sábado - 04/11/2023 - 15:30h
Reportagem especial

A nova serra dos potiguares está em obras, mesmo sem estrada

Por Tárcio Araújo (FM 95 Mossoró, especial para o BCS)

Beleza, clima agradável e tranquilidade e investimentos desenham nova realidade na serra (Fotomontagem do BCS)

Beleza, clima agradável, tranquilidade e investimentos desenham nova realidade (Fotomontagem do BCS)

Nos últimos cinco anos, a Serra de João do Vale, situada entre os municípios de Jucurutu-RN, Triunfo Potiguar-RN, e Belém do Brejo do Cruz-PB, a 132 km de Mossoró e 275 de Natal, têm vivenciado um momento de ebulição no que se refere à expansão de novos imóveis, além do turismo e outros negócios. Parece que “agora vai”, usando-se aqui um bordão muito em moda.

Até 2018, a localidade tinha crescimento tímido, praticamente inexistente, apesar de uma população estimada em 2.500 moradores nativos vivendo no seu platô.

Mas foi após a chegada de alguns investidores vindos de outras plagas, que a região passou a ter um dinamismo mais acentuado. Tanto na expansão das construções quanto na divulgação do potencial turístico e ainda em termos de cobrança social por melhorias em sua estrutura pública, como a sonhada estrada pavimentada.

“Eu vejo que esse novo momento faz a serra de João do Vale despontar no cenário do interior do estado como próximo destino serrano do Rio Grande do Norte, mesmo sem dispor ainda de acesso rodoviário com asfalto.” Quem pensa assim é o advogado caicoense Fábio Leite, que ergueu uma casa no lugar, tendência que muitos seguem. São dezenas as construções com esse perfil na serra.

Enquanto a estrada não sai do papel, a expansão imobiliária segue em ritmo acelerado por toda a extensão da chapada de “Pepetama” (nome dado pelos índios pegas, seus primeiros habitantes).

Em obras

Pelas contas do empreendedor e morador da localidade, Cássio Medeiros, 55, há hoje na serra de João do Vale entre 50 a 80 imóveis em construção. A maior parte é casa para descanso nos fins de semana, onde as famílias aproveitam a disponibilidade do clima, mirantes e outros encantos da natureza.

Pousadas, restaurantes e casas privadas estão ganhando vida no lugar (Fotomontagem do BCS)

Pousadas, restaurantes e casas privadas estão ganhando vida no lugar (Fotomontagem do BCS)

Medeiros, que é natural de Caicó, vislumbrou esse potencial desde 2019 quando inaugurou o seu ‘Mirante do Sossego’, com casa, espaço de alimentação, varanda e dois chalés para hospedagem. Atualmente ele está ampliando a capacidade de receptivo com a construção de mais dois novos apartamentos.

Segundo o empreendedor, a oferta de leitos na serra de João do Vale ainda é baixíssima. Ele conta que são apenas 05 chalés em toda serra, com limite de acomodar até uma dúzia de pessoas, não mais que isso.

A empresária Rosa Maria, proprietária do ‘Mirante do Vale’, foi a pioneira na visão do turismo local. Em 2015, ela abriu os dois primeiros chalés. O espaço é considerado uma das vistas mais belas da serra de João do Vale, com varanda estendida e espaço verde.

Atualmente mais três novas pousadas estão sendo erguidas por outros investidores. Estima-se que até o final de 2024, a serra de João Vale tenha uma capacidade de hospedagem para cerca de 100 pessoas.

Por enquanto, uma das saídas para quem procura hospedagem na região tem sido o aluguel de casas particulares para os finais de semana. O preço médio de uma locação residencial em casa ampla com vista para os mirantes está em torno de R$ 500 (Quinhentos).

Outro empreendimento que chama a atenção pela beleza arquitetônica e decoração, é o restaurante e pousada ‘Mirante do Lobo’, também em fase de construção. Um ambiente gastronômico que promete cozinha especial e uma vista para encher os olhos e a alma, além de outras atrações como trilha ecológica e passeio de charrete.

Maquete da Pousada Santarém de Janúncio Tavares (Reprodução)

Maquete da Pousada Santarém de Janúncio Tavares (Reprodução)

Entretanto, talvez quem mereça uma medalha de ouro pela coragem e empenho para conseguir com que a serra de João do Vale fosse descoberta, seja Janúncio Tavares, 35, que também negocia terrenos na serra desde 2013. “A gente tem vendido muito,” afirma.

Outro investimento dele é a Pousada Santarém, já em construção. Promete ser um grande diferencial em termos de hospedagem, em local muito privilegiado.

Situada na chapada pelo lado de Triunfo Potiguar e vista para o pôr do sol, terá 12 quartos com suíte e mais dois chalés, devendo ofertar 42 novos leitos após concluída.

E a estrada?

Apesar de muitas carências e muito a ser vencido, a serra como destino turístico carece de algo delicado e que há décadas está na promessa ou no “quase.” É o maior gargalo para alavancar a atividade turística no lugar: a construção da rodovia que liga a localidade até a cidade de Jucurutu, numa extensão de 17 km. O que tem sido uma luta que perdura por quatro décadas, mas que também se fortaleceu nos últimos anos graças ao engajamento dos próprios investidores locais.

“Esse grupo de pessoas têm reunido esforços para que a construção da estrada seja reiniciada o quanto antes”, conta o advogado Fábio Leite, que instigou Ação Civil Pública no Ministério Público Federal (MPF) para investigar denúncias de irregularidades na construção da obra. Os serviços estão paralisados desde março do ano passado.

No último mês de setembro, uma audiência pública foi realizada na cidade de Jucurutu com a presença de autoridades políticas e parlamentares, representantes do Governo Federal, prefeitos e diversos segmentos da sociedade. No encontro foi firmado um compromisso público por representantes do governo e deputados federais para que os serviços sejam retomados através da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (CODEVASF).

Natureza exuberante, clima e tranquilidade revelam potencial turístico do lugar (Fotos: Francinildo Silva)

Serra de João do Vale fica entre municípios de Jucurutu, Triunfo Potiguar e Belém do Brejo do Cruz (Fotos: Francinildo Silva/Arquivo)

Veja AQUI links para uma série de matérias sobre a serra de João do Vale, de sua história ao potencial econômico, belezas, ecologia e gente.

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terça-feira - 19/09/2023 - 21:44h
Sexta-feira, 22

Audiência pública discutirá desenvolvimento da serra de João do Vale

Serra de João do Vale - audiência pública - 22 de setembro de 2023 em JucuturuNesta sexta feira (22), às 9h, no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), em Jucurutu-RN, será realizada audiência pública sobre o desenvolvimento da serra de João do Vale na região do Seridó. “Turismo, desenvolvimento e meio ambiente na Serra de João do Vale” é o tema proposto.

A proposição é da deputada estadual Divaneide Basílio (PT) e vai contar com participação de empreendedores, investidores do turismo, autoridades políticas da região, representantes do judiciário, imprensa e sociedade civil em geral.

O objetivo é promover a discussão sobre o turismo da região e fortalecer o movimento de organização social local, objetivando desenvolvimento sustentável da serra de João do Vale.

A pauta principal da audiência tratará da retomada e celeridade da 2° etapa da obra de pavimentação da estrada da serra, paralisada em março deste ano, após desabamento de um trecho, causado pelas chuvas que caíram na região.

Há também uma investigação em curso na Procuradoria da Justiça Federal de Caicó, sobre a execução da obra de infraestrutura rodoviária.

A pavimentação da estrada da serra de João do Vale tem execução da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do Parnaíba e São Francisco (CODEVASF). O projeto contempla cerca de 5 km de pavimentação, orçados em cerca de R$ 9 milhões.

A estrada da será de João do Vale tem percurso de 12 km, com ligação por Jucurutu. Há também um acesso de 12 km pelo lado de Triunfo Potiguar, que também necessita de asfaltamento.

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sexta-feira - 25/11/2022 - 06:50h
Turismo

Estrada da serra de João do Vale tem obra em andamento

Por Tárcio Araújo

Os serviços da obra da estrada da serra de João do Vale em Jucurutu-RN (286km de Natal e 132 de Mossoró) foram iniciados em setembro último pela construtora CLPT e seguem obedecendo o cronograma com trechos já bem avançados. Inicialmente um trecho de 5 km receberá pavimentação completa, de um total de 19km que devem ser concluídos em etapas subsequentes.

A fase 1ª da obra tem previsão de conclusão em agosto de 2023, com valor orçado em R$ 7.719.933,45 mil.

Obras seguem sequência normal e terão mais máquinas à disposição (Foto: Tárcio Araújo)

Obras seguem sequência normal e terão mais máquinas à disposição (Foto: Tárcio Araújo)

A construção da estrada da serra de João do Vale é de responsabilidade do Governo Federal, sob a gestão da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e Parnaíba (CODEVASF).  O empreendimento sai a partir de diligências do então ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho (PL), eleito ao Senado este ano.

A construtora CLPT informou que nesta etapa são 15 máquinas e 30 homens trabalhando no canteiro de obras, e novos equipamentos devem chegar nas próximas semanas.  Os serviços abrangem implosão de rochas para abertura de novos acessos de subida, alargamento da via e terraplenagem.

Turismo

A pavimentação asfáltica da estrada da serra de João do Vale é um sonho antigo da comunidade. A aposta de moradores e investidores locais é de que o novo acesso melhore a qualidade de vida das pessoas e impulsione o turismo serrano como nova atividade econômica da região, uma vez que o platô serrano tem altitude de 750m com clima agradável e paisagens de mirantes naturais propícios à visitação e descanso.

Turismo de aventura, clima, ecoturismo e história (veja AQUI) formam um cabedal de atrações para fomento econômico da área, num impulso semelhante ao que ocorreu com outros endereços serranos do RN, como Serra de São Bento, Martins e a crescente Portalegre.

Leia também: Primeiro trecho de obra em estrada está em andamento.

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terça-feira - 21/06/2022 - 21:30h
Reportagem

Acesso à Serra de João do Vale está precário; obras não andam

Apesar de promessas públicas da Prefeitura Municipal de Jucurutu e até de assinatura de ordem serviço para obra do Governo Federal, a pavimentação de cerca de 19km entre a sede desse município e o topo da Serra de João do Vale, não passa de sonho. Ou pesadelo.

O tráfego segue sendo um martírio para quem precisa e uma aventura para quem pensa em transformar o lugar em novo destino turístico. Apenas 8 km estão asfaltados na parte baixa do percurso.

A prefeitura alega que não pode colocar calçamento antes da obra federal, que seria através da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF).

Em reportagem do jornalista Tárcio Araújo para a TV Cabo Mossoró (TCM Telecom), esse cenário fica muito claro em imagens e depoimentos diversos.

Leia também: Pavimentação abre caminho para a Serra de João do Vale;

Leia também: Bolsonaro assina ordem de serviço para estrada.

A Serra de João do Vale está situada entre os municípios de Jucurutu, Campo Grande e Triunfo Potiguar no Rio Grande do Norte, além de Belém do Brejo do Cruz na Paraíba. Fica distante 286km de Natal e 132km de Mossoró, com altitude de 747 metros.

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  • Repet
sábado - 05/03/2022 - 16:20h
Esporte

Serra de João do Vale vai sediar 3° Eco Trilha de Off Road

No próximo final de semana, dias 12 e 13 (sábado e domingo) de março, os motores vão roncar na Serra de João do Vale em Jucurutu. Acontecerá a 3° Eco Trilha Off Road.

Evento chega à sua terceira edição com expectativa de grande número de participantes (Foto: divulgação)

Evento chega à sua terceira edição com expectativa de grande número de participantes (Foto: divulgação)

O evento vai reunir amantes do esporte do RN, Paraíba e Ceará num trecho que compreende 55 km, partindo de Jucurutu com visita à Barragem de Oiticica até a subida da serra.

A programação começa no sábado com adesivagem em Jucurutu. No domingo pela manhã acontece o trajeto até o alto da serra, onde será servido um almoço e feijoada – com música ao vivo – para os participantes.

Até o momento cerca de 90 inscrições já estão confirmadas. Podem participar veículos 4×4, motos e quadriciclos.

Reservas e inscrições com Janúncio Tavares no Telefone-WhatsApp 9 9980-7902.

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quarta-feira - 09/02/2022 - 19:38h
Barragem Oiticica

Bolsonaro e Rogério culpam Estado por atraso em obra; governo reage

Do Poder 360 do Canal BCS

O presidente Jair Bolsonaro (PL) visitou nesta 4ª feira (9.fev.2022) pela manhã a Barragem de Oiticica, na cidade de Jucurutu (RN). Sua presença na cidade fez parte de programação presidencial nesse dia na região Seridó, sendo a principal a solenidade que marcou a chegada das águas da transposição do rio São Francisco ao estado.

O empreendimento vai receber as águas do Eixo Norte do projeto de integração do Rio São Francisco. Toda a obra está orçada em R$ 657,2 milhões.

Em Jucurutu, ao lado dos ministros do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho (PL) e das Comunicações, Fábio Faria (PSD), anunciou mais recursos à Barragem de Oiticica e outros investimentos na região. Entre eles, ordem de serviço (veja AQUI) para nova etapa da estrada pavimentada da cidade de Jucurutu à Serra de João do Vale no mesmo município.

Em seguida, o presidente e comitiva foram para Jardim de Piranhas, para a parte conclusiva de sua estada na região, que começou à tarde de ontem, com chegada a Caicó. Retornou a Brasília já à tarde, levantando voo do Aeroporto Dix-sept Rosado em Mossoró.

Polêmica

O presidente e o ministro Rogério Marinho chegaram a falar em vídeos divulgados em redes sociais, que a obra e Oiticica sofre atraso por descompromisso do Governo do Estado. A administração da governadora Fátima Bezerra (PT), horas depois, deu resposta.

Veja Nota Oficial abaixo:

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (SEMARH) repudia a informação veiculada pelo presidente Jair Bolsonaro e seu assessor, o ministro Rogério Marinho, sobre o andamento das obras da Barragem de Oiticica, localizada em Jucurutu.

As informações divulgadas no vídeo são inverdades e mostram, tanto da parte do presidente da República quanto do seu assessor, o total desconhecimento sobre as questões relacionadas ao Complexo Oiticica, especialmente, sobre os contextos sociais existentes. Ignorar a necessidade humana, ou considerar que a vulnerabilidade dessas famílias da comunidade Carnaúba Torta é algo menor, e que por conta dessas pessoas outras centenas seriam penalizadas, revela a ausência de sensibilidade que deve ser premissa não apenas de um gestor, mas de qualquer ser humano. Para o Governo do RN, essas obras vão além do concreto e da água a ser armazenada, pois são tratadas como parte de uma política pública na qual todos e todas são importantes.

A transferência das famílias pertencentes à comunidade de Carnaúba Torta faz parte de um compromisso assumido, por orientação da governadora Fátima Bezerra, que é de somente fechar a barragem quando todas essas famílias estiverem realocadas, com segurança e dignidade.

As casas já estão concluídas e serão entregues às famílias, que em breve poderão começar uma nova fase das suas vidas na agrovila de Jucurutu.

O Governo do RN, em nenhum momento, faz uso político de empreendimentos, especialmente do Complexo Oiticica, que garantirá segurança hídrica e desenvolvimento econômico para a população da região do Seridó.

A atual gestão estadual reforça que a execução das obras do Complexo Oiticica é de responsabilidade do Governo do Rio Grande do Norte, que age com celeridade na construção das obras físicas e sociais do projeto, e quem coube readequar projetos recheados de erros e vícios de construção para que o investimento pudesse levar, de fato, desenvolvimento à região.

É fato que o ministro Rogério Marinho, imbuído de interesses politiqueiros, perdido em meio à enorme rejeição que o povo potiguar tem pelas atitudes irresponsáveis do presidente da República — entre elas o desprezo à vida — encontrou nas obras de recursos hídricos tocadas ou planejadas pelo Governo do Rio Grande do Norte uma maneira de tentar se destacar além dos escândalos que o acompanham historicamente.

Com esse objetivo, Marinho fez questão de desfazer convênios federais já assinados com o Governo do RN e referentes a projetos importantes, planejados pelo governo estadual. Desconstruindo, como é de sua característica, o bom entendimento que foi construído através do seu antecessor no Ministério do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto.

Na sua sanha sectarista, Marinho impôs ao estado que entregasse à sua pasta o Projeto Seridó (300 km de adutoras que levariam água para 23 cidades), obrigou o Rio Grande do Norte a também entregar ao governo Federal a obra da barragem de Passagem das Traíras, que hoje encontra-se paralisada. Não satisfeito, retirou 32 milhões de reais relativos aos convênios que seriam destinados à instalação de dessalinizadores.

A água que o ministro do Desenvolvimento Regional e o presidente da República fizeram questão de destacar que estava sendo desperdiçada, pelo fato da parede da barragem de Oiticica não estar concluída, tem o mesmo valor que aquela do açude Passagem das Traíras, onde o ministro assumiu a obra e prometeu concluir em tempo recorde. A obra está parada, o inverno chegou, e lá em Passagem das Traíras nenhuma água ficou.

Depois traremos mais informações sobre passagem de Jair Bolsonaro pelo RN e muitos bastidores. Veja no vídeo constante dessa postagem a íntegra da solenidade em Jucuturu.

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quarta-feira - 09/02/2022 - 15:30h
Serra de João do Vale

Bolsonaro assina ordem para obra esperada há décadas

Durante a agenda oficial do presidente Jair Bolsonaro (PL) no Rio Grande do Norte, nessa quarta-feira (9), ele formalizou uma importante obra para o turismo-economia regional. Na verdade, uma obra esperada há décadas.

Natureza exuberante, clima e tranquilidade revelam potencial turístico do lugar (Fotos: Francinildo Silva)

Natureza exuberante, clima e tranquilidade revelam potencial turístico do lugar (Fotos: Francinildo Silva)

Foi assinada ordem de serviço para a segunda etapa da obra de pavimentação em Jucurutu que interliga a sede do município ao distrito de Serra de João do Vale.

Com investimentos de R$ 6,9 milhões, serão executados serviços de terraplanagem, drenagem e obras de sinalização, pavimentação e interseção do centro da cidade com a BR-226.

O Canal BCS – Blog Carlos Santos – já fez diversas matérias sobre o assunto, assinalando que a Serra de João do Vale, com essa estrada, passa a ser uma das grandes apostas do turismo de aventura, turismo serrano e ecoturismo no Rio Grande do Norte (veja AQUI).

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sábado - 13/11/2021 - 19:48h
História

Documentário “Messiânicos” será lançado dia 18 de dezembro

Documentário Messiânicos - Tárcio Araújo - estreia em 18 de dezembro de 2021Está marcado para o dia 18 de dezembro o lançamento do documentário “Messiânicos”, sob a direção do jornalista Tárcio Araújo. A obra audiovisual narra evento religioso ocorrido na serra de João do Vale-RN no ano de 1899, e, que reuniu milhares de fiéis sertanejos em torno da pregação do místico e beato Joaquim Ramalho.

O documentário tem duração de 23 minutos e sua narrativa traz depoimentos dos próprios moradores da localidade, através de memórias orais dos seus antepassados que vivenciaram o acontecimento. Escritores e estudiosos do assunto também participaram das gravações que ocorreram entre maio e agosto de 2020 na própria comunidade.

O documentário será lançado na serra de João Vale com a presença dos moradores e participantes do filme. Para 2022, a obra será exibida em festivais de cinema e vídeo, dentro e fora do Rio Grande do Norte.

Leia tambémHistória de beatos e messianismo no RN lembra Canudos.

O jornalista Tarcio Araujo conta que a intenção é difundir um acontecimento que segundo ele ainda é desconhecido pela historiografia potiguar. “Guardada as devidas proporções, o evento liderado pelo beato Joaquim Ramalho se assemelha no seu contexto histórico e social ao que ocorreu em Canudos e outras localidades durante o século XIX, quando o chamado messianismo dos sertanejos era uma das saídas para as mazelas do povo”.

“É importante que as pessoas saibam que no Rio Grande do Norte houve messianismo sim. Isso não pode passar ao largo da nossa história”, comenta.

Documentário foi produzido ano passado e ainda será lançado, mostrando história do messianismo na serra (Foto: Everton Maia)

Documentário será lançado na própria comunidade, onde boa parte da produção foi feita (Foto: Everton Maia)

A Serra de João do Vale, a cerca de 730m de altitude, estendida por 277km² entre os municípios de Jucurutu, Campo Grande e Triunfo Potiguar no Rio Grande do Norte e Belém do Brejo do Cruz na Paraíba. Fica a 130 quilômetros de Mossoró e 275 de Natal.

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quinta-feira - 21/10/2021 - 07:30h
Serra de João do Vale

Ministério garante recursos para início de obras em estrada

O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) aloca recursos da ordem de R$ 9 milhões para obras da estrada à Serra do João do Vale, no Rio Grande do Norte. Os recursos são estabelecidos através do aviso de Licitação (RDC Eletrônico Nº 28/2021 – UASG 195006), publicada na edição desta segunda-feira (18) no Diário Oficial da União (DOU).

Serra de João do Vale tem enorme potencial para ecoturismo, turismo de aventura e investimento imobiliário (Foto: arquivo)

Serra de João do Vale tem enorme potencial para ecoturismo, turismo de aventura e investimento imobiliário (Foto: Léo Melo )

Segundo documento, a licitação está prevista para 27 de dezembro na modalidade concorrência pública. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF), empresa pública vinculada ao MDR, ficará responsável pela execução dos serviços junto à empresa ganhadora.

A expectativa é que as obras comecem ainda no primeiro semestre de 2022, a partir do cumprimento de toda um trajeto burocrático.

Serra tem c3rca de 750 metros de altitude (Foto: autoria não identificada)

Serra tem c3rca de 750 metros de altitude (Foto: Léo Melo)

O pavimento asfáltico é uma reinvindicação antiga de moradores e empreendedores que enxergam no turismo um potencial de crescimento para a localidade.

Reportagens e determinação

O deputado estadual Nelter Queiroz (MDB) participou das tratativas para a viabilidade do projeto e comentou a decisão:

– “Graças ao ministro Rogério Marinho, ao presidente Bolsonaro e à nossa determinação, acredito que vamos finalmente alcançar esse benefício para a região e RN”.

O Canal BCS (Blog Carlos Santos) postou série de matérias sobre história e potencial turístico da Serra de João do Vale, fomentando exumação de luta por esse empreendimento e outros investimentos. Veja série abaixo, assinada pelo jornalista Tárcio Araújo:

Série Especial

Leia também: Serra de João do Vale, um destino a ser descoberto no RN;

Leia também: Serra de João do Vale tem marcas de disputas coloniais;

Leia também: História de beatos e messianismo lembra Canudos;

Leia também: Articulações tentam viabilizar estrada.

Com potencial para o desenvolvimento do turismo local, a Serra de João do Vale padece pela falta de infraestrutura de estrada.  Localizada entre os municípios de Jucurutu-RN, Triunfo Potiguar-RN e Belém do Brejo do Cruz-PB, a 275 km de Natal e 130Km de Mossoró, estando a 750m acima do nível do mar, o lugar desponta como próximo destino serrano do Rio Grande do Norte. Falta pelo menos essa estrada.

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domingo - 24/01/2021 - 22:04h
Economia

Articulações tentam viabilizar estrada para Serra de João do Vale

Por Tárcio Araújo

Com potencial para o desenvolvimento do turismo local, a Serra de João do Vale padece pela falta de infraestrutura de estrada.  Localizada entre os municípios de Jucurutu-RN, Triunfo potiguar-RN e Belém do Brejo do Cruz-PB, a 275 km de Natal e 130Km de Mossoró, com altitude de 750m acima do nível do mar, o lugar desponta como próximo destino serrano do Rio Grande do Norte.

Estrada carroçável só é acessível a veículos 4x4, e trechos com asfalto são escassos e semidestruídos (Foto: cedida)

Estrada carroçável só é acessível a veículos 4×4, e trechos com asfalto são escassos e semidestruídos (Foto: cedida)

Os prefeitos de Jucurutu, Iogo Queiroz (PSDB), e de Triunfo Potiguar, Darkinha Fonseca (PP), juntamente com outras lideranças regionais do entorno da serra João do Vale, e o deputado estadual Nelter Queiroz (MDB), solicitaram audiência para a última semana de janeiro de 2021, com a governadora Fátima Bezerra (PT). Eles querem a retomada das obras viárias.

De acordo com o deputado Nelter, há um apelo para que a governadora sinalize uma alternativa viável para a comunidade de João do Vale. “É preciso que o Governo do Estado se interesse pelo projeto. Por isso a gente também apela para a sensibilidade da governadora Fátima Bezerra”, comenta. Em dezembro último, ele esteve em Brasília também tratando do assunto com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.

Dificuldades de acesso

O platô do maciço serrano abriga uma comunidade de cerca de 2500 moradores segundo IBGE. Diariamente, um grande número de pessoas descem e sobem a serra em condições precárias e sob risco de acidentes que variavelmente ocorrem.

Nelter esteve com Marinho (Foto: cedida)

Nelter esteve com Marinho (Foto: cedida)

  “Na época da chuva nem sobe nem desce ninguém, fica todo mundo isolado aqui em cima, até baixarem as águas e a lama secar”, conta o morador Anelsino da Silva, de 56 anos.

Ano a ano cresce a procura por investimentos em imóveis. As áreas de mirantes são as mais cobiçadas para construção de chalés, restaurantes e pousadas. Mas, a falta de uma via asfaltada retarda o desenvolvimento do setor turístico. É o que lamenta o investidor Janúncio Tavares.

– “Vans e ônibus não sobem! Pra subir num carro popular fica muito arriscado, a estrada é íngreme, o terreno muito acidentado.  Só vai se for de carro 4×4.  A gente fica triste porque já se poderia estar gerando renda na comunidade com atividade do turismo, esse é o futuro que a gente tem aqui. Muita gente querendo investir, mas não temos ação dos governos”, desabafa o empreendedor.

Reivindicação antiga

A reinvindicação da comunidade por estrada é antiga. Teve início na primeira metade dos anos 80 do século passado, quando a Prefeitura de Jucurutu – gestão de Nelter Queiroz – abriu o primeiro acesso por via carroçável e alguns trechos em calçamento.  Foram feitos  17Km da cidade até o topo da serra. Após quatro décadas, as condições de trafegabilidade continuam as mesmas.

Somente em 2010, o Governo do Estado assinou um contrato via Departamento de Estradas e Rodagem (DER/RN), para trabalho através da empresa CLC. Porém, apenas um trecho de 03km foi asfaltado naquela ocasião.

Em 2013, as obras foram retomadas na gestão de Rosalba Ciarlini (DEM, hoje no PP) que construiu mais 07Km até as proximidades da localidade chamada Sitio do Louro no “pé da serra”. Atualmente, está deteriorado devido as intempéries e falta de reparos. O restante da estrada ainda está todo por ser feito, onde são considerados os trechos mais íngremes.

A estrada é municipal e a obra está contratada pelo Governo do Estado desde esse período. As duas etapas dos serviços consumiram cerca de R$ 15 milhões. O custo total gira em torno de R$ 25 milhões, segundo informou o deputado Estadual Nelter Queiroz (MDB) que encabeça um movimento pela conclusão da estrada

Leia também: Veja série de matérias sobre a Serra de João do Vale.

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domingo - 19/07/2020 - 05:26h
Especial III

História de beatos e messianismo no RN lembra Canudos

Movimento na Serra de João do Vale causou preocupação e foi desfeito à força policial no século XIX

Por Tárcio Araújo (para o Blog Carlos Santos)

Durante o século XIX a presença de beatos e conselheiros era comum no interior do Nordeste. A miséria reinante e a ausência de referências religiosas em lugarejos mais longínquos, contribuíam para o surgimento de líderes espirituais de feição popular.

Movimentos messiânicos e sebastianistas eclodiam por toda parte, atraindo sertanejos pobres e analfabetos, com a promessa de um salvador que os libertaria do flagelo da vida e do sofrimento humano.

No sertão exaurido, assolado por secas, sem assistência alguma de governos e explorado por coronéis (latifundiários e donos da terra), o homem comum se via obrigado a se insurgir contra o sistema. Dois caminhos eram possíveis: ou se pegava em armas e abraçava o cangaço ou se valia da cruz e seguia um líder messiânico pela caatinga a dentro.

Missões religiosas ocorriam pacificamente, mas que foram combatidas com rigor pelo governo (Ilustração de Adriano Pinheiro)

Foi assim na Serra do Rodeador (1819) e na “Pedra Bonita” (1836), ambos em Pernambuco. Em Canudos na Bahia (1893-1897); e até meados do século XX, entre os anos de 1926 a 1937, com o ajuntamento do Caldeirão do Beato José Lourenço no Crato-CE.  Todos com desfecho trágico, vasto derramamento de sangue e milhares de mortes.

O Rio Grande do Norte também vivenciou seu momento de messianismo na história, apesar do fato ser pouquíssimo conhecido. O cenário foi a serra de João do Vale (área localizada entre os municípios de Jucurutu, Campo Grande, Triunfo Potiguar e Belém do Brejo do Cruz-PB, a 130 quilômetros de Mossoró e 275 de Natal.), em 1899.

Canudos havia caído dois anos antes.

No interior potiguar, o personagem central dessa epopeia é o religioso Joaquim Ramalho do Nascimento, (Beato Joaquim Ramalho), nascido em 1862.  Um líder carismático que atraiu mais de mil devotos para a Chã do Cajueiro, onde morava. Como ele realizou tal feito? É o que vamos relatar agora!

Câmara Cascudo resgatou história que seu pai teve participação direta (Foto: reprodução BCS)

A vocação religiosa de Joaquim Ramalho surge ainda na infância, influenciado por leituras como a bíblia, a ‘Missão Abreviada’ dos padres capuchinhos e a obra de Alan Kardec. Teria sido educado e alfabetizado por um antigo professor que morou na região.

Era assíduo às missas na então Vila do ‘Triumpho’, hoje, Campo Grande.  Acólito do padre local, aos domingos descia a serra para a celebração. Cresceu tendo o catolicismo como doutrina, mas também adepto do espiritismo kardecista.

Joaquim Ramalho estava com 32 anos, homem feito e casado, quando falece aos 80 anos, o padre da então Vila do ‘Triumpho’, Manuel Bezerra Cavalcante.  A morte do velho vigário deixa uma lacuna na comunidade. Neste período em diante, Joaquim Ramalho se aprofunda nos estudos do ‘Kardecismo’. Passa dias em meditações prolongadas. Era um homem circunspecto, parecia estar se preparando para uma “missão divina”.

Fenômeno

Passados 04 anos da morte do vigário velho, Joaquim Ramalho se apresenta com revelações místicas ao contemplar os finais de tarde no alto da serra.  Tem crises de convulsões, cai ao chão e entra em transe ao pôr do sol.  Passa a cantar ladainhas e proferir sermões com grande eloquência e autoridade. Ao retornar da vertigem dizia não se lembrar de nada.

O fenômeno se repetiu por tardes seguidas, e no curso das epifanias celebrou missas na sua própria casa, numa espécie de hibridismo religioso. Ao tempo em que as pessoas já o viam como novo pregador daquela região. “A notícia alastrou-se como um relâmpago.  De todas as tocaias da serra, homens e mulheres correram a ver o prodígio.  Vieram presentes.  Vieram   adeptos”, rlatou Câmara Cascudo em artigo de 1924 denominado ‘Os Fanáticos da Serra de João do Vale’.

Durante as celebrações as pessoas se reuniam em volta de uma mesa de flores e uma esteira de palha com lençol branco onde Joaquim Ramalho proferia o sermão e dava conselhos aos devotos à sua volta.

O escritor João Ramalho registrou em seu livro ‘O Beato da Serra de João do vale’, que em questão de meses a localidade se constituiu num ajuntamento de romeiros. “Dos brejos da Paraíba, do Agreste e do Sertão deste Estado e do Ceará, afluíram à serra de João do Vale, levas e levas de romeiros, para assistir as missões e os prodígios do santo homem. E até do interior de Pernambuco veio gente em romaria”.

A essa altura a serra de João do Vale se torna um santuário místico religioso. Os ritos e liturgias eram constantes e as pessoas não paravam de chegar. Em seus relatos, Câmara Cascudo ainda reitera a influência da devoção empregada por Joaquim Ramalho: “Dia e noite ecoava pela serra as ladainhas, as litanias, os responsos, novenas, uma infinidade de exercícios religiosos”.

A revista Mobral de 1984 também aborda uma passagem do movimento em seu ápice: “As oferendas se multiplicavam. Gente vinha em peregrinação de léguas e léguas de distância. Eram tantos os presentes que nem o chiqueiro comportava mais. Barracas surgiram ao redor do templo doméstico”.

Não há relatos de milagres, apenas a empatia do povo com a pregação do beato que de maneira especial se portava como líder religioso. “O que havia era a palavra de caridade, reconfortante àquela gente desvalida. Sua pregação magnetizava as massas. Dizia ele falar pela boca do Padre Manuel Bezerra”. Conta o escritor João Ramalho. Seria um caso de mediunidade?

Gente da serra, da fé… gente que conta a história

Severina Ramalho (sobrinha-bisneta do beato) 65; Alzira Silva (moradora que acredita em milagres do beato), 71; escritor João Ramalho (falecido há poucos dias) tem livro sobre movimento e Seu' Virô ( avó foi beata), 90 (Fotos: Adriano Pinheiro e Francinildo Silva)

Câmara Cascudo relata que em abril daquele ano, “Joaquim Ramalho era o senhor em trinta léguas derredor”, bem como sua pregação penetrara os sertões em santas missões populares. “Ganharam terreno.  Desceram por toda a zona do Paraú.  Agora, em certos dias, com velas acesas, vagarosamente, a multidão descia para terços e novenários em lugarejos vizinhos, cantando benditos”.

Diferentemente do Conselheiro de Canudos, Joaquim Ramalho não contestava a República, nem tocava em política. Sua vocação era meramente devocional.  Andava pelas estradas com seus seguidores visitando sertanejos pobres.

Em suas incursões, rezava missas a céu aberto, batizava e dava comunhão, confessava fiéis e concedia extrema-unção aos enfermos. Era um sacerdote sem o aval da igreja, “resgatando” vidas em sofrimento.

O CARÁTER SACRO DE JOAQUIM RAMALHO era um entendimento comum entre os sertanejos.  É o que assinala Câmara Cascudo: “Cangaceiros afoitos, vaqueiros destemidos, ajoelhavam, rezando, batendo no peito, olhos baixos quando, estático e absorto em contemplações superiores, Joaquim Ramalho passava, abençoando-os”.

E a multidão de devotos era cada vez maior. Em Agosto daquele ano, já havia para mais de mil seguidores habitando a serra de João do Vale. “Com o passar dos dias, um arraial crescia enquanto a vida ia se desorganizando ao redor. Lavradores e vaqueiros largavam o serviço para andar cantando, com uma vela na mão, acompanhando Joaquim Ramalho. Vestido num chambre branco de chita”, descreve Cascudo em ‘Os Fanáticos da Serra de João do Vale’.

O receio de que aquele movimento poderia eclodir numa revolta aos moldes de Canudos, passou a incomodar os chefes políticos da época. Outra insatisfação era a queda de rendimentos das lavouras com a perda de mão de obra. Lavradores deixaram as fazendas para seguir a vida religiosa no alto da serra e viver da própria plantação.

Apesar de que, segundo os registros históricos, Joaquim Ramalho nunca empreendeu uma organização social. O ajuntamento se dava de forma espontânea e  aleatória, na medida em que os sertanejos foram assentando.

Denúncia e fim do movimento

Os coronéis e senhores de terras, Tito Jácome, Luiz Florêncio e Vicente Veras, com fins de debelar o movimento, denunciaram Joaquim Ramalho ao então governador da província, Joaquim Ferreira Chaves Filho (primeiro governador do RN eleito pelo voto), sob acusação de subversão da ordem pública, prática de curandeirismo e baixo espiritismo.

Ferreira Chaves: ordem cumprida (Foto: reprodução)

Em agosto de 1899, com a ordem de prisão em mãos, o tenente Francisco Justino de Oliveira Cascudo (pai do folclorista Câmara Cascudo) e chefe de policiamento do interior, mais 22 soldados da Polícia Militar, devassaram a serra de João do Vale, queimaram palhoças, derrubaram o altar, rasgaram a esteira e prenderam seguidores. Outros mais atentos conseguiram escapar do cerco policial ao se esconderem nos socavões da serra.

O beato e seu acólito Sabino José, mais um grupo de devotos, entre eles a cega Justina, estavam em ‘santas missões’ celebrando uma missa na fazenda pitombeiras, quando foram surpreendidos pela tropa. Alguns homens tentaram reagir, mas o beato interveio e entregou-se pacificamente. Joaquim Ramalho era tido como pessoa pacata e bondosa, não queria luta. Não era adepto da violência. Vivendo no meio da força, não a quis empregar”, pontuou Cascudo.

Foi levado à cadeia pública de Mossoró, tiveram as cabeças raspadas. Sabino José por ser mestiço, ainda levou uma surra por “obra de misericórdia”, como apontam os registros históricos. Já Joaquim Ramalho que era branco, não sofreu agressão.

Ambos submetidos ao interrogatório, foram obrigados a negar o movimento em troca da liberdade, mesmo que mantê-los presos tenha se tornado inconsistente, pois as acusações não prosperaram. Não pregavam contra a república, nem impuseram resistência à força policial. Concluiu-se que não havia crime.

Assinaram compromisso legal de jamais retomar atividades de cunho religioso entre o povo sertanejo e foram liberados dias depois.

Sabino José desapareceu e nunca mais se teve notícias. Enquanto Joaquim Ramalho, como era casado e tinha família, retornou à sua casa ficando meses incomunicável. Foi levado por parentes até a presença de padre Cicero Romão em Juazeiro do Norte no Ceará, onde se confessou e recebeu uma benção do “Santo do Horto”.

Joaquim Ramalho estava envergonhado por não poder mais exercer sua vocação religiosa como queria. Ao retornar de Juazeiro, não mais regressa à serra. Vai morar no sertão, na fazenda Malhada Vermelha em Campo Grande, onde cria a família na agricultura.

Continuou servindo a religião, desta feita de forma oficial. Foi nomeado membro do Apostolado da Oração da Paróquia de Nossa Senhora Santana naquela cidade. Frequentava a missa aos Domingos, uma vez por mês e assim permaneceu por 26 anos. Nunca mais falou sobre o movimento messiânico.

Livro de João Ramalho é o único que trata do movimento (Reprodução BCS)

Como de costume, caminhava taciturno e solitário por 20 quilômetros da fazenda onde morava até a igreja matriz. Num desses trajetos, nas imediações da serra do Cuó, foi picado por uma cobra cascavel e sem assistência médica não resistiu aos efeitos do veneno. Faleceu no dia 26 de Março de 1925, aos 63 anos de idade.

O escritor João Ramalho resumiu em seu livro a importância do movimento histórico e a figura do beato para os sertanejos pobres daquela região:

–  “Foi ele assim o precursor de uma doutrina mística, buscando através da contemplação, ir até o profundo do seu ser, para retornar ao seu estado natural, agora como um homem sábio, filósofo, bondoso, orientador e catequizador a quantos desejassem ouvi-lo em nome de Deus”.

Esquecimento histórico

Desconhecido da historiografia, pouco se escreveu sobre esses acontecimentos. Talvez a intenção da elite letrada da época fosse mesmo deixar o evento cair no esquecimento.  Somente em 1924 Câmara Cascudo publica o livro ‘Histórias que o Tempo Leva’, e dedica um capítulo ao registro dessa narrativa, com o título “Os Fanáticos da Serra de João do Vale”.

O texto é baseado nos relatos do pai do próprio autor, o tenente Francisco Justino Cascudo, responsável pela tropa que dispersou os devotos e prendeu Joaquim Ramalho.

Entre 1938 a 1940, as edições da Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte reproduzem o ensaio de Cascudo sobre o movimento messiânico.

Em 09 de Fevereiro de 1941, com a colaboração do pesquisador Hugolino de Oliveira, sobrinho do beato, Câmara Cascudo volta a publicar um novo artigo, desta vez no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro.

Em 1973, Tarcísio Medeiros abordou o fato em seu livro “Aspectos Geopolíticos e Antropológicos do Rio Grande do Norte”.

Em 1984 a Coleção Livro Reportagem do MOBRAL relata o protagonismo de Joaquim Ramalho na Serra de João do Vale.  E por fim em 1998, o escritor João Ramalho dissecou o evento com mais profundidade em seu livro “O Beato da Serra de João do Vale”.

Atualmente, professores, estudantes e pesquisadores do curso de história da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) estão debruçados sobre esse movimento messiânico como objeto de estudo.

Documentário trata do tema

Documentário foi produzido em 2019 e ainda será lançado, mostrando história do messianismo na serra (Foto: Everton Maia)

Em 2019, gravamos na própria serra de João do Vale o documentário ‘Messiânicos’, com participação de moradores, historiadores locais e descendentes do beato Joaquim Ramalho.  A pandemia do coronavírus impediu o lançamento nesses primeiros meses de 2020, adiando essa pretensão.

Depois de 121 anos, será a primeira obra audiovisual com resgate dessa memória.  Uma iniciativa que temos alegria de compartilhar com os moradores da serra, estudiosos, historiadores, pessoas de todos os matizes sociais que se interessam pelo tema.

Leia também:

Serra de João do Vale, um destino a ser descoberto no RN;

Serra de João do Vale tem marcas de disputas coloniais.

Veja trailler do documentário “Messiânicos”:

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Categoria(s): Reportagem Especial
domingo - 05/07/2020 - 06:28h
Especial

Serra de João do Vale, um destino a ser descoberto no RN

Série do jornalista Tárcio Araújo revela lugar que espera mão benéfica, do homem, para ser mais feliz

Por Tárcio Araújo (Para o Blog Carlos Santos)

Imagine um lugar onde os seus moradores ainda conservam costumes sociais como sentar todas as tardes e noites no alpendre para prosear; contar histórias, onde a carne de sol é batida no pilão e o almoço preparado na panela de barro em fogo à lenha.

Ecoturismo, contato direto com vegetação preservada e imagens idílicas, revelam potencial da serra (Foto: Francinildo Silva)

Um lugar de religiosidade forte, onde se reza as novenas, tradição que lembra os tempos dos nossos avós e antepassados até mais longínquos.  Um lugar onde a natureza ainda dar o tom de verde com árvores nativas que já não vimos mais no sertão catingueiro; onde o canto dos pássaros é a sinfonia que ecoa pelo a brisa úmida das manhãs, com temperaturas que chegam até 14° em alguns meses do ano.

Um lugar onde as pessoas vivem muito tempo; alguns com mais de cem anos. O segredo de tanta longevidade talvez seja o leite e o queijo feitos lá mesmo. Talvez seja a fava sem amargo que brota dos terrenos arenosos, ou quem sabe o clima temperado que predomina durante o ano. E talvez seja o conjunto de todas estas coisas juntas, onde o tempo parece passar em marcha lenta.

Esse é o cenário da Serra de João do Vale, a cerca de 730m de altitude, estendida por 277km² entre os municípios de Jucurutu, Campo Grande e Triunfo Potiguar no Rio Grande do Norte e Belém do Brejo do Cruz na Paraíba. Fica a 130 quilômetros de Mossoró e 275 de Natal.

Até hoje sem pavimentação ou asfalto que leve os visitantes até o seu platô, o acesso é feito por estrada carroçável, tanto por Jucurutu quanto por Triunfo potiguar. Em tempos de chuva, esse acesso fica ainda mais difícil, recomendado apenas para veículos 4×4.

A REGIÃO tem sido explorada pelos amantes de todo terreno, o off-road (veja AQUI, AQUI e AQUI). Muitos se aventuram em eventos já reconhecidos e existem aqueles que fazem sua própria rota ou enveredam pela “Trilha do Pacifico”, considerada a mais íngreme e acidenta do Rio Grande do Norte.

Jipieiro desafia a Trilha do Pacífico na Serra de João do Vale (Foto: arquivo/2019)

É somente o barulho dos motores em dias de aventura, que quebra o silencio da localidade.  A dificuldade de acesso talvez tenha sido o fator primordial para a preservação dos costumes e da natureza em seu entorno. Um ponto positivo!

Seus primeiros moradores foram os índios Pegas que a denominavam de “Pepetama”. Os Tapuias (Janduís) a conheciam por “Pookiciabo” (informações do livro “Os índios Tapuias do RN”, de Valdeci dos Santos Júnior)..

Depois os holandeses penetraram seus sertões quando da ocupação batava no território potiguar entre 1630 a 1654. Até hoje há vestígios da passagem holandesa.

A partir do domínio português, após a “Guerra dos Bárbaros”, em 1713 a serra ganhou a alcunha de Cepilhada e em 1761 é adquirida em leilão pelo Capitão-Mor João do Vale Bezerra. Seu dono virou topônimo preservado até hoje.

Mortes e abandono

De lá pra cá, a serra teve uma ocupação lenta e foi sempre ignorada pelas autoridades públicas. No final do século XIX, por muito pouco um movimento messiânico liderado pelo religioso Joaquim Ramalho não ganhou contornos de uma versão potiguar do que foi Canudos na Bahia. Esse fato foi registrado pelo escritor Câmara Cascudo.

No século XX, o algodão foi a primeira grande cultura agrária do povoamento. Depois vieram o caju e a fava como fontes de produção e sustento de sua população nativa.

Antonio Francisco da Silva ( sêo Virô) 92, um dos moradores mais antigos. aprendeu a ler e escrever com o Mobral. Sua vó participou do movimento messianico do beato joaquim Ramalho em 1899. (Foto: Francinildo Silva)

Isolados durante séculos, sem acesso e sem estradas, os moradores padeceram de assistência. O lugar é marcado por um passado de mortandade de crianças e de mulheres grávidas que sem atendimento agonizavam até a morte, no parto.  Lembranças tristes que permeiam até hoje a memória da comunidade; histórias passadas pela cultura oral de pai para filho, de pai para filho…

No final da década de 70 do século XX, o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) foi o divisor de águas à sua gente. Visto como um programa educacional federal fracassado, no propósito de tirar milhões de adultos do analfabetismo, ao ser extinto em 1985 deixou alguns legados na serra. Muitos aprenderam além do beabá, moradias ganharam melhorias estruturais e sanitárias.

Foi também por meio dessa iniciativa, que foi construída a primeira estrada da comunidade, por volta de 1980. Ligava-a ao que é hoje o município de Triunfo Potiguar.

Atualmente, quase 2.000 mil pessoas moram no alto da serra, distribuídas por 05 comunidades chamadas de “Chãs”. As condições de hoje são melhores do que no passado, com energia elétrica, unidades de saúde e escola para as crianças. No entanto o abastecimento d’água ainda é precário.

Pavimentação

Um outro gargalo é a falta de pavimentação dos 19 km até Jucurutu. É um um pleito da comunidade que já perdura há mais de quatro décadas. Seu custo é estimado em cerca de R$ 25 milhões. Noutra frente, há um acesso por Triunfo Potiguar com cerca de 17 quilômetros, com cerca de um terço tendo pavimentação deteriorada a paralelepípedo.

O futuro que se avizinha é de expectativa para o desenvolvimento do turismo serrano com seu vasto potencial climático e paisagístico.  Mas para isso, a construção da estrada é o primeiro grande desafio a ser superado.

Natureza exuberante, clima e tranquilidade revelam potencial turístico do lugar (Fotos: Francinildo Silva)

Em outra frente, há estudos e experimentos para instalação de unidades de energia eólica na área, aproveitamento do ecoturismo e do turismo de aventura. Belezas exuberantes não faltam.

Nesta série de 05 reportagens (Especial Serra de João do Vale), vamos trazer as histórias de um lugar rico em cultura e tradições, de personagens reais e de belezas naturais pouco conhecidas. Um cantinho do estado do RN que até parece não existir. Enfim, não existe mesmo no mapa das autoridades e para a enorme maioria dos norte-riograndenses, sequer para aposta num turismo doméstico.

Mas não se engane: a Serra de João do Vale vai ser um destino no roteiro de muita gente que ama a natureza. Quando? Esperamos que não dure mais umas quatro décadas. Todos temos pressa em usufruir, de forma sustentável, desse paraíso em pleno sertão nordestino (veja vídeo abaixo com o amanhecer na serra).

Seja bem-vindo ao Especial Serra de João do Vale. Aguarde as próximas reportagens.

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Categoria(s): Reportagem Especial
  • Repet
sábado - 04/07/2020 - 18:42h
General Girão

Deputado ouve apelos sobre estrada à Serra de João do Vale

Girão, de costas, ouve moradores (Foto: cedida)

O deputado federal General Eliéser Girão (PSL) esteve na Serra de João do Vale (Jucurutu) nesse sábado (4). Atendeu convite de representantes da comunidade que há décadas pleiteiam pavimentação de acesso à área.

O parlamentar conversou com moradores, conheceu e ouviu relatos sobre o potencial econômico da região, sobretudo como núcleo de investimento para turismo de aventura e ecoturismo.

– A Serra do João do Vale está em nosso projeto, sim – disse ele em contato com o jornalista Tárcio Araújo da FM 95 de Mossoró.

Acessos

Existem dois acessos precários ao platô da serra. Um é parcialmente pavimentado a paralelepípedo, através de Triunfo Potiguar, com cerca de 17km; outro, de 19 quilômetros, que liga o lugar à cidade de Jucurutu, é carroçável.

A Serra de João do Vale se espraia por Jucurutu, Triunfo Potiguar e Campo Grande no Rio Grande do Norte, além de Belém do Brejo do Cruz (PB). Seu ponto mais alto fica mais de 700 metros acima do nível do mar.

Leia também: Amanhecer na Serra de João do Vale.

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Categoria(s): Economia / Política
sábado - 27/06/2020 - 17:44h
Ô benção!

Amanhecer na Serra de João do Vale

Essa imagem foi-me passada pelo jornalista Tárcio Araújo nesse sábado (27).

É o amanhecer na Serra de João do Vale no RN, que se espraia por Jucurutu, Triunfo Potiguar e Campo Grande no Rio Grande do Norte, além de Belém do Brejo do Cruz (PB).

Seu ponto mais alto fica 700 metros acima do nível do mar e sua área é em torno de 277 km².

Visão idílica com a sonoridade harmônica do passaredo e um galo-maestro, que divido com você. Janúncio Tavares, morador do lugar, fez a filmagem.

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Categoria(s): Gerais
  • San Valle Rodape GIF
quinta-feira - 13/06/2019 - 09:46h
Jucurutu

Desafio fora-de-estrada vai ocupar Serra de João do Vale

Do Blog Emanuella Galvão

Jucurutu mais uma vez vai se tornar a capital das atividades fora-de-estrada do Rio Grande do Norte, no sábado e domingo próximos (15 e 16) quando será realizado o XIII Desafio da Serra de João do Vale – Trilha do Pacífico.

XIII Desafio da Serra de João do Vale – Trilha do Pacífico - atrai jipeiros do RN e PB (Foto: divulgação)

Reunirá admiradores e desportistas da aventura Off Road e do turismo rural do RN e Paraíba.

Os pilotos começam a chegar na sexta-feira à noite e os demais no sábado pela manhã, uma vez que logo após o café será iniciada a programação do evento.

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Categoria(s): Esporte
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