com bençãos mil.

E tudo isto dentro da CASA DE DEUS.

Casa que estão esvaziando porque o verdadeiro POVO DE DEUS condena esta conduta que faz lembrar os campos de DACHAU e de AUSCHWITZ.

Fico buscando uma música mais linda do que o choro de um recém-nascido acompanhado daquele movimento de pernas a lembrar um balé celestial.

Não encontro.

A quem interessa o fim da espécie humana?

Na garapeira da Alberto Maranhão, mesma rua da Igreja de São Vicente, igreja que serviu de trincheira para enfrentar o bandido Lampião e seu bando de assassinos, sou desperto destes pensamentos pela chegada dos pastéis quentinhos e do caldo de caldo de cana geladinho.

Não consigo deixar de continuar mergulhado nestes pensamentos e esqueço o pastel e o caldo de cana. Prossigo na busca de razões para justificar tanto ódio a criancinhas ainda em formação, sem condições sequer de defender o seu direito à vida.

Na rua a mulher gestante passou tão alegre, feliz, certamente sonhando um futuro venturoso para o filho carregado na barriga, irradiou tanta felicidade e fez a todos feliz.

Enquanto isto, infelizes tramam a morte de inocentes em nome de uma modernidade idiota e geradora de remorsos quando o outono da vida chegar.

O pastel esfriou. O caldo de cana continua doce e a vida mais bela.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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Categoria(s): Crônica
domingo - 13/02/2022 - 13:22h

Por que profissão esperança

Por Inácio Augusto de Almeida 

Quem não já ouviu a expressão BRASILEIRO, PROFISSÃO ESPERANÇA?

Esta frase é do cronista Antônio Maria, que além de cronista era jornalista, locutor esportivo, compositor e boêmio. a-esperanca-de-dias-melhores

De Antônio Maria temos MANHÂ DE CARNAVAL, VALSA DE UMA CIDADE, SUAS MÃOS e inúmeros outros sucessos, gravados por Maysa, Nora Ney, Miltinho, Roberto Carlos, Júlio Iglesias e centenas de cantores famosos.

Falar das crônicas de Antônio Maria é desnecessário.

NINGUÉM ME AMA, sua composição de maior sucesso, nasceu num momento que o poeta/cronista sentia-se deprimido e cansado da vida. Antônio Maria tinha deixado Fortaleza e tentava o Rio de Janeiro. Sobrevivia como jornalista. Para ganhar um larjan, como gostava de dizer, passou a escrever uma crônica diária para o jornal. Sucesso tão grande que a tiragem do jornal aumentou, já que as crônicas atraíram uma legião de leitores, jovens na sua maioria, que não liam jornal, mas encantados com a forma simples como o cronista dizia as verdades da vida, sem uso de textos rebuscados, passaram a leitores cativos.

Num destes dias em que o amargo da vida era mais forte, alguém lhe perguntou o nome e a profissão. Antônio, sem pensar, disse:

Antônio Maria,

Brasileiro, profissão esperança.

E assim nasceu o BRASILEIRO, PROFISSÃO ESPERANÇA.

Nestas três palavras o poeta/cronista definiu a nossa alma.

O que nós, brasileiros, somos sem esperança?

Mesmo sabendo de mais um ano de seca o nordestino planta cheio de esperança. Por mais que a realidade grite que não, o brasileiro, animado pela esperança, sua verdadeira profissão, insiste e persiste.

Sabedor de toda injustiça social, o brasileiro, cheio de esperança, sua verdadeira profissão, acredita em mudanças, mesmo que a realidade grite que tudo continuará na mesmice de sempre.

Ter esperança é continuar mesmo quando tudo grita para desistir. É não abandonar a caminhada, por mais tirana que seja a estrada.

Ter esperança é muito diferente de ser otimista.

Otimista soma os fatores com os quais contará para alcançar o objetivo.

Antônio Maria não disse BRASILEIRO, PROFISSÃO OTIMISTA.

Poucos cronistas souberam tão bem usar as palavras como Antônio Maria.

Os otimistas conseguem realizações vistas por muitos como impossíveis.

Os brasileiros, profissão esperança, vão além.

Ir em cima de um caminhão, em busca de numa terra distante encontrar uma oportunidade, não é coisa de otimista.

Acreditar no triunfo do bem contra o mal num sistema corrompido, não é coisa de otimista.

A lamentar que muitos confundam esperança com loucura.

Muito obrigado, Antônio Maria.

Inácio Augusto de Almeida é escrito e Jornalista

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Categoria(s): Crônica
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 06/02/2022 - 13:28h

Pobres diabos

Por Inácio Augusto de Almeida 

Existem os que não conseguem olhar outra pessoa sem ser de cima para baixo.

Desconhecem que isto só deve ser feito se for para ajudar quem caiu a se levantar. Não sabem o que é colaboração. individualismo, corrida, mundo econômico,Individualistas, rejeitam todo tipo de comportamento coletivo. Sentem aversão por movimentos sociais e, quando fingem participar de algum, o fazem visando obter resultado imediato e com a exigência da direção por saber da visibilidade que ganham estando à frente do grupo que se esforça por prestar serviço comunitário.

Na verdade, sentem-se pequenos e buscam autoafirmação. Ser liderado causa-lhes profundo sofrimento. Tentam assim escapar da realidade que grita de forma escandalosa toda a sua gigantesca inferioridade

Não conseguem perceber o momento atual, onde a colaboração e a compreensão tornaram-se fundamental para a nossa sobrevivência como humanos.

Vivem num mundo de fantasias, sentindo-se perfeitos e cobrando de todos uma perfeição só existente em suas mentes doentias.

Um exemplo claro deste tipo de comportamento são os caçadores do calcanhar de Aquiles. Babam de felicidade quando descobrem um cisco no olho do semelhante e não notam que estão usando apenas um olho.

Outro tipo que bem exemplifica estes pacóvios são os corruptos.

Estes a todos medem pela comparação do amealhado, através dos furtos praticados, com o patrimônio honesto dos não praticantes de desvios de conduta. Avaliação fazem pelo TER, pouco se lhes importando o SER.

Sempre encontram justificativas para as desonestidades praticadas e debocham das condenações a longos anos de cadeia. Escapam do cumprimento da pena por força de recursos existentes em leis frouxas e comemoram dando sonoras gargalhadas.  Sequer percebem a rejeição social que sofrem nas ruas, supermercados, bancos e qualquer local público onde têm o atrevimento de se mostrarem.

Nem desconfiam que vivem uma liberdade trancada.

Ainda não se deram conta de que nada serão se forem só por si, já que sozinho ninguém chega a lugar nenhum.

Leem, mas não entendem, escutam, mas não assimilam o que ouviram.

Jesus Cristo precisou de doze apóstolos para poder divulgar a boa nova.

Os mentecaptos se julgam mais do que autossuficientes e se têm na conta de onipotentes.

Quando a realidade se faz presente e começa a lhes engolir pela solidão do isolamento social, ao invés do arrependimento, bate a revolta.

Remorso não sentem, já que remorso exige amadurecimento.  E estes tipos apenas apodrecem.

Pobres diabos.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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Categoria(s): Crônica
domingo - 30/01/2022 - 12:28h

O segredo da cascata

trilha-gruta-cascata-das-andorinhas - RSPor Inácio Augusto de Almeida 

O que torna mais bela uma cascata?

O volume ou a altura da sua queda d’água?

Quem sabe se não é a limpidez, cristalinidade e transparência da sua água, a formar espumas brancas, quando completa sua queda, que faz a beleza da cascata?

Ou será durante o dia, ao refletir os raios do sol, formando cores que nenhum pintor ainda conseguiu reproduzir ou durante à noite ao criar a linda colcha de retalhos com o brilho da lua e das estrelas?

A tudo isto some as borboletas multicoloridas enfeitando a vegetação em volta.

Esta é a beleza que vejo nas cascatas.

E o segredo? Qual o grande segredo da cascata?

Não existe segredo.

Tudo está exposto, claro, nada escondido. Apenas um pouco de sensibilidade para tudo enxergar.

O que existe é o não parar de jorrar. Seja a enorme Sete Quedas, seja uma pequena cascatinha encontrável em tantos morrotes, a cascata só existe enquanto jorrar.

Imagine as Sete Quedas sem uma gota de água.

Jorrar sempre, até porque só existirá como cascata enquanto jorrar.

Assim como as cascatas, somos nós. Por mais difícil que sejam as dificuldades, por mais seco que esteja o filete d’água, sempre jorrar e nunca deixar de acreditar que sempre haverá uma gotinha de água chamada esperança.

E jamais desistir.

Jorrar sempre, pouco ou muito, mas nunca deixar de jorrar.

Este é o segredo da cascata e da vida.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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Categoria(s): Crônica
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